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Correio Braziliense

Portão aberto facilitou ação de ladrões em condomínio do Park Way

Mulheres e crianças foram trancadas em armário durante assalto a casa no bairro nobre. Condomínio estava aberto por causa de obras. Trio fugiu antes da chegada da polícia


postado em 14/03/2019 10:20

Entrada do condomínio onde ocorreu o crime: trio fugiu com tevês, relógios, joias e outros pertences da família(foto: Vinícius Cardoso / Esp.CB/DA.Press)
Entrada do condomínio onde ocorreu o crime: trio fugiu com tevês, relógios, joias e outros pertences da família (foto: Vinícius Cardoso / Esp.CB/DA.Press)

Três mulheres, uma menina de 10 anos, e um menino, de 2, ficaram uma hora sob poder de assaltantes numa casa na Quadra 5 do Park Way, próximo a Águas Claras. Três ladrões entraram na residência de um condomínio por volta das 10h20 de ontem. Armados cada um com uma faca, anunciaram o assalto e trancaram as funcionárias da residência — a empregada, a babá e uma cuidadora de idosos — no closet, com as crianças, que são irmãs. O trio fugiu em um Hyundai HB 20 preto com cinco televisores, quatro relógios, joias e outros pertences pessoais da família, como bonés e celulares.

Na casa moram 11 pessoas, mas, no momento do crime, só estavam em casa as funcionárias, além da menina e do menino. Durante o assalto, a babá, de 23 anos, conseguiu esconder o celular na roupa e avisar um dos moradores por mensagem. “Eles entraram, subiram as escadas e arrombaram a porta de um dos quartos. Pediam a chave de um carro, perguntavam onde estava o cofre, indagavam por onde chegava até a garagem e diziam que não estavam brincando”, contou a jovem, que pediu para não ter o nome publicado.

Segundo ela, o assalto durou cerca de uma hora. “Eles ameaçavam e falavam para a gente colaborar. Só pensava em proteger as crianças para que ninguém tocasse nelas”, desabafou, em meio às lágrimas. A empregada, de 43 anos, foi a primeira a ver os assaltantes. Um deles usava uma máscara cirúrgica. “Eu estava no banheiro e eles apareceram. Perguntaram se tinha alguém na casa. Quando entendi do que se tratava, saí correndo e eles vieram atrás. Foi uma hora de terror e desespero”, reforçou a funcionária.

Uma das donas da casa chegou após a fuga dos criminosos. Comerciante de 55 anos, ela acredita que os ladrões conheciam a residência. “Eles estudaram (a casa), porque entraram pela porta da área de serviço e até perguntaram pelo idoso cadeirante, um dos moradores. Há 10 dias, fizemos a manutenção das portas e das janelas”, destacou. Ela estava no Plano Piloto quando recebeu a notícia do assalto. “Só pensei nos meus netos e vim correndo. O que eles levaram é o de menos”, ressaltou. Um dos moradores é filho de uma delegada aposentada da Polícia Civil.

Agentes da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) estiveram no endereço, além de integrantes do Instituto de Criminalística e da Polícia Militar. A equipe conseguiu imagens da fuga dos suspeitos por meio de uma câmera instalada em uma das casas. O delegado-chefe da 21ªDP, Luiz Alexandre Gratão, não atendeu nem retornou as ligações da reportagem.

Portão aberto

Há oito casas no condomínio, mas três estão desocupadas. A guarita passou por reforma e ficou pronta no fim do ano. Não há vigilante na entrada. Cada morador tem um controle remoto do portão. Por causa da obra finalizada recentemente, também não houve tempo de instalar câmeras de segurança. Consta, apenas, a fiação para receber os equipamentos.

Segundo os donos da casa assaltada, os ladrões acessaram o condomínio de carro pela entrada principal. Por causa de um imóvel em construção, os pedreiros costumam deixar o portão aberto para facilitar a entrada e a saída de caminhões e equipamentos. “Como é proibido buzinar e em razão de ainda não ter interfone, eles (trabalhadores) não conseguem se comunicar um com os outros e acaba que, para facilitar, deixam o portão aberto durante o dia”, contou uma das moradoras.

Luciene Andrade, 40 anos, é esposa do síndico. A família foi uma das primeiras que se mudou para o endereço, há quatro anos. Segundo a professora, a recomendação do condomínio é para o portão ficar fechado. “Mas os pedreiros travam a porta para facilitar o acesso de caminhões e das equipes, embora não seja a regra”, explicou.

Ela disse, ainda, que uma reunião estava agendada para os condôminos discutirem a instalação de câmeras de segurança na guarita. “Acaba que episódios assim assustam, porque a gente sai de casa e deixa os nossos filhos com as funcionárias”, lamentou.

Até a noite, não havia informações sobre suspeitos.

"Eles estudaram (a casa), porque entraram pela porta da área de serviço e até perguntaram pelo idoso cadeirante, um dos moradores"
Dona da casa assaltada

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