A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada para atender a ocorrência de espancamento. Ao chegar, os agressores já haviam fugido e familiares do homem estavam ao lado dele. Somente no local foi que a equipe descobriu se tratar de um caso de linchamento. Ele foi espancado na porta de casa, com estacas de madeira.
Com suspeita de traumatismo craniano e fraturas no maxilar e em outras regiões da cabeça, o homem foi levado ao Hospital Regional do Paranoá (HRP) e, posteriormente, transferido ao Hospital de Base. Quando receber alta, ele deverá ser encaminhado à 6; Delegacia de Polícia (Paranoá), que investiga o caso.
De acordo com a delegada responsável pelas apurações, Jane Klébia, ainda é cedo para afirmar que o espancado seja, de fato, o autor do estupro. "O que se sabe é que a menina reconheceu o homem em uma praça e contou aos familiares. A notícia se espalhou pela comunidade e um grupo se juntou para agredir o suspeito", diz.
Apesar do suposto estupro ter acontecido no ano passado, somente na última quinta-feira (24/1) é que a menina revelou o caso para a mãe, que registrou boletim de ocorrência. "A mãe teria notado que a filha andava triste e chorando. Somente depois de insistir é que a menina se abriu", conta a delegada.
A vítima falou que o homem a atraiu para perto do carro dele em busca de informação e a jogou no banco de trás, destaca a delegada. "O relato leva a crer que o suspeito colocou algo no rosto dela para que desmaiasse, já que ela não lembra do percurso, só de acordar em um parque, com as calças abaixadas e as dele também." Ainda segundo o depoimento, ele teria mandado a menina ficar calada e, depois, a levou de volta para a escola.
Agora, a delegacia vai apurar se o homem cometeu, de fato, o estupro a vulnerável. Ele não possui passagens pela polícia, mas, se confirmada a autoria, pode pegar de cinco a 15 anos de prisão. Já os responsáveis pelo linchamento também serão investigados e indiciados. "Justiça privada não existe. Por mais que ele possa ser considerado culpado, não podemos estimular práticas como essa", afirma Jane Klébia.