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Correio Braziliense

DF registra quase 20 casos de atropelamento de pedestres em 2019

Número de casos semelhantes registrados no ano preocupa o Detran-DF, que afirma estudar melhorias em infraestrutura e investir em conscientização para evitar mais mortes


postado em 12/03/2019 06:00

O ajudante de pedreiro Francisco Moraes de Sales, 60 anos, foi atropelado por moto e dois carros na BR-060: quinta morte na rodovia apenas este ano(foto: PRF/Divulgação)
O ajudante de pedreiro Francisco Moraes de Sales, 60 anos, foi atropelado por moto e dois carros na BR-060: quinta morte na rodovia apenas este ano (foto: PRF/Divulgação)
 
Uma das vias de Brasília com mais acidentes de trânsito fatais neste ano, a BR-060 voltou a ser palco de uma tragédia na manhã de ontem. O ajudante de pedreiro Francisco Moraes de Sales, 60 anos, morreu após ser atropelado por uma moto e dois carros enquanto atravessava um trecho da pista próximo ao posto da Receita Federal, em Samambaia. De acordo com estatísticas do Departamento de Trânsito (Detran-DF), dos 12 acidentes com morte registrados em 2019 nas rodovias federais que cortam o DF, este foi o quinto na BR-060.
 
No momento do acidente, Francisco estava a caminho do trabalho, como explicou o cunhado da vítima, o motorista Clóvis Roberto Nogueira, 53. De segunda a sexta-feira, Francisco passava pela pista. “Ele sabia dos riscos, mas esse era o único jeito de atravessar a rodovia”, lamentou o homem, lembrando o fato de que, no local em que Francisco morreu, não há faixas para a travessia de pedestres ou passarelas. “Fico triste pela situação das pessoas que passam ali. O que aconteceu com o meu cunhado pode se repetir”, alertou.
 
Francisco era casado e tinha um filho. Morava em Santo Antônio do Descoberto (GO) com a família e trabalhava em Samambaia. Até a noite de ontem, o corpo do homem ainda não havia sido liberado do Instituto de Medicina Legal (IML) e o enterro dele não estava agendado. “A dor é enorme. Nós dois sempre estivemos próximos um do outro. Vai ser difícil superar esse sofrimento”, desabafou Clóvis Roberto.
 
Com mais um óbito na BR-060, cresce a preocupação do Detran quanto às condições de segurança para quem transita a pé na via. “Trabalhar com educação é importante para que haja mais respeito nas ruas, mas também devemos melhorar a engenharia do trânsito em pontos críticos da cidade. Nos locais em que há um maior movimento de pessoas, como na BR-060, temos que proporcionar mais conforto aos pedestres”, reconheceu o diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran, Glauber Peixoto.
 
(foto: Editoria de Arte/CB/D.A. Press)
(foto: Editoria de Arte/CB/D.A. Press)
A morte de Francisco foi a 19ª de um pedestre neste ano. Para Glauber, o número é alarmante — a média é de quase um caso a cada quatro dias. “Estamos em uma linha decrescente de mortes se analisarmos os registros dos últimos 10 anos, mas os casos deste ano nos preocupam. Temos que mapear os locais com os maiores índices de acidentes e agir imediatamente, seja com fiscalização ou com alguma obra de melhoria”, analisou.

Preocupação


O caso de ontem deixou o Detran ainda mais alerta por se tratar de um acidente envolvendo um idoso. Dos pedestres que morrem atropelados no Distrito Federal, boa parte tem 60 anos ou mais. “Nesse caso, devemos reforçar ainda mais as ações de educação. No ano passado, fizemos cursos em associações de idosos e outros institutos que lidam com esse público, justamente para mostrar o que é certo e o que é errado. Como é difícil fiscalizar as atitudes dos pedestres, temos de trabalhar mais com a conscientização”, frisou Glauber.
 
Presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito, David Duarte concorda que o idoso deve primar pela própria segurança nas ruas. No entanto, ele deve ter boas condições para se locomover, visto que é a parte mais vulnerável no trânsito. “Não podemos colocar o idoso como principal culpado das tragédias automobilísticas que acontecem no DF. Brasília, de maneira geral, não tem a melhor infraestrutura para o pedestre. Quem anda a pé na cidade não se sente protegido. Se para uma pessoa jovem isso é ruim, para alguém mais velho é ainda pior”, explicou.
 
Na opinião de David, é necessário que os órgãos de fiscalização de trânsito façam estudos aprofundados sobre cada uma das ocorrências de acidentes com morte na capital para encontrar uma estratégia de prevenção. “Temos de ter um diagnóstico preciso antes de estabelecer as medidas necessárias para conter esse tipo de evento. Os órgãos competentes não podem ser negligentes, afinal, eles também têm uma parcela de responsabilidade com o que acontece no trânsito”, afirmou.

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