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Correio Braziliense

Zoológico monta esquema especial para cuidar de animais no período de calor

Zoológico de Brasília monta esquema especial para cuidar dos animais neste período de forte calor. Turistas elogiam a medida


postado em 01/02/2019 06:00 / atualizado em 31/01/2019 22:49

Para espantar o calor, o urso de óculos, única espécie da América do Sul, passa o dia se banhando num tanque (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Para espantar o calor, o urso de óculos, única espécie da América do Sul, passa o dia se banhando num tanque (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )


Brasília, 14h30. Os termômetros chegam a 30°C. A umidade do ar vai a 20%. No Zoológico da capital federal, os animais descansam à sombra. Ney, da espécie urso de óculos, caminha pelo espaço reservado para ele no Zoo e não deixa de tomar vários banhos seguidos. Sem muita agitação, os macacos japoneses observam imóveis os visitantes e, nos espelhos d’água, é possível ver o movimento nadador de algumas capivaras. O tradicional veranico de janeiro, uma súbita estiagem em um dos meses com maior volume de chuva na região, muda a rotina dos bichos, dos biólogos, zootecnistas e tratadores da instituição.

Desde a alimentação até as intervenções nos nichos de cada espécie, equipes se movimentam para garantir o bem-estar dos animais moradores do Zoológico. Na sessão dos pequenos felinos, por exemplo, uma mangueira furada sobre o recinto simula uma chuva fina e uma grande quantidade de vegetação ajuda a manter a umidade no local. Para refrescar, vale até picolés feitos de frutas, legumes, ou carne, a depender do freguês.

Diretor de mamíferos da instituição, Filipe Reis comenta sobre as diversas ações para aliviar o calor dos bichos. “Trabalhamos nos ambientes dos recintos de acordo com as características do habitat natural de cada espécie, que é o que garante, a médio prazo, o bem-estar (dos bichos). Em janeiro, com o calor, fazemos essa chuva artificial no espaço dos pequenos felinos para amenizar o calor. Animais como o urso de óculos, o tigre e as antas preferem o tanque”, explica.

Até a cobertura do solo precisa ser levada em conta. O espaço reservado dentro de cada recinto fica na sombra e é feito de cimento, uma forma de garantir um local geladinho para sentar. “O bicho vai saber o que ele precisa. Então, é importante deixá-lo decidir o que quer”, acrescenta.
 

Carinho bem gelado 

Para espantar o calor, o urso de óculos, única espécie da América do Sul, passa o dia se banhando num tanque (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Para espantar o calor, o urso de óculos, única espécie da América do Sul, passa o dia se banhando num tanque (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Moradora do Paranoá, Simeia Torres, 38 anos, reuniu filhos e a família da sobrinha, Lidiane Barroso, 28, para passear no Zoo. Eles vieram de Natal e se surpreenderam quando uma chuva fina começou a umidificar os espaços da jaguatirica, do jaguarundi e do gato palheiro. “É um sinal de carinho com os bichos. O Zoo é importante para aprendermos sobre a natureza e é bom que os animais sejam bem cuidados”, destacou Lidiane.

Não é só nos recintos que a rotina muda com o calor. No setor de nutrição, o trabalho começa cedo e vai até o fim do dia. É lá que os picolés, por exemplo, são preparados. Responsável pela área, o zootecnista Lucas Andrade Carneiro explica que boa parte da dieta dos bichos é preparada levando em conta o clima. “No calor, a primeira alteração que percebemos nos bichos é justamente na composição nutricional da dieta. Trabalhamos mais com frutas, verduras e carnes. Usamos muita melancia, que tem bastante água”, exemplifica o diretor de mamíferos da instituição, Filipe Reis.

O “picolé” tem várias qualidades. Traz o frescor do gelo, tem água e também oferece algum desafio, pois tanto o tigre quanto o papagaio terão que manipular o alimento para conseguir tirar a carne ou as frutas de seu interior. “Isso é bom para a dieta e também faz parte das iniciativas que visam melhorar a condição de vida do animal. Importante lembrar que chamamos de ‘picolé’, mas não tem açúcar ou corante”, enfatiza.

"No calor, a primeira alteração que percebemos nos bichos é justamente na composição nutricional da dieta," Lucas Andrade Carneiro, zootecnista (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )

Serviço

O Zoológico de Brasília funciona de terça a domingo, e também nos feriados, sempre de 8h30 às 17h. Os ingressos custam R$ 10. Pagam meia-entrada crianças de 6 a 12 anos, idosos, estudantes, professores e beneficiários de programas sociais do governo.

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