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Correio Braziliense

MPE pede cassação do distrital José Gomes por abuso de poder econômico

Segundo a denúncia, o deputado teria exigido o voto dos funcionários de sua empresa, sob pena de perderem o emprego


postado em 13/02/2019 23:34

Distrital José Gomes (PSB) foi eleito com mais de 16 mil votos(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Distrital José Gomes (PSB) foi eleito com mais de 16 mil votos (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a cassação do mandato do deputado distrital José Gomes (PSB) à Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico. Segundo a denúncia, o socialista teria exigido que os 10 mil funcionários de sua empresa, a Real JG, votassem nele para o cargo de deputado distrital nas últimas eleições sob a ameaça de demissão.

O MPE entende que “há comprovação robusta e contundente da concretização de ações que denotam emprego nocivo de recursos patrimoniais geridos ou controlados por agente com a finalidade de afetar a legitimidade e a normalidade do pleito em benefício do candidato”.

No Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), o caso caiu nas mãos do desembargador eleitoral Waldir Leôncio Junior. Ele terá de analisar as 37 páginas da denúncia do MPE, assinada pelo procurador Regional Eleitoral José Jairo Gomes.

Em nota, a assessoria de José Gomes negou as acusações. "O Deputado Distrital José Gomes acredita na atuação do Poder Judiciário Eleitoral, bem como reitera sua completa e absoluta inocência quanto aos fatos veiculados nos autos. A Justiça prevalecerá e confirmará todos os argumentos destacados na defesa do deputado".
 
José Gomes foi eleito em 2018 com 16.537 votos. 

Voto pelo emprego


Segundo o MPE, os empregados da empresa Real JG foram submetidos "a odioso processo de assédio e coação para manifestarem seu apoio político em favor daquela candidatura e trabalharem por sua eleição, sob pena de virem a sofrer prejuízos em suas relações de emprego".

Entretanto, por vezes, o tom do discurso teria sido amenizado, quando os funcionários teriam sido convocados a "vestirem a camisa", a "abraçar essa causa juntos e acreditar em uma mudança que possa beneficiar a todos".

O MPE ainda cita e apresenta a transcrição de dois áudios, gravados durante reunião entre Douglas Laet, gerente operacional da empresa, e funcionários. Douglas teria afirmado aos trabalhadores que seria possível descobrir quem não votou em José Gomes.

"Então, só para deixar claro, eu já tenho o título de eleitor de vocês, sei a zona onde vão votar e sei quem vai trair e quem não vai trair a Real, o senhor José Gomes. Sei quem vai dar tapinha nas costas, e sei quem no dia não vai estar, porque se naquela zona tinha que votar dez e votou só nove, alguém ficou de fora, alguém que está com a gente", teria dito Douglas em reunião com funcionários da empresa, segundo a transcrição feita pelo MPE.

Douglas Laet afirmou ao MPE que a voz da gravação é dele, mas duvidou da transição do conteúdo. 

"Em que pese a negativa de coação e 'ameaça', a fala do ex-gerente da empresa Real JG, Douglas Ferreira Laet, ressoou entre seus empregados, de sorte que todos entenderam que a manutenção de seus postos de trabalho condicionava-se a especial envolvimento com a campanha eleitoral de José Gomes Ferreira Filho", afirma o promotor José Jairo Gomes.

No documento encaminhado à Justiça Eleitoral, funcionários contam ter sido demitidos por negar o voto a José Gomes. Eles afirmam que foram indicados ao emprego pelo candidato eleito Roosevelt Vilela (PSB).

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