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Correio Braziliense

GDF procura investidores para construção de parque temático em Sobradinho

A informação inicial de que o empreendimento seria um parque da Disney foi negada pela companhia norte-americana.


postado em 07/02/2019 06:00 / atualizado em 06/02/2019 22:55

(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
O Governo do Distrito Federal continua à procura de investidores e empresas para a construção de um grande parque temático em Sobradinho. Uma área de 800 hectares está reservada para o projeto, que contaria também com hotéis e restaurantes e traria desenvolvimento para a região. As negociações, segundo o GDF, seguem em andamento e não há definição de qual empresa será responsável pela implantação, caso a proposta seja realmente concretizada.

A informação inicial de que o empreendimento seria um parque da Disney foi negada pela companhia norte-americana. Em comunicado enviado na noite de quarta-feira ao Correio, a gigante do entretenimento informou que não há planos de construção de parques no Brasil, “embora o país tenha mercado atrativo”.

As negociações com empresas internacionais continuam, segundo integrantes do governo ligados a projetos especiais. Hoje, haverá uma reunião com investidores para apresentação do projeto, ainda em estágio muito inicial. Entre os participantes, está Alain Baldacci, do grupo Wet’n’wild. A ideia é convencer grandes empreendedores a aproveitar a estrutura que Brasília pretende oferecer.

Além de ceder o espaço de 800 hectares, o governo promoveria melhorias na infraestrutura da região, para melhorar, por exemplo, o acesso a Sobradinho. O aeroporto da capital, com potencial para esse tipo de utilização, precisaria ganhar ligação mais rápida e fácil ao local em que o empreendimento seria construído.

Lorrane diz que um parque desse padrão seria a realização de sonho(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
Lorrane diz que um parque desse padrão seria a realização de sonho (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)

Estímulo

O GDF pretende, com a iniciativa, aquecer a economia local. Com um empreendimento desse tipo, a intenção é que setores como o comércio e a hotelaria recebam estímulo, com a consequente geração de empregos para a capital federal. Presidente da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), Fernando Brites vê o projeto como um possível motor para toda a economia local. “O DF precisa criar algum ponto de atração para trazer turismo de fora para cá. É uma vergonha sermos capital do país e não termos aqui um bom número de visitantes”, opina.

Na visão dele, o turismo é um dos melhores setores para receber investimentos atualmente. “Ele tem um fator que nenhum outro ramo de atividade tem: a importância de mexer com a cadeia produtiva. O turismo movimenta o taxista, o restaurante, o bar, o hotel, ele movimenta tudo”, avalia. Brites lembra do desenvolvimento promovido pela criação do primeiro parque da Disney em Orlando. “Na Flórida, existia uma região lá com uma terra que ninguém queria. De repente Walt Disney resolveu instalar ali um parque de diversões e Orlando passou a receber um volume de turismo monumental em função de uma iniciativa, de um parque próximo ao que se tenta fazer aqui.”

Atração

O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF), Helder Carneiro, ressalta que o fato de a Disney ter negado interesse no empreendimento não deve ser motivo de desânimo no projeto. “De uma forma ou de outra, eu acho que o GDF não deve esmorecer e desistir de trazer uma atração dessas para a cidade. Qualquer que seja a grande atração que puder vir, será excelente para o turismo e para a economia”, avalia.

Ele destaca ainda que a localização geográfica da capital facilitaria muito um empreendimento desse tipo. “Brasília tem vocação para isso, porque nós estamos no centro do país. As passagens até aqui teriam custo menor do que um parque desses no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Temos equidistância com as capitais e temos um grande HUB aéreo (plataforma de voos). Tudo isso reduziria os preços para pacotes de viagem”, acredita.

A opinião dos dois é compartilhada por comerciantes da região próxima à área destinada ao parque ouvidos pelo Correio. Para o gerente de um pequeno hotel de Sobradinho Marcelo Rezende, 48 anos, a efetivação da ideia seria um divisor de águas. “A cidade estaria sempre lotada, o consumo se intensificaria de forma descomunal”, acredita ele, que trabalha no estabelecimento há 40 anos.

Tareic Nidale, 20, é operador de caixa de uma loja em Sobradinho. O jovem acredita que a atração refletiria muito positivamente no comércio da região. “Mudaria tudo por aqui. Traria muitas pessoas e aumentaria imensamente as demandas. Seriam construídos mais hotéis e restaurantes para os turistas, o que geraria mais emprego, dinheiro”, detalha.
 

Piscina de ondas


Brasília pode ganhar um parque voltado para a prática de surfe. Segundo o site da empresa Global Wave Parks, há um estudo em andamento para a construção de uma piscina com ondas e praia, num complexo com bares, restaurantes, lojas e eventos.
 

Empolgação  

 
Montanhas-russas radicais, personagens queridos, brinquedos inovadores. A dona de casa Ivonete Souza, 34 anos, sempre imaginou como seria conhecer um grande parque temático. Mãe de quatro crianças, a moradora de Sobradinho conta que o desejo nunca chegou perto de se concretizar. “Essas coisas são caras demais, né? O dinheirão gasto em uma viagem para um país com esse tipo de coisa é fora da realidade”, constata. Agora, ela quase se permite sonhar em como seria concretizar o desejo. “Seria mágico se tivesse um parque tão perto assim. A criançada, então, ia se acabar. O sonho ficaria mais perto, literalmente”, comenta, com um sorriso no rosto.

A maquiadora Kátia Ribeiro, 25, é mãe do pequeno Luiz Fernando, 4, e de Augusto, que tem 8 meses de vida. Moradora de Sobradinho há mais de oito anos, a brasiliense acredita que a implantação de uma unidade de diversão como essa só teria a acrescentar para o país. A irmã de Kátia, Cássia Ribeiro, 26, também vê pontos positivos na possibilidade, porém acredita que é preciso fazer um projeto consciente com boa infraestrutura. “Tem que melhorar muita coisa na cidade. Falta de estacionamento mesmo é um problema que a gente enfrenta diariamente, mas tem vários outros que precisam de solução antes de um projeto assim sair do papel”, ressalva.

Estrutura

Mãe das duas moças, a cabeleireira Rosilene Ribeiro, 47, ficou mais do que empolgada com a eventual instalação de um parque temático da estrutura de gigantes como muitos fora do Brasil. “Eu tenho cinco netinhos, então ia ser uma festa. E não só para as crianças, tem muito adulto que sempre quis ir num lugar assim. Seria bem mais acessível”. Para ela, que mora em Sobradinho desde que nasceu, faltam opções de entretenimento nas regiões administrativas. “Seria maravilhoso, ainda mais porque quase não temos diversão por aqui, sempre temos que ir lá para o Plano Piloto para fazer algo diferente”, diz.
 
A estudante de pedagogia Lorrane Caroline Borges, 26, compartilha a curiosidade de muitos brasileiros de conhecer os tradicionais parques temáticos espalhados pelo mundo. Os altos custos da viagem, porém, sempre impossibilitaram a ida ao exterior. “Estou torcendo bastante que vire realidade um grande parque aqui, mas é difícil até de imaginar”.

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