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Correio Braziliense

Silêncio e tristeza marcam velório de mulher morta pelo marido na Asa Norte

Diva Maria foi morta dentro de casa, na 316 Norte. O filho também foi vítima da violência e não pôde comparecer à cerimônia, pois está internado no Hospital de Base


postado em 29/01/2019 14:36 / atualizado em 29/01/2019 15:07

Amigos e familiares se despedem da vítima no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul(foto: Arthur Menescal/Esp. Correio Braziliense )
Amigos e familiares se despedem da vítima no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul (foto: Arthur Menescal/Esp. Correio Braziliense )
Assassinada pelo próprio marido, com seis tiros, Diva Maria Maia da Silva, 69, é velada no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. A cerimônia começou por volta das 12h e o sepultamento está marcado para as 16h desta terça-feira (29/1). Dezenas de amigos e familiares da mulher, tida por todos como "muito querida", se reúnem para prestar as últimas homenagens, à ela. Dentro da capela, o silêncio impera. 

Emocionados, familiares pediram para que a imprensa não acompanhasse o velório de dentro da capela, e disseram, também, que não concederiam mais entrevistas. A todo momento chegavam pessoas com flores ao local. 

Diva era dona de casa e morava na Asa Norte há mais de três décadas com o marido, Ranulfo do Carmo, 72. Na segunda-feira (28/1), ela havia acabado de chegar de viagem com o filho, Regis do Carmo Corrêa Maia, 46, que tinha ido fazer um concurso em Goiânia (GO). Poucos minutos depois, o marido chegou, discutiu com o filho, pegou uma arma e realizou os disparos contra os dois. 

Régis foi o primeiro atingido, três vezes no tórax. Ele está internado no Hospital de Base, mas permanece estável. Após acertar o filho, Ranulfo voltou ao quarto, recarregou o revólver e atirou ao menos seis vezes contra a esposa. Segundo o Corpo de Bombeiros, a maioria dos tiros atingiu a cabeça da vítima, que morreu no próprio apartamento. 

Em seguida, Ranulfo fugiu com um Cross Fox branco, mas foi preso pela Polícia Militar na Epia Sul, na altura da Quadra 8 do Park Way. Os militares o conduziram à 2ª Delegacia de Policia (Asa Norte). Ele prestou depoimento e foi encaminhado à carceragem do Departamento de Polícia Especializado (DPE), onde passou por audiência de custódia na manhã desta terça-feira (29/1).
 
A Justiça determinou a prisão preventiva de Ranulfo, que também está impedido de manter contato com familiares por qualquer meio de comunicação. Ele deve manter distância de, no mínimo, 500m deles, e não pode deixar o Distrito Federal por, ao menos, 30 dias. Os filho do suspeito receberam uma medida protetiva.
 
A decisão foi da juíza substituta do Núcleo de Atendimento de Custódia (NAC), Flávia Pinheiro Brandão Oliveira. Agora, o homem será levado para o Presídio Provisório no Complexo Penitenciário da Papuda. Ranulfo responderá por feminicídio, tentativa de homicídio e posse ilegal de arma de fogo.

Espancamentos

Vizinhos confirmam o histórico violento de Ranulfo. No entanto, ninguém nunca registrou uma ocorrência contra ele. "Quase todas as semanas, a Diva me ligava para comentar as agressões que sofria do Ranulfo. Ele a xingava e a espancava. Não era segredo para ninguém a maneira como ele a maltratava. Eu sempre a aconselhei a procurar ajuda ou a denunciá-lo, mas ela não conseguia sair dessa relação. Nunca procurou a polícia por medo de que ele a matasse”, disse a analista ambiental e vizinha de Diva, Tânia Maria Ferreira, 55.

“Diva teve uma vida muito sofrida por conta do Ranulfo. Ele a mantinha como uma escrava. Batia nela todos os dias. Isso não é de hoje. Ela apanhou a vida inteira. Essa era uma tragédia anunciada”, relatou outra vizinha do casal, a administradora Tatiana Martinelli, 41.
 
Apesar da violência, Diva era tida como uma pessoa extrovertida, companheira e vaidosa. “Ela tinha olhos azuis tão bonitos e um sorriso único. Onde ela chegava, deixava o ambiente mais feliz”, observou Tânia Maria. 

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