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Correio Braziliense

Detran-DF intensificará fiscalização de alcoolemia ao volante no carnaval

Neste carnaval, o Detran terá 120 agentes de trânsito e 40 servidores da diretoria de educação próximos aos blocos. Serão duas blitzes fixas por dia e quatro itinerantes. A multa para quem é pego no bafômetro é de R$ 2.934,70


postado em 02/03/2019 07:00

Bruna e Lara quando bebem ficam longe da direção do carro. Elas sempre recorrem à motorista da vez para evitar o pior(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Bruna e Lara quando bebem ficam longe da direção do carro. Elas sempre recorrem à motorista da vez para evitar o pior (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


“Qual a diferença de uma pessoa que mata a outra com uma arma e de um motorista bêbado que acaba com a vida de um pai de família?” A pergunta pesada que sai da garganta de Peggia Castro, 57 anos, é um grito de dor. Há duas semanas, ela chora a morte do irmão, o ciclista Luiz Deo de Castro, 60 anos, atropelado em 17 de fevereiro por um motorista bêbado na via entre o Recanto das Emas e Samambaia. “Nesse exato momento, pode estar acontecendo a mesma coisa que ocorreu com o meu irmão”, desabafa.

Beber e dirigir é contra a lei. Quem se arrisca pode interromper a própria vida ou marcar, com uma tragédia, a história de outras pessoas. A prática também é uma crime de trânsito e o motorista pode ser até preso (leia O que diz a lei). Mas, no carnaval, a folia se mistura com excessos, apesar das intensas campanhas educativas. No feriado do ano passado e de 2017, equipes de fiscalização de trânsito multaram quase a mesma quantidade de condutores por embriaguez ao volante: 727, em 2018, e 728, em 2017. Uma média de 121 autuações por dia de festa.

Para evitar tragédias durante a folia do Rei Momo, equipes do Departamento de Trânsito (Detran) estarão próximas a 58 blocos de carnaval espalhados pela cidade. As operações começaram ontem, com atuação de 120 agentes de trânsito e 40 servidores da diretoria de educação. Os trabalhos serão tanto na área de fiscalização quanto em ações educativas com distribuição de panfletos que informam sobre os riscos da bebida alcoólica combinada com o volante e informativos sobre as regras.

Agente de trânsito, assessor especial do Detran e porta-voz do órgão, Glauber Peixoto informou que haverá duas blitzes fixas por dia de carnaval e quatro itinerantes. Nesta última, um grupo de agentes dentro de quatro viaturas aborda motoristas suspeitos de embriaguez ao volante. “A educação entra na parte inicial do bloco, com intuito de prevenir e conscientizar, e as equipes de fiscalização atuarão na abordagem dos condutores, como ação repressiva, para evitar acidentes de trânsito”, explica.

Ele lembrou que beber e dirigir diminui o reflexo do motorista, prejudica a visão periférica, além de fazer com que o condutor perca o senso crítico e parte da coordenação motora. “No dia a dia da fiscalização percebemos que, dependendo da velocidade da via, 1 ou 2 segundos de resposta faz com que você perca de 20 a 30 metros (de frenagem) que podem ser fatais”, destacou.


Mortes no trânsito


Para aproveitar a festa, se divertir e voltar para casa em segurança, a consultora empresarial Bruna Lunardi 26 anos, e a mestranda em biologia Lara Oberdá, 25 anos, sempre organizam o esquema de “motorista da vez” com um grupo de sete amigas. Elas fazem revezamento. “Quem dirigiu da última vez, não repete no outro fim de semana e todas as outras meninas pagam energético, água e refrigerante para a amiga da vez”, explica Bruna.

Em 2018, 61 pessoas morreram bêbadas no trânsito do Distrito Federal. Em 2017, foram 75 óbitos. Mas a quantidade de tragédias é muito maior, porque não entram nas estatísticas as vítimas de motoristas bêbados. Só são calculadas as mortes de quem estava com alguma quantidade de álcool no sangue, mas do contrário não.

Significa que a tragédia com o irmão de Peggia não será considerada para efeito de análise em 2019. Luiz foi atropelado no fim de um domingo, quando voltava para casa, em Samambaia, após ter almoçado com os filhos e os netos no Riacho Fundo. Ele estava de bicicleta quando um motorista bêbado o atingiu na DF-001, entre o Recanto das Emas e Samambaia. O teste do bafômetro indicou 0,21 mg/L. Mesmo assim, o condutor está em liberdade.

A vítima morreu na hora. “Que lei é essa, que a pessoa mata outra no trânsito, vai para a delegacia, presta esclarecimento e sai pela porta da frente? Quem mata uma pessoa no trânsito não perde nada. Mas, quem morre, não está mais aqui”, lamenta Peggia. Luiz deixou sete filhos, 13 netos, a mulher e uma enteada. “As pessoas precisam ter consciência para, quando beber, não dirigir. Chama um amigo, vai embora de carona, por aplicativo, dorme no carro, mas não assuma um ato de irresponsabilidade que tira a vida de inocentes”, aconselha a corretora de imóveis.


Infrações


Em janeiro deste ano, órgãos de fiscalização multaram 1.505 motoristas bêbados ao volante: 376 notificações por semana. No mesmo mês de 2018, agentes registraram 1.755 autuações. Em todo o ano passado, foram 21.585 flagrantes. Um deles, do assistente administrativo Lucas de Oliveira, 24 anos. Em outubro, ele voltava para casa, em Vicente Pires, depois de aproveitar uma festa no Setor de Clubes Sul, quando foi parado em uma blitz na altura da Catedral Rainha da Paz, no Eixo Monumental. O jovem se recusou a fazer o bafômetro, mas, mesmo assim, recebeu multa por apresentar sinais de embriaguez.

Lucas admitiu que bebeu cerveja e vodka até por volta de 0h30. “Eu achei que estava bem para dirigir, porque voltei para casa só 6h. Estava com dois amigos, uma menina e um colega, e os dois estavam muito bêbados. Eu tinha melhor condição, mas hoje tenho noção do risco que eu estava correndo”, admite.

O assistente administrativo pagou a multa de R$  2.934,70 com 40% de desconto, teve a CNH recolhida e responde a um processo que pode suspender-lhe o direito de dirigir. Hoje, quando ele sai para se divertir, opta sempre pelo transporte por aplicativo. “Com o dinheiro da multa dava para andar um ano de Uber. O valor acaba doendo no bolso e o processo gera toda uma dor de cabeça, mas o maior risco foi ameaçar a minha vida e a de outras pessoas. Depois, percebi que não estava tão bem quanto parecia”, destaca.

Peggia com a foto do irmão morto por um motorista bêbado:
Peggia com a foto do irmão morto por um motorista bêbado: "As pessoas precisam ter consciência" (foto: Isa Stacciarini/CB/D.A Press)

Em janeiro deste ano, 1.505 motoristas bêbados ao volante foram multados, 376 notificações por semana

O que diz a lei

A Lei Seca não permite a direção de veículos sob qualquer quantidade de bebida alcoólica ingerida pelo condutor. Os que são flagrados nas blitzes de trânsito podem realizar o teste do etilômetro, popularmente conhecido como bafômetro. Caso o índice seja até 0,34mg/L, o motorista recebe uma infração de trânsito gravíssima. A penalização é sete pontos na carteira nacional de habilitação (CNH), retenção do documento e multa de R$ 2.934,70. Um outro condutor habilitado deve comparecer para guiar o veículo, ou o carro fica retido.

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