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Correio Braziliense

Mulher de 35 anos morre após procedimento de lipoescultura na Asa Sul

Moradora do Gama, dona de casa de 35 anos sofreu uma parada cardíaca logo após uma cirurgia, no Hospital da Plástica de Brasília, na Asa Sul, que não tem UTI. Caso é investigado pela Polícia Civil, que aguarda laudo cadavérico


postado em 08/03/2019 21:45 / atualizado em 09/03/2019 10:38

(foto: Facebook/Reprodução)
(foto: Facebook/Reprodução)
A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 35 anos após uma cirurgia de lipoescultura e abdominoplastia em uma clínica da Asa Sul. Fabiana Vieira dos Reis Bezerra fez a operação na segunda-feira de carnaval (4/3) com um cirurgião-plástico e um anestesista. Mas, uma hora e meia depois, a paciente teve uma parada cardíaca e morreu na unidade de saúde.

Fabiana entrou no centro cirúrgico do Hospital da Plástica de Brasília, na 616 Sul, às 16h de segunda-feira. O procedimento terminou às 22h. A paciente, então, foi levada à sala de recuperação, mas, minutos depois, começou a apresentar sinais de parada cardíaca e morreu às 23h30. O hospital não tem UTI, porque é uma clínica considerada do "tipo 3" e, segundo a normatização, unidades de saúde com essa referência não precisam de estrutura de UTI.

Um representante da clínica foi à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), por volta de 0h30 de terça-feira (5/3), e registrou boletim de ocorrência. Em depoimento, ele disse que, quando Fabiana começou a ter parada cardíaca, uma equipe médica verificou o pulso dela e constatou a falta de batimento cardíaco. Nesse momento, segundo o dono da clínica, um anestesista e outro profissional de plantão tentaram reanimá-la por cerca de uma hora, sem sucesso.

No entanto, uma amiga que acompanhava Fabiana, disse à polícia que, quando a paciente começou a passar mal, uma enfermeira fez massagem cardíaca nela. Ela também contou ter visto enfermeiras chorando e que a UTI móvel só chegou ao local quase meia hora após a parada cardíaca.

O delegado Gerson Salles, chefe da 1ªDP (Asa Sul), aguarda o resultado do laudo cadavérico e toxicológico do Instituto de Medicina Legal (IML) para saber a causa da morte. Gerson oficiou o Conselho Regional de Medicina (CRM-DF) e a Secretaria de Saúde. "Queremos saber a regularidade da clínica e descobrir os requisitos para a realização de cirurgias desse porte", explicou. O Hospital da Plástica de Brasília funciona na L2 Sul desde 2016 e cede o espaço para médicos realizarem cirurgia.

Segundo a Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde, a clínica tem licença sanitária válida, renovada em fevereiro, com vencimento em 2020. A pasta também informou que o estabelecimento é licenciado para cirurgia plástica tipo 3 e cirurgia ambulatorial, "atividades médico-ambulatoriais, com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos, e clínica com realização de procedimentos cirúrgicos em ambiente não hospitalar." Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, o estabelecimento recebe inspeções de rotina da Vigilância Sanitária. A mais recente ocorreu em outubro.

Venda de lote

Segundo colegas de Fabiana, ela se preparava para fazer a cirurgia há ao menos três anos. A empresária Karine Martins Silva, 46 anos, contou que a amiga pagou aproximadamente R$ 18 mil à vista pela operação, incluindo os custos com a clínica e o trabalho do médico, o cirurgião plástico Eric Yin Vieira Borges.

Karine passou pelo mesmo procedimento de abdominoplastia em dezembro 2017, mas em outro estabelecimento, em Taguatinga. "Na época, ela também queria fazer a cirurgia, mas não deu certo. Agora, ela estava feliz, porque realizaria um sonho", contou Karine.

Outra amiga de Fabiana, que é enfermeira, foi quem indicou Eric à dona de casa. A mulher de 33 anos fez abdominoplastia e mamoplastia com o médico na mesma clínica, em outubro. "Comigo deu tudo certo. Eles explicam que a clínica fornece todo o aparato para suporte de UTI e, se precisar, uma ambulância chega em dois minutos para levar a paciente até um hospital mais próximo. Mas a verdade é que ninguém vai pensando que alguma coisa dessa pode acontecer", lamentou a mulher, que pediu para não ter o nome publicado.

A amiga contou que o marido de Fabiana vendeu um lote para realizar o sonho da mulher. "Quando recebi a notícia, fiquei arrependida e me sentindo culpada, porque fui eu quem indiquei o médico para ela, devido às outras referências que também tive", reforçou a enfermeira. Ela explicou que, após a morte de Fabiana, conversou com o cirurgião-geral e ele contou que, antes de sair da mesa de cirurgia para a maca, a paciente conversou com a equipe e disse se sentir bem. "Quero acreditar que ocorreu uma fatalidade", completou a amiga da vítima.

Fabiana morava em um condomínio na Ponte Alta Norte do Gama com o marido e os filhos, um menino de 14 anos e uma menina de 6. O Correio esteve na casa da família, mas ninguém quis conceder entrevista.

Lamentos

Por mensagem enviada pelo telefone celular, Eric Yin disse que o posicionamento dele é de pesar e tristeza. Também informou que aguarda o laudo do IML para saber a causa da morte. “Somente após isso poderemos nos posicionar sobre os fatos. Nada mais a declarar”, escreveu o médico.
 
Por meio de nota oficial, o Hospital da Plástica de Brasília lamentou a morte da paciente e afirmou que Fabiana “esteve todo o tempo acompanhada por equipe médica completa”, com o cirurgião responsável pela operação, o anestesista e o médico plantonista. Disse, também, que “a equipe de profissionais não mediu esforços para reverter o quadro da paciente sem, contudo, lograr êxito”. 
 
Por fim, a clínica reforçou que tem todas as autorizações de funcionamento regulares e destacou que, além de prestar assistência aos familiares, também acionou a Vigilância Sanitária, o CRM-DF e a Polícia Civil. 
 
Presidente do CRM-DF, o médico Farid Buitrago Sánchez disse que abriu sindicância ontem para apurar o caso. “Essa sindicância pode gerar um processo ético profissional e ele culmina com o julgamento das pessoas envolvidas. Em tese, quem for considerado culpado pode sofrer as penas previstas em lei que vai da advertência até a cassação do registro, dependendo da gravidade do caso”, esclareceu. 


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