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Correio Braziliense

Artigo: 351 dias para planejar


postado em 08/03/2019 06:00

(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
 

A folia em 2019 praticamente chegou ao fim. De hoje a domingo, mais 14 blocos farão a saideira do carnaval no Distrito Federal. As apresentações estão previstas para ocorrer na área central de Brasília, no Cruzeiro, em Taguatinga, em Ceilândia e no Paranoá. Em um ano em que até o presidente da República resolveu, em um tuíte pornográfico, comentar e compartilhar um vídeo da mais tradicional festa popular do país, é hora de pensar e planejar como melhorar a organização para dar mais segurança ao folião em 2020.


De acordo com o Governo do Distrito Federal, 1 milhão de pessoas curtiram o carnaval oficial da capital federal, sem dúvida o mais chuvoso desde que os bloquinhos se tornaram a maior opção de lazer. E o ponto que mais causava preocupação nos foliões (e nos pais deles, principalmente no caso dos adolescentes) era a violência da festa. Brigas e casos de pessoas esfaqueadas voltaram a ocorrer em quantidade assustadora. Até um machado bem afiado chegou a ser apreendido.

A violência, inclusive, é apontada por muitos como a principal justificativa para o corte de gastos públicos com a folia. Discordo totalmente. Há despesas do poder público que não dão retorno financeiro, mas cumprem um papel social importante. É o caso do financiamento do carnaval de rua. O artigo 23 da Constituição estabelece, em um dos seus incisos, que é competência da União, dos estados e dos municípios proporcionar meios de acesso à cultura. O carnaval encaixa-se bem nessa situação, pois além de ser um momento de expressão popular — tradicionalmente de oposição, com críticas aos governantes — leva lazer e entretenimento à população.

Para o ano que vem, o governador Ibaneis Rocha anunciou a retomada dos desfiles das escolas de samba do Distrito Federal, interrompidos desde 2014. A ideia do Palácio do Buriti é promover as apresentações — em lugar ainda a ser definido — com recursos das leis Rouanet e de Incentivo à Cultura do DF, além de parcerias com a iniciativa privada. Quem viu a festa que os integrantes da Aruc fizeram pelas ruas no Cruzeiro Velho no fim da tarde chuvosa de terça-feira percebeu a falta que a escola azul e branca faz.

Um intervalo de 351 dias nos separa do próximo sábado de carnaval. Aparentemente, é muito tempo, mas não é o caso quando se trata de política governamental. Que tal depois de uma semana para avaliar erros e acertos começar a sentar com os organizadores dos blocos e forças de segurança para discutir a folia em 2020? É possível cercar as áreas para facilitar o policiamento com uso de drones e vistoria dos foliões? O autódromo poderia ser utilizado pelos maiores blocos, como Babydoll de Nylon, Baratona e Raparigueiros? São perguntas aparentemente simples, mas que, com um pouco de criatividade e parcerias com empresários, as respostas poderão ser ainda melhores em benefícios para a população.

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