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Correio Braziliense

Conheça a oposição que o governador terá nos próximos quatro anos

O governo será acompanhado de perto, por exemplo, por candidatos que disputaram com ele, em 2018, as eleições para o Palácio do Buriti


postado em 04/02/2019 06:00

(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press - 19/1/19)
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press - 19/1/19)
Com novos nomes e velhos conhecidos da política brasiliense, a oposição promete fazer barulho. Apesar de estar em menor número do que a base formada pelo emedebista até agora, as vozes contrárias ao chefe do Palácio do Buriti mostraram em polêmicas — como a do projeto de ampliação do modelo de gestão do Instituto Hospital de Base e a declaração sobre a ocupação da orla do Lago Paranoá  (leia Pontos controversos) — que farão barulho.

O governo de Ibaneis será acompanhado de perto, por exemplo, por candidatos que disputaram com ele, em 2018, as eleições para o Palácio do Buriti. O ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) deve se consolidar como um dos principais nomes de contraponto a Ibaneis. O socialista deixou claro que, ao deixar o governo, faria “oposição responsável” ao adversário político. Alguns embates entre os dois marcaram o fim do período de transição e o início do governo Ibaneis, principalmente em relação ao valor do rombo nas contas públicas do DF.

Em outras duas questões, o ex-governador fez questão de alfinetar e se posicionar contra Ibaneis. Ao comentar a decisão do emedebista de ampliar o modelo de gestão do Instituto Hospital de Base, Rollemberg acusou o advogado de estelionato eleitoral. Também reprovou as declarações de Ibaneis que criticavam a urbanização da orla do Lago Paranoá.

O deputado federal Alberto Fraga (DEM) é outro dos candidatos ao Buriti que será crítico da gestão de Ibaneis. Mesmo sem mandato a partir de fevereiro, Fraga garante que vai cobrar e expor o que não considerar correto. “Agora, vou fiscalizar e usar meu programa de televisão, do DEM, para expor mentiras. Infelizmente, não tenho tribuna, mas vou ter o mecanismo que sempre usei, como fiz com o Agnelo Queiroz (PT)”, afirmou.
 

Distritais

Na Câmara Legislativa, Ibaneis tem oficialmente apenas três deputados declarados como oposição: o novato Fábio Félix (PSol) e os petistas Chico Vigilante (PT) e Arlete Sampaio. O grupo que se declara independente, porém, também deve dar trabalho e questionar decisões e projetos do governador. É o caso dos distritais em primeiro mandato Leandro Grass (Rede) e Júlia Lucy (Novo), ambos com postura combativa no caso da ampliação do Instituto Hospital de Base.

Por meio das redes sociais, Grass não tem poupado críticas ao novo governo. Questionou também as declarações de Ibaneis sobre a orla do Paranoá e participou de movimento em defesa da ocupação do espaço. “Vamos estar muito atentos. O governo não tem cheque em branco. Tem de atender à lei e cumprir compromissos de campanha com a população”, diz. “Essa nossa posição de independência é no sentido de fiscalizar o governo intensamente, que é o principal papel de um deputado”, completa.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, Fábio Félix também faz parte do time de distritais em primeiro mandato que acompanhará cada decisão de Ibaneis. “Nós vamos criticar e lutar contra a aprovação de tudo o que for contra o que defendemos, contra o serviço público de qualidade e a favor da privatização. Porém, não estamos aqui para atrapalhar o governo, mas para ajudar a direcionar para um caminho certo”, diz o deputado do PSol.

A oposição petista ao novo governador, com Vigilante e Arlete, vai além da Câmara Legislativa. A deputada federal Erika Kokay (PT) é outra parlamentar que se coloca em posição crítica ao novo comando do GDF e se mobilizou também, ao lado dos correligionários, na votação da ampliação do Instituto Hospital de Base, primeiro grande projeto de Ibaneis enviado para análise da Casa.

Ao Correio, Ibaneis destacou que estará aberto ao diálogo e que espera contar com sugestões e ideias da própria oposição para fazer um bom governo. “Eu nasci na democracia. A oposição é importante até para que possa apontar alguns erros. Todos eles são pessoas boas. Quem quiser contribuir, mesmo na oposição, estarei de braços e ouvidos abertos”, garantiu.

Pontos controversos

Mudança na gestão da saúde
» Os deputados distritais aprovaram, recentemente, o projeto de lei do Executivo que expande o modelo de gestão do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal. Com o sinal verde da Casa, a entidade passará a se chamar Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF (IGESDF) e ficará responsável pela administração do Hospital Regional de Santa Maria e das seis
Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital, além do Hospital de Base. O texto foi avaliado em sessão extraordinária da Câmara Legislativa, que durou mais de 7h e foi marcada por polêmicas.
 
Ocupação da orla
» A polêmica em relação ao uso da orla do Lago Paranoá surgiu depois de declarações do governador Ibaneis, que criticou a urbanização do espaço. “Aquilo ali tem de ser preservado, não pode ser asfaltado, não pode ter gente circulando, porque isso traz sujeira para dentro do nosso lago.” A fala foi interpretada como barreira para que a população utilize o local, e gerou críticas. Segundo Ibaneis, houve uma falha de comunicação. “Não tratei de restrição em lugar nenhum”, explicou. “Vou incentivar o acesso, vou cuidar dos parques e criar outros. Agora, tem de ser de forma controlada, a gente tem que pensar muito mais no meio ambiente”, defendeu. 

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