Publicidade

Correio Braziliense

Quatro brasilienses vão participar da Assembleia da Juventude, em Nova York

Jovens vão debater questões ligadas às mudanças globais, como o avanço da fome e da desigualdade


postado em 06/02/2019 06:01 / atualizado em 06/02/2019 07:38

Dominick, Tainá, Rebecca e Nathalia querem buscar conhecimento para ajudar a mudar a realidade do país com ações humanistas(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press)
Dominick, Tainá, Rebecca e Nathalia querem buscar conhecimento para ajudar a mudar a realidade do país com ações humanistas (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press)

Vontade de mudar o mundo, debater ideias e lutar por igualdade. Esses são apenas alguns dos objetivos que movem um grupo de jovens do Distrito Federal que representarão o Brasil na Youth Assembly (Assembleia da Juventude), uma conferência em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Sob o tema “Empoderar a juventude para o desenvolvimento global”, pessoas do mundo todo vão dialogar a respeito dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), parte da agenda global de desenvolvimento do milênio.

Mais de 40 brasileiros se preparam para o evento, entre os dias 15 e 17. Nesse grupo  estão Nathália Antunes, 25 anos, Rebecca Ferreira, 24, Dominick Messias, 24, e Tainá Pinheiro, 21. A maioria delas vai pela primeira vez ao evento, mas Rebecca é veterana. Em agosto do ano passado, fez estreia, e gostou tanto que não perdeu tempo em se inscrever novamente. Foi por ela que as amigas ficaram sabendo e se motivaram a participar também.

Formada em relações internacionais, Rebecca conta que a experiência adquirida na edição anterior foi motivação para trabalhar como voluntária dando aulas de português para refugiados. “Ganhei uma visão mais ampla do mundo e pude trazer esse conhecimento para cá. Veio a vontade de fazer algo que pudesse impactar o DF de alguma forma”, explica. “Há uma crença muita errônea sobre o que são direitos humanos. As pessoas tendem a pensar que só servem para defender bandido e não é assim. Humanidade é para todos”, afirma.


Aprendizado


Ela agora quer avançar nos estudos e se prepara para fazer mestrado em cooperação internacional e desenvolvimento. Até agora, conseguiu aprovação de três universidades: uma na Holanda, uma na Nova Zelândia e uma na Itália. Depois de se especializar, quer voltar ao Brasil e aplicar o que aprendeu. “Não adianta querer um mundo diferente sem fazer nada”. Na edição anterior, participaram mais de 900 jovens de 16 a 28 anos, de mais de 100 países. Para este ano, o número deve se repetir e o evento acontece na Universidade de Nova York (NYU).

Formada no mesmo curso, e hoje também estudando direito, Dominick afirma que os brasileiros são dos mais orgulhosos em fazer parte da assembleia. Há cerca de um ano, ela faz trabalho voluntário junto ao grupo Faça uma criança feliz, que trabalha com público carente do Distrito Federal e do Entorno. “Tenho muita vontade de criar um programa voluntário ou até mesmo uma ONG para que crianças e jovens possam se envolver com direitos humanos e igualdade de gênero. Se você quer mudar o mundo, é preciso ser a mudança”, ensina.


Novas ideias


Cada uma das garotas escolheu um dos 17 ODS que pretende debater mais a fundo. No caso de Tainá, saúde e bem-estar é a principal bandeira. Estudante de biomedicina, ela espera falar sobre o modelo do Sistema Único de Saúde (SUS) e trazer novas ideias. “Apesar de aqui estar longe de ser perfeito, temos um sistema público, o que não existe na maioria dos países. Isso a gente leva como novidade, mas espero trazer iniciativas para atender, principalmente, pessoas em situação de rua”.

Há cerca de um ano, ela e Nathália fazem trabalho voluntário com moradores de rua, sobretudo próximo a hospitais. “Nós conversamos com eles, rezamos e distribuímos comida. É um atendimento humano, mas quero buscar ideias de como fazer também um atendimento de saúde”, planeja. Dentro do pequeno grupo, ela é a única com uma graduação diferente, mas sabe que vai encontrar pessoas de várias áreas na assembleia. “Irão médicos, engenheiros, administradores. Tem muita gente e vai ser ótimo, porque todo mundo contribuirá de uma forma especial”.

Empregos


Nathália também espera focar o trabalho dela para a população de rua, mas escolheu a erradicação da pobreza como tema principal. “Quero muito poder, com o meu trabalho, oferecer a essas pessoas uma vida com mais dignidade, pensando inclusive na geração de empregos sustentáveis e em como isso pode beneficiar nosso país e a economia”.

Dominick em breve será advogada e espera abordar o tema “Paz, justiça e instituições eficazes”. Segundo ela, o objetivo é dar voz a quem é esquecido. “É preciso falar sobre desigualdade e direitos humanos, lembrando que ninguém pode ser esquecido. Aqui, por exemplo, vemos que quem mora no Entorno nem sempre tem voz e não consegue o acesso à Justiça. Nosso país é acolhedor. Se a gente recebe bem quem vem de fora, também precisamos abraçar quem é daqui”, pondera.

A igualdade de gênero será abordada por Rebecca nas rodas de discussão. “Estatisticamente, mais mulheres chegam ao ensino superior, mas no mercado, são os homens que ainda dominam as posições de alta hierarquia. Fora isso, sofremos abuso de todo tipo e vemos cada vez maiores as taxas de feminicídio. A ideia é mudar isso para que todo mundo chegue junto e tenha as mesmas oportunidades”, destaca.


Saiba mais   


Desafios

Esta é a 23ª edição da Youth Assembly, organizada pela Friendship Ambassadors Foundation (Fundação de Embaixadores da Amizade), em parceria com a ONU. Durante os três dias de conferência, jovens do mundo inteiro discutem desafios globais e fazem propostas a problemas variados. Entre os objetivos do programa está o empoderamento da juventude através da educação, liderança, desenvolvimento e programas de intercâmbio cultural.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade