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Correio Braziliense

Córrego que contribui para abastecimento de água no DF será restaurado

A bacia hidrográfica Córrego do Caiador é o foco do projeto, que estuda formas de proteger a vegetação e conter a erosão do solo nas áreas degradadas. A preservação do manancial, no entanto, também contribui para o sistema de captação de Corumbá, que abastece o DF


postado em 31/01/2019 21:26 / atualizado em 31/01/2019 21:26

Solo próximo ao manancial Caidor necessita de recuperação e conservação.(foto: Andrelisa Santos de Jesus/Divulgação)
Solo próximo ao manancial Caidor necessita de recuperação e conservação. (foto: Andrelisa Santos de Jesus/Divulgação)

A degradação ambiental pode comprometer sistemas responsáveis pelo abastecimento de áreas urbanas e rurais no Centro-Oeste. Parte de Corumbá, onde obras para a construção de mais um ponto de captação de água que atenderá o Distrito Federal estão em andamento, e a bacia hidrográfica do Córrego Caidor estão comprometidas.

Para assegurar o fornecimento de água, a prefeitura de Silvânia (GO) sancionou, em dezembro de 2018, o Projeto de Lei nº 1.938, que visa garantir a recuperação da vegetação e a conservação do solo próximo ao manancial Caidor, que abastece a cidade goiana.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente de Silvânia, Francisco Tavares, após a concretização do marco legal, o próximo passo será conservar a área do município e abranger a preservação por diversas partes do Centro-Oeste. “Inclusive a área do Corumbá IV será beneficiada. Mas é preciso que os  responsáveis por essas fontes de recursos naturais unam forças conosco”, encoraja. 

Pesquisadores do Laboratório de Biogeografia da Conversação, da Universidade Federal de Goiás (CB-Lab/UFG), iniciaram estudos no córrego e na comunidade Boa Vista dos Macacos, que sofre com a falta de água no município. As duas áreas juntas abrangem cerca de 4,4 mil hectares.   

A desenvolvedora do projeto Rafaela Silva aguardava a aprovação da lei para maiores possibilidades de alavancar o programa. “A manutenção das áreas de preservação, por intermédio dos estudos, será importante para a provisão de água no DF. Mesmo que a primeira fase do piloto aconteça em outra bacia hidrográfica, a área do Corumbá será contemplada na medida em que a pesquisa avançar”, ressalta.
 

Investimentos

Os métodos a serem utilizados para a restauração do local ainda são incertos, isso porque a realização do plano depende de recursos financeiros. “Ainda será definido o valor destinado pela prefeitura ao Programa Municipal de Pagamento por Serviços Ambientais (PMPSA). Além dessa contribuição, queremos captar novos recursos por intermédio de investidores que tenham interesse direto na melhoria da qualidade da Bacia do Caidor”, conta a pesquisadora. 
 
A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma contribuinte do projeto. Responsável pela fase de estruturação e execução do Programa de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), deu início a aceleração do plano apresentado pelos pesquisadores da universidade.

O analista de projetos ambientais da fundação, Thiago Valente, ajudou a desenvolver as metodologias e deu direcionamento ao planejamento. “Convidamos a pesquisadora Rafaela Silva para trabalhar nos modelos de ação e, durante quatro meses, oferecemos capacitação com elementos de gestão de projetos e ótica voltada aos negócios. Além disso, buscamos formas de proteger os recursos hídricos, de conservar a flora e a biodiversidade”, explica. 

Água do Córrego Caidor mantém as propriedades dos ribeirinhos do município (foto: Andrelisa Santos de Jesus/Divulgação)
Água do Córrego Caidor mantém as propriedades dos ribeirinhos do município (foto: Andrelisa Santos de Jesus/Divulgação)

Produtores rurais

O presidente da Central de Associações de Pequenos Produtores Rurais de Silvânia, Aparecido Bueno, afirma que a conservação do Manancial Caidor também é importante para os produtores rurais. “A água mantém as propriedades e os recursos naturais responsáveis pelo sustento dos ribeirinhos e o giro da economia local”, explica.   

A implementação de cercas, para que o gado dos criadores não pisoteie e cause malefícios ao sistema de abastecimento do Distrito Federal e de Goiás, é uma das medidas que serão adotadas para a preservação do meio ambiente.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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