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Correio Braziliense

Atendimento lento do GDF expõe taxistas da cidade a rotina humilhante

Há dias, taxistas que precisam renovar autorização para trabalhar não conseguem atendimento na Semob. E os que madrugam e conseguem uma senha, precisam passar horas na fila. Pasta diz que está regularizando o serviço


postado em 06/02/2019 14:41 / atualizado em 06/02/2019 14:41

Marco Antônio Ramos tenta há 10 dias, sem sucesso, obter os documentos para renovar sua licença(foto: Erika Manhatys/Esp.CB/D.A Press)
Marco Antônio Ramos tenta há 10 dias, sem sucesso, obter os documentos para renovar sua licença (foto: Erika Manhatys/Esp.CB/D.A Press)
Taxista, Marco Antônio Ramos, 61 anos, está acostumado a passar o dia dentro do carro. Nas últimas semanas, porém, as horas gastas no veículo têm sido nada produtivas. Isso porque ele é mais um dos vários profissionais da categoria que não têm conseguido obter documentos necessários para a renovação da autorização para trabalhar. A culpa é do atendimento extremamente lento na Subsecretaria de Serviços da Secretaria de Mobilidade (Semob), responsável pela emissão dos papéis.

No local, os taxistas obtêm os Ofícios de Encaminhamento de Serviços, que devem ser entregues ao Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), para a instalação e verificação do taxímetro. Porém, segundo os usuários, desde que foi transferido do Touring para a Quadra 515 Norte, no mês passado, o atendimento ficou deficitário. 

Por dia, são feitos 40 atendimentos, que se mostram insuficientes. Na esperança de ser atendidos, os taxistas madrugam em frente ao prédio, mas as senhas só são distribuídas das 9h às 10h30. E os que conseguem o disputado lugar ainda esperam muito mais tempo. Na última terça-feira (5/2), apenas 16 taxistas haviam sido atendidos até as 12h, quando a unidade foi fechada para o horário de almoço. O atendimento seria retomado às 14h15. O único atendente que estava no local disse que o colega que realiza o trabalho com ele não tem ido por estar de licença.

Nesse dia, Ramos tentou mais uma vez ser atendido, mas voltou para casa, novamente, de mãos vazias. "É muito complicada essa situação, porque perdi toda a semana passada e, pelo jeito, perderei esta. Enquanto estou aqui esperando resolver meu problema, eu deixo de trabalhar e perco dinheiro", contou o profissional, que depende das corridas para sustentar as duas filhas e a esposa, que está desempregada.

Procurada pela reportagem, a Semob informou que já está adotando medidas para regularizar o atendimento e garantiu que todos os taxistas com senha são atendidos no mesmo dia. A pasta afirmou ainda que as autorizações vencidas entre 26 de dezembro de 2018 e 20 de janeiro de 2019 foram prorrogadas até 22 de fevereiro. Dessa forma, apenas os taxistas com algum impedimento legal e que, portanto, não conseguiram atualizar a licença, são passíveis de multa.

Implorando por atendimento

Sanderlei Martins chegou às 7h e, mesmo assim, não conseguiu pegar senha(foto: Erika Manhatys/Esp. CB)
Sanderlei Martins chegou às 7h e, mesmo assim, não conseguiu pegar senha (foto: Erika Manhatys/Esp. CB)
Também taxista, Sanderlei Martins, 41 anos, se mostra revoltado com o tratamento. Mesmo chegando às 7h da manhã, foi o 45º na fila e, portanto, não conseguiu pegar senha. Algo semelhante havia ocorrido na sexta-feira. "Eu vim cedo e nem assim consegui pegar senha. Limitar a 40 pessoas por dia é muito pouco. Muitos taxistas na cidade precisam (renovar a autorização). Além disso, a gente vem pra cá e perde o dia inteiro de trabalho, porque só consegue sair no fim do dia", reclamou.

A demora afeta até outros profissionais como o empresário Wilson Santos, 60 anos. “Eu tenho uma loja de venda e instalação de taxímetros. O serviço deficitário da secretaria acaba prejudicando quem depende dos taxistas. Para ser sincero, eu nunca vi os taxistas serem tão desrespeitados quanto agora, com a mudança na gestão”, opina. 

O lojista, que acompanhava um amigo na última terça, disse que presenciou um dos taxistas implorando para ser atendido. "Quando eles fecharam para almoço, um colega pediu 'pelo amor de Deus' para ser atendido, porque estava sem tomar café da manhã e não tinha dinheiro para almoçar. É desumano, mexe com o emocional das pessoas, e a maioria dos mais velhos já têm problema de saúde", frisa Santos.

*Estagiária sob supervisão de Humberto Rezende

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