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Correio Braziliense

Segurança da Igreja Universal acusado de exibir arma a moradores na 213 Sul

Vítimas cuidavam de uma horta comunitária, quando perceberam que haviam jogado brita sobre plantas para ampliar o estacionamento em área pública. A confusão começou quando moradora decidiu tirar fotos com o intuito de usá-las como provas


postado em 04/02/2019 15:40 / atualizado em 05/02/2019 16:03

Moradores querem transformar terreno público em horta comunitária para alunos em escolas públicas de tempo integral (foto: Arquivo Pessoal )
Moradores querem transformar terreno público em horta comunitária para alunos em escolas públicas de tempo integral (foto: Arquivo Pessoal )
Um desentendimento entre moradores da 213 Sul e um segurança do templo da Igreja Universal do Reino de Deus, na mesma quadra, terminou na delegacia. A confusão aconteceu na tarde de domingo (3/2), quando uma moradora decidiu tirar fotos dos carros estacionados ao redor do prédio. Há uma rixa antiga entre líderes religiosos e moradores quanto ao uso da área pública, de responsabilidade da Secretaria de Educação. 
 
Valquíria Souza, 58 anos, delegada aposentada da Polícia Federal, e um vizinho de 40 anos, estavam cuidando das plantas no dia do crime. A mulher podava e plantava girassóis, em meio a 110 mudas de árvores. Parte das plantas tinha sido "engolida" por britas, jogadas na área pela Novacap. Indignada com a situação e com o uso recorrente do espaço como estacionamento por parte dos frequentadores da igreja evangélica, decidiu fotografar o descaso. 
 
"Nesse momento, um segurança apareceu e começou a nos confrontar. Ele levantou a blusa, deixando a mostra uma arma de fogo, vindo em minha direção em tom de ameaça. Questionei-o quanto ao porte do artefato e o motivo daquilo. Ele alegou ser policial, mas não informou a corporação ou mostrou qualquer documento que comprobatório", relatou Valquíria, moradora da 213 Sul há 23 anos. 
 
A delegada se identificou, tentando se defender das ameaças que sofria ao lado do outro morador — que pediu para não ser identificado. O suspeito tomou o celular das mãos da aposentada, que foi recuperado pelo rapaz. "Nessa hora, o segurança deu um murro na boca dele. A pancada foi tão forte, que escorreu sangue. Depois, saiu andando como se nada de errado tivesse acontecido. Não quis um novo confronto e decidi levar para a esfera responsável", disse a mulher. 
 
As vítimas registraram ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), por lesão corporal e ameaça. Na tarde desta segunda-feira (4/2), Valquíria voltou à unidade para fornecer novas informações que podem identificar o suposto policial. 
 
A reportagem entrou em contato com a Igreja Universal do Reino de Deus pelo telefone disponível na página da instituição na internet. "E se não quisermos falar?", respondeu um homem que se identificou como pastor evangélico, sendo informado que não teria problema, mas que haveria a publicação da reportagem. "Porque não temos interesse em falar desse caso, não", ressaltou. O religioso frisou que, se algum responsável pela unidade quisesse se posicionar, entraria em contato até às 14h, o que não aconteceu. 
 
Na tarde desta terça-feira (5/2), no entanto, representantes da Igreja Universal se posicionaram por meio de uma nota. Em um dos trechos, o documento diz que "a Universal não tem seguranças. Os profissionais terceirizados que trabalham na vigilância patrimonial seguem as leis e normas definidas para a atividade que desempenham." (Leia a íntegra da nota abaixo)

Destinado à educação 

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) é a responsável pelo terreno atrás do templo. Por nota, a pasta informou que a área é usada como estacionamento há 15 ano. Moradores negam, garantindo que o uso começou há cerca de três anos. A pasta descartou a construção de uma nova escola na região e, desde então, iniciou uma rixa para o uso da área como estacionamento ou plantio. 
 
A SEDF destacou que a área seria destinada para a construção de uma Escola Parque no local — que atende no contraturno, alunos matriculados em regime integral —, contudo, notou-se que outras escolas atendem à demanda da região. Há a proposta de reunião "com representantes de outras pastas do governo para verificar uma solução para o caso." 

Valquíria afirma que o local estava vazio até o 2017, mas que a Administração Regional do Plano Piloto, com apoio da Novacap, colocou brita no espaço para "evitar a poeira", segundo Valquíria. Depois disso, frequentadores da igreja passaram a estacionar na região. As pastas foram procuradas pela reportagem, mas não deram explicações sobre o suposto pedido. A administração destacou que enviou "uma equipe para que seja realizada nova vistoria do local."
 
Moradores querem manter a área verde e plantaram as primeiras mudas em abril de 2017. A iniciativa não é apenas dos residentes da 213, mas de quadras vizinhas. A resistência começou quando britas foram jogadas no local, matando algumas plantas. O grupo se reuniu e pediu ao pastor responsável para que os fiéis não estacionassem em outro local, mas isso não aconteceu. 
 
A reclamação dos moradores é de que a área é pública e deveria ser usada em prol dos residentes. "Quem usa esse estacionamento são os fiéis, que sequer moram na região. Nos horários de cultos, há possibilidade de se parar o carro em outras áreas. Nós que somos moradores queremos utilizar o terreno de outro modo, proporcionando uma parceria com a própria educação com aulas educativas sobre as plantas e até a criação de uma hora comunitária", garante a delegada aposentada Valquíria.
 
A proposta da horta comunitária foi entregue na Secretaria em 5 de outubro de 2018. Destaca-se como um dos argumentos do documento: "produzir alimentos orgânicos, promovendo a disponibilidade primeiramente para escola estadual pública de ensino fundamental, localizada nas SQS 413." 
 

Íntegra da nota da Igreja Universal

 

"O terreno em questão não pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, e é utilizado rotineiramente como área de estacionamento por moradores da vizinhança. A Universal não tem seguranças. Os profissionais terceirizados que trabalham na vigilância patrimonial seguem as leis e normas definidas para a atividade que desempenham.
 
A Universal jamais recebeu qualquer reclamação quanto ao trabalho desses vigilantes e desconhece essa informação de agressão, porque não tem como saber o que acontece no local – que é um espaço público.
UNIcom - Departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da Universal"

*Colaborou Jéssica Eufrásio 

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