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Correio Braziliense

GDF bloqueia 27,7 mil cartões por suspeita de fraude na bilhetagem

Prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 100 milhões. Segundo levantamento do DFTRans, as irregularidades envolvem usuários comuns, de vale-transporte e idosos


postado em 06/02/2019 06:05 / atualizado em 06/02/2019 07:58

Sindicância identificou que o cartão de um usuário do sistema realizou 67 embarques em um só dia(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Sindicância identificou que o cartão de um usuário do sistema realizou 67 embarques em um só dia (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Nem mesmo a realização das operações Trickster e Checklist, que levaram à prisão de responsáveis por fraudes no transporte, coibiram irregularidades no sistema. A nova gestão do DFTrans identificou indícios do mau uso de cartões de usuários do transporte, o que pode ter causado prejuízos de R$ 100 milhões. O governo vai bloquear 27,7 mil cartões a partir de hoje para contornar o problema. O DFTrans enviará as informações à Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública da Polícia Civil do DF, que investiga desvios de recursos no setor.

Quem tiver o cartão bloqueado poderá regularizar a situação e comprovar que não houve fraude ou má-fé na utilização dos bilhetes. O problema envolve usuários de vale-transporte, de beneficiários do cartão de idoso, funcionários de empresas transportadoras e usuários comuns. "Identificamos, por exemplo, um cartão de idoso utilizado 63 vezes em um único dia. Há também o caso de um funcionário de empresa transportadora que realizou 53 embarques", revela Públio Cavalcante, diretor de Tecnologia da Informação do DFTrans. "Se todas essas fraudes forem confirmadas, o prejuízo pode alcançar R$ 8,5 milhões por mês", acrescenta o diretor. A situação mais gritante, entretanto, foi a de um usuário que realizou 67 embarques em um só dia.

Os cartões com suspeitas de fraude correspondem a 7,5% do total de embarques no sistema de transporte público do Distrito Federal. A suspeita do DFTrans é de que esses usuários tenham vendido as passagens no momento da integração. Mesmo nos casos em que o patrão paga pelo vale-transporte, o governo subsidia a integração, e a fraude gera prejuízo aos cofres públicos.

Melhorias

Para evitar as recorrentes fraudes na bilhetagem, Públio Cavalcante afirma que o objetivo do governo é melhorar o sistema. “Se for preciso, vamos fazer propostas ao governador para mudar a legislação. A nossa ideia é desburocratizar e melhorar o sistema o máximo possível para o cidadão. O usuário não pode pagar o preço dessas fraudes”, explica o diretor de Tecnologia da Informação do DFTrans

Hoje, os cartões de passe livre estudantil e de deficientes preveem bloqueio quando usados em quantidade acima do previsto no cadastro. A ideia é ampliar esse mecanismo para o vale-transporte, o benefício do idoso e também os usuários comuns. “Vamos analisar os bancos de dados para definir as médias de uso”, reforça Públio.

Os usuários que tiverem o cartão bloqueado receberão uma notificação por e-mail e terão a oportunidade de justificar a necessidade de uso em quantidades acima do normal. O prazo para a comprovação dos dados é de 48 horas. Se as justificativas forem confirmadas e válidas, os cartões serão liberados. Quem tiver o cartão bloqueado e quiser justificar o uso acima do normal deve enviar mensagem para o endereço eletrônico cadastro@dftrans.df.gov.br e informar nome, CPF, número do cartão e a justificativa. Todos os casos serão analisados.



Desdobramentos


A Operação Checklist, realizada em 2017, gerou uma denúncia contra cinco envolvidos em um suposto esquema de cobrança de propina para a liberação de veículos de transporte rural com irregularidades. A Operação Trickster, deflagrada em 2018 como desdobramento da primeira investigação, identificou um esquema de fraude na bilhetagem eletrônica. A irregularidade causou um rombo de quase R$ 1 bilhão. O esquema envolvia servidores da Secretaria de Mobilidade.

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