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Correio Braziliense

Mulher sofre importunação sexual em avião e denuncia companhia aérea

Segundo Salia Miranda, 31 anos, a tripulação da Gol deveria ter solicitado à Polícia Federal a entrada de agentes assim que o avião aterrissasse. "E agora? Onde o homem está?", pergunta


postado em 06/02/2019 22:05

Salia Miranda, 31 anos, relata o momento em que sofreu o assédio em sua página do Facebook:
Salia Miranda, 31 anos, relata o momento em que sofreu o assédio em sua página do Facebook: "merecemos respeito" (foto: Reprodução/Acervo Pessoal)
Uma moradora do Distrito Federal conta ter sido vítima de importunação sexual em um voo do aeroporto de Congonhas ao Aeroporto Internacional de Brasília. A gestora de negócios Salia Miranda, 31 anos, voltava de uma viagem a trabalho no último domingo (3/2) quando, dormindo, sentiu a mão de um senhor de 57 anos sobre o corpo. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Salia havia escolhido a última poltrona próxima à janela disponível durante o check-in. O assento 15F de um voo da Gol, que partiria de Congonhas às 17h rumo à capital federal, era do programa + Conforto, entretanto, abrigou a Salia em sua viagem mais constrangedora. "Assim que sentei, cansada como estava, fui logo dormir. Não acontecia nada de diferente do que estamos acostumados em um voo. Só fui acordar quando senti, pela primeira vez, algo me encostando na altura da costela", conta.

Ela achava que era o cinto que havia acertado-a, em um primeiro momento. Logo voltou a dormir. Foi quando ela sentiu o toque novamente. 

"Senti a mão fria do homem em mim. Estava usando uma camisa que mostra um pouco da barriga. E foi bem lá que ele me segurou. Fiquei desesperada, sem saber exatamente o que estava acontecendo", relata.

Salia ficou alguns minutos parada na poltrona, em estado de choque. "Ele continuou tentando encostar em mim, fiquei desesperada", comenta.

Foi neste momento que ela se levantou e foi em direção ao banheiro, numa tentativa de fugir do agressor, que estava acomodado no banco detrás do dela. "Ele estava sentado na beirada da poltrona. Vi que ele tinha cabelos brancos e estava com um casaco entre as pernas. A outra mão dele parecia estar dentro da calça", rememora.

Vítima denuncia companhia


No fundo da aeronave, Salia contou todo o caso a duas aeromoças. "Uma das tripulantes chegou a passar pelo homem e disse que ele parecia estar se masturbando, escondendo o ato embaixo do casaco", disse.

A vítima solicitou que a tripulação trocasse o assento para que ela mantivesse distância do homem. A poltrona indicada foi uma das mais próximas da porta, para que ela fosse uma das primeiras a sair do avião. Além disso, a companhia ofereceu uma pessoa a ir com ela até o posto da Polícia Federal no terminal brasiliense.

"Isso que eles fizeram foi errado. O procedimento correto seria ligar para policiais federais que estão em solo para eles irem à aeronave assim que as portas forem abertas. E agora? Onde o homem está?", pergunta Salia.

Chegando no aeroporto de Brasília, Salia foi com o marido Leandro Abrantes, 34 anos, a filha, 9, e uma sobrinha à Polícia Federal. Acompanhando a família estava um funcionário da Gol.

A Gol Linhas Aéreas conta, em nota, que repudia qualquer manifestação que cause constrangimento a seus clientes, "como o de assédio relatado pela passageira". 

"A companhia informa que a tripulação prontamente prestou assistência à Cliente, oferendo suporte durante o voo e, logo após o desembarque, levando a mesma até a Polícia Federal. A companhia está acompanhando o caso e permanece à disposição para contribuir com o esclarecimento do ocorrido", acrescenta.

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