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Correio Braziliense

Maria Flor: 'Minha intenção era que alguém cuidasse dela', diz mãe

A mulher de 36 anos foi presa em flagrante nesta terça-feira. Recém-nascida está em estado grave na UTI do Hmib


postado em 18/03/2019 22:44 / atualizado em 18/03/2019 23:44

Militares que encontraram a bebê a batizaram de Maria Flor(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
Militares que encontraram a bebê a batizaram de Maria Flor (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
“Fiquei desesperada. Estou desempregada e tive medo que não conseguir manter meus filhos. Eu a deixei lá (no canteiro de flores) com a intenção que alguém cuidasse dela”, esse é o desabafo da mãe de Maria Flor, de 36 anos. Ela abandonou a recém-nascida na QR 2 da Candangolândia, às 5h52 de domingo (17/3). A bebê foi resgatada pelos bombeiros por volta das 9h30, com um pequeno sangramento no cordão umbilical, dificuldade respiratória, tremores e formigas pelo corpo. Até a mais recente atualização desta reportagem, Maria Flor estava em estado grave, com pneumonia, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), desde a manhã desta segunda-feira (18).

Maria Flor é a sexta filha da suspeita, que foi presa em flagrante na tarde desta segunda-feira, por abandono de incapaz. A mãe mora cerca de 200 metros de onde a recém-nascida foi deixada vestindo uma fralda e envolvida em uma manta. Um vídeo de câmeras de segurança flagrou o momento em que a mulher caminha por um beco de acesso ao canteiro, localizado próximo à Administração Regional da Candangolândia. Ela vestia um casaco com capuz, que foi utilizado para esconder a bebê. Em uma segunda imagem, a acusada retorna pelo mesmo caminho, às 5h55. 

Policiais tentavam chegar até a mãe desde domingo, quando registraram o boletim de ocorrência. Com as imagens e depoimentos, os agentes da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante) identificaram a suspeita. Ela foi abordada em casa, por volta das 11 horas. Segundo o delegado-adjunto Bernardo Mello, a mulher começou negando ter abandonado Maria Flor. “Mas, quando a confrontamos com as imagens das câmeras, ela desabou. A mãe confirmou o crime, alegando as dificuldades financeiras que está passando. Ela ainda nos disse que escondeu toda a gestação dos familiares e dos próprios filhos. Só quem sabia era o companheiro dela, no entanto, ela negou que o homem soubesse sobre o abandono”, afirma. 

Em entrevista ao Correio, a suspeita relata que fez o parto de Maria Flor sozinha, em casa. “Depois que ela nasceu, eu limpei e amamentei. Só então saí de casa com ela, sem nem ao menos saber onde a deixaria. Voltei para onde eu moro e fiquei pensando no que tinha feito. Eu me arrependi, mas era claro e tive com medo do que podiam fazer se me vissem a pegando”, alega. Maria Flor nasceu com 34 centímetros e 2,945kg, de acordo com a Secretaria de Saúde. Ela foi a segunda filha da suspeita que teve o parto na residência. Outra criança, de 1 ano e 3 meses, também deu o primeiro respiro no local, dentro do banheiro. “No caso dela, eu tinha chegado do trabalho e não deu tempo de ir ao hospital. Tive ela sozinha”, conta a mulher. 

Maria Flor também tem irmãos de 8, 12, 17 e 20 anos – sendo que este último não mora com a mãe. A acusada mora em um lote com duas casas. A avó das crianças mora em uma das residências e, segundo a suspeita, não tinha noção da gravidez. O pai das duas meninas mais novas namora com a mulher e seria o único a ter conhecimento sobre a gestação. Mesmo assim, não houve acompanhamento médico. “Nem eu sabia com quanto tempo eu estava. Mas ele não sabia o que eu ia fazer”, destaca. 

De acordo com o delegado, a suspeita não identificou quem é o pai da criança. “Ela não nos deu o nome de jeito nenhum e afirma que fez tudo sozinha. Questionamos como ela manteve a gravidez em segredo até mesmo dentro de casa para os filhos. A suspeita diz que havia certa desconfiança, mas que nunca confirmou a gestação. Inclusive, ela falou que os filhos dormiam quando ocorreu o parto”, detalha Bernardo Mello. A mãe foi encaminhada para o cárcere da Polícia Civil, onde ficará detida caso não pague a fiança de R$ 10 mil. A audiência de custódia dela está prevista para a manhã de terça-feira (19), quando o juiz decidirá de a suspeita responderá pelo crime em liberdade ou presa. Ela não tem passagem pela polícia.

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