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Correio Braziliense

GDF anuncia ação emergencial para amenizar transtornos em Vicente Pires

Governador anuncia plano urgente para amenizar os transtornos enfrentados pelos moradores da região administrativa. Entre elas, novas licitações e projetos para as obras de infraestrutura, que contribuem para alagamentos


postado em 09/03/2019 07:00 / atualizado em 09/03/2019 10:59

Obras de pavimentação e construção de rede pluvial, que não têm prazo para terminar, deixam as ruas da cidade intransitáveis até para pedestres (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Obras de pavimentação e construção de rede pluvial, que não têm prazo para terminar, deixam as ruas da cidade intransitáveis até para pedestres (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A calamitosa situação de Vicente Pires é conhecida por muitos moradores do Distrito Federal há alguns anos. Com problemas de infraestrutura, principalmente relacionados à pavimentação e à rede pluvial, as obras em várias partes da cidade tornaram ruas inacessíveis. Diante do cenário, o governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou, na cerimônia de lançamento do programa Sou Mais Mulher, ontem, que o Executivo deve tomar medidas urgentes.

“A situação de Vicente Pires é extremamente dramática. Temos ali um erro de projeto muito grande. Estamos estudando decretar uma situação emergencial lá. Tivemos contato com o Tribunal de Contas para fazer novas licitações e novos projetos de forma rápida para salvar a população da cidade que, hoje, vive em situação de calamidade pública”, declarou Ibaneis.

A frase usada pelo governador condiz com a realidade dos habitantes da região administrativa. “Um dia desses, quando teve chuva, aqui ficou inviável”, disse José Barbosa, 62 anos, comerciante e morador da Rua 4 há nove anos. Ele conta que, antes, para fazer o percurso até o trabalho, na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), levava 10 minutos. Hoje, devido às obras, o trajeto dura, no mínimo, uma hora. A rua em frente à casa dele está fechada. Por ela, passam só pedestres. “Não pode ser dessa maneira. Precisava ser programado. Queremos que as obras continuem, mas precisamos do nosso direito de ir e vir”, exigiu José.

A dona de casa Annyelly Vieira, 20, também critica a forma de execução dos trabalhos. “Está tudo bagunçado e precisamos dar voltas enormes para conseguir sair daqui. A medida (do governo) é necessária. A situação tem de ser resolvida com urgência”, comentou. A jovem contou que problemas com enxurradas e defeitos em carros são constantes. “As ruas inundam e alguns bueiros chegaram a transbordar. Veículos de aplicativos de transporte nem querem mais entrar aqui. As obras precisam ser mais rápidas”, reclamou Annyelly.

Contratos


Para o presidente da Associação Comunitária de Vicente Pires (Arvips), Dirsomar Chaves, a decisão do governador é acertada, pois a cidade vive uma situação de “calamidade absoluta”. “Precisamos de socorro por meio de recursos. Se isso acontecer com o decreto de uma situação de emergência, o governo está certíssimo. Nós, como comunidade, temos de apoiar a iniciativa”, comentou. “Se o Estado não entrar, nós, moradores, teremos de fazê-lo, assim como (fizemos) no passado”, acrescentou Dirsomar.

O secretário de Obras e Infraestrutura, Izidio Santos, afirmou que, na segunda-feira, entregará ao governador um relatório referente ao andamento das obras de cada uma das 11 empresas contratadas entre 2010 e 2011 para atuar nas quatro glebas de Vicente Pires (leia Raios-X). Dois dos contratos assinados preocupam a pasta. Em um dos casos, apenas 1% dos trabalhos foi executado; no outro, as obras sequer começaram.

Os motivos, de acordo com Izidio, envolvem a falência de uma das empresas envolvidas e a impossibilidade de oferecer mais recursos a outra companhia. “A cidade, hoje, tem uma ocupação bem diferente de quando os trabalhos começaram. Em alguns casos, não há mais como executar (as obras). As mudanças de projeto geraram aditivos (de verbas) para os contratos”, explicou.

Segundo Izidio, em algumas ruas há quatro empresas responsáveis pelas obras e, diante da impossibilidade de continuação dos trabalhos devido aos problemas mencionados, não é possível dar detalhes sobre como ficará a situação das interdições. “Pegamos as obras de Vicente Pires agora, em andamento, e temos algumas coisas para resolver. Vamos apresentar ao governador o que foi feito, o que falta fazer, os (recursos) aditivados. Diante disso, pode ser que o governador declare estado de emergência, sim”, detalhou o secretário.


Ocupação desordenada


Para tentar resolver os problemas decorrentes do crescimento habitacional sem planejamento em Vicente Pires, a cidade foi dividida em 11 lotes. Em todos, quatro tipos de obras estão em execução: drenagem pluvial, pavimentação asfáltica, instalação de meios-fios e construção de calçadas. As intervenções atendem às demandas da população. No entanto, os moradores enfrentam inúmeros contratempos no dia a dia, pois todas as obras começaram ao mesmo tempo e coincidem com o período de chuvas.

O vice-presidente da Associação Comunitária de Vicente Pires (Arvips), Glênio José da Silva, lembra que os obstáculos das obras decorrem do fato de elas acontecerem em uma cidade já ocupada. “Vicente Pires nasceu de trás para frente. Começou com um processo irregular, sem projeto urbanístico ou licenciamento ambiental, mas a comunidade resolveu boa parte disso. Adaptar a realidade não é fácil em uma cidade que está em construção”, avalia.

Glênio acrescenta que, ao longo do tempo, moradores apresentaram planos urbanísticos. Um deles, inclusive, está sob avaliação na Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). O projeto inclui a abertura de duas vias transversais às ruas horizontais de Vicente Pires e são alternativas de ligação da Estrada Parque Taguatinga à via Estrutural. “As ruas são muito longas. Se houver interdição em alguma por causa de algo grave, a cidade vira um caos. Acredito que precisaremos de mais do que duas. Para abri-las, será necessário cortar alguns condomínios. É um preço que teremos de pagar, mas temos de pensar na cidade”, afirmou Glênio.

"Vicente Pires nasceu de trás para frente. Começou com um processo irregular, sem projeto urbanístico ou licenciamento ambiental”
Glênio José da Silva, vice-presidente da Associação Comunitária de Vicente Pires

 
RAIOS-X

Vicente Pires tem aproximadamente 2,2 mil hectares (equivalentes a 3 mil campos de futebol). Estão em construção 185,6km de drenagem pluvial e 253,4km de pavimentação asfáltica em vias de 7m de largura, além de calçadas e meios-fios ao longo delas. O sistema de drenagem permitirá que água das chuvas seja despejada nos córregos Samambaia e Vicente Pires por meio de 136 lançamentos outorgados pela Adasa.

Fonte: Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal

*Colaborou Walder Galvão

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