Cidades

Militares celebram, em Brasília, 74 anos da Batalha de Monte Castelo

Solenidade realizada no Batalhão da Polícia do Exército lembrou aquele que é considerado um dos maiores feitos das Forças Armadas brasileiras

Augusto Fernandes
postado em 22/02/2019 06:00
Veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB), o coronel Nestor da Silva (à direita) recebeu honras militares, na solenidade de ontem
;Guarnecendo os destinos da Pátria/Sem fraqueza, com força e vigor;. Sob os versos da canção do Comando Militar do Planalto, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi homenageada ontem pelos 74 anos daquele que é considerado um dos maiores feitos das Forças Armadas do Brasil na Segunda Guerra Mundial: a tomada de Monte Castelo, na Itália. Realizada no Batalhão da Polícia do Exército, no Setor Militar Urbano, a solenidade lembrou os atos heroicos dos cerca de 25 mil militares que participaram ativamente das batalhas contra o Exército Alemão.

Um dos homenageados era o coronel Nestor da Silva, 101 anos, único veterano da FEB presente na solenidade. ;Não há um dia em que eu não pense ou sonhe com a guerra. Sinto-me honrado de ter participado daquele momento e de ser uma das memórias vivas de uma conquista única para o Brasil. Guardarei as recordações para sempre;, comentou.

À época, o então segundo-sargento e o restante da tropa brasileira precisaram de quatro tentativas para derrubar as forças nazifascistas (leia Memória). Nestor da Silva sofreu com o rigoroso inverno europeu, marcado por nevascas e frio intenso, teve de se esconder em buracos cavados entre rochas para sobreviver às investidas alemãs e viu muitos companheiros morreram. Mesmo assim, após três meses de confronto, ele e os companheiros brasileiros saíram vitoriosos em 21 de fevereiro de 1945.

;A tomada de Monte Castelo não aconteceu em apenas um dia. Foi difícil, pois o Exército Alemão tinha um comando melhor. Mesmo assim, atacamos de frente e conseguimos a primeira conquista brasileira no teatro de operações na Itália;, recordou-se. ;Foi um grande exemplo que a FEB deu ao Brasil e, principalmente, à mocidade brasileira. Feliz é a pátria que nos momentos difíceis possui filhos prontos para defendê-la e honrá-la. Seja na paz, seja na guerra;, completou Nestor da Silva.

Desfile

Na comemoração de ontem, feita no Pátio Marechal Zenóbio da Costa ; comandante da Infantaria da FEB em operações da Segunda Guerra Mundial ;, grupamentos das Forças Armadas compareceram em peso. Militares de tropas, como a do Regimento dos Dragões da Independência e a do Batalhão da Guarda Presidencial desfilaram a pé, em viaturas e a cavalo em continência ao coronel Nestor da Silva e entoaram cantos para saudar os soldados que participaram da guerra.

Durante a cerimônia, também foi respeitado o toque de silêncio em memória dos militares mortos nos conflitos em terras europeias e também dos que retornaram ao país, continuaram servindo ao Brasil, mas já se foram. ;Em Monte Castelo, como em outras vitórias da FEB, nossos heróis honraram os exemplos dos bravos de Guararapes, das lutas pela independência e das guerras travadas no cone sul do continente. A campanha da Itália somou inúmeros exemplos de bravura, dedicação, amor à pátria e sentimentos fraternos aos valores cultivados pelos homens e mulheres do Exército de Caxias;, frisou o comandante militar do Planalto, general de Divisão Sérgio da Costa.

Como parte da celebração, o coronel Nestor da Silva desfilou às tropas em um carro e foi reverenciado com uma salva de palmas. Para ele, é sempre uma grande emoção ser saudado pelos seus esforços durante a batalha contra os alemães. ;É como se fosse uma injeção de ânimo para eu continuar vivendo. Mesmo velho, ainda tenho a oportunidade de relembrar esta vitória e ver que o povo brasileiro ainda valoriza a FEB;, comemorou.

Apesar das memórias de dias difíceis, que refletem no seu semblante sério e rígido, o coronel conserva um grande sentimento de gratidão de quem já viveu mais de um século. ;Vinte e cinco homens saíram de Brasília para representar a nação naquela guerra, e apenas dois seguem vivos. Um deles continua andando e falando como se o tempo não tivesse passado. E esse alguém sou eu;, brincou.

Memória

A batalha de Monte Castelo aconteceu no fim da Segunda Guerra Mundial. De um lado, as forças do Exército Alemão. Do outro, as tropas do Brasil e dos EUA. A intenção dos aliados era tomar a cidade de Bolonha e conter os avanços alemães em direção à França, além de obter a vitória definitiva na Frente Italiana. Para que as tropas pudessem alcançar a cidade, era preciso romper a Linha Gótica: um complexo defensivo dos alemães, formado por fortificações nos Montes Apeninos, onde se encontra Monte Castelo. A batalha arrastou-se por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945, quando, após 12 horas de combate, a Bandeira do Brasil foi hasteada no ponto mais alto da região montanhosa, com a rendição dos alemães.
Soldados da infantaria da FEB operando morteiro nos Montes Apeninos

Desfile da FEB antes do embarque para a guerra na Europa

Soldados brasileiros socorrem companheiro ferido em batalha na Itália

Grupo de enfermeiras da FEB na chegada ao Porto de Livorno, na Itália

"A tomada de Monte Castelo não aconteceu em apenas um dia. Foi difícil, pois o Exército Alemão tinha um comando melhor. Mesmo assim, atacamos de frente e conseguimos a primeira conquista brasileira no teatro de operações na Itália"
Coronel Nestor da Silva, veterano da Segunda Guerra Mundial

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