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Correio Braziliense

Estradas parques continuam sendo o grande gargalo do trânsito no DF

EPTG, EPNB e Epia são três das vias com maior incidência de congestionamentos no DF, onde metade da população usa carro apara chegar ao trabalho. Elas ligam as cidades ao Plano, onde 41,2% dos trabalhadores brasilienses exercem alguma atividade


postado em 25/03/2019 06:00

Estrada Parque Taguatinga: governo inverteu o fluxo das faixas exclusivas para ônibus, nos horários de pico, para melhorar o fluxo(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 28/1/19)
Estrada Parque Taguatinga: governo inverteu o fluxo das faixas exclusivas para ônibus, nos horários de pico, para melhorar o fluxo (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 28/1/19)
Com transporte público ineficiente e uma das maiores frotas de carros do país, o Distrito Federal convive com congestionamentos diários. Dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2018, divulgada na última semana, indicam que 47,4% da população usa o automóvel para chegar ao trabalho — no estudo anterior, relativo ao biênio 2015-2016, o percentual era de 41,42%. O número de pessoas que recorrem aos ônibus para realizar o deslocamento permaneceu estável: 38%. O trajeto por meio do metrô, única opção sobre trilhos na capital, manteve-se baixo, na faixa dos 3,6%.

Devido ao número de carros nas ruas, em horários de pico, as principais vias de ligação entre as cidades satélites e o Plano Piloto, onde 41,2% dos brasilienses trabalham, ficam abarrotadas. As zonas mais críticas, onde há registro dos maiores engarrafamentos, são: Estrada Parque Taguatinga (EPTG), Estrutural, Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), BR-040 e BR-020, localizada na subida do Colorado.

O vendedor Nilton Araújo, 22 anos, enfrenta o tormento diário nas vias da capital. Ele mora próximo à DF-150 e recorre à BR-020 para chegar ao trabalho, na Asa Norte, de segunda-feira a sábado. “Faço o revezamento entre carro e ônibus todas as semanas. Não gosto muito do transporte público, porque não há limite de capacidade máxima, e acabo indo esmagado. Mas, por conta do preço da gasolina, usar apenas o meu automóvel sai muito caro”, conta.

Quando opta pelo ônibus, Nilton perde cerca de duas horas e quarenta minutos nas vias, somadas ida e volta; nos dias em que tira o carro da garagem, o tempo diminui em até uma hora. “Se vou no meu automóvel, saio de casa por volta das 6h, bem antes do que precisaria caso não houvesse trânsito, para evitar o engarrafamento e começar o expediente às 8h. Mas é um tempo que eu poderia usar para outras coisas”, comenta.

As dificuldades crescem para quem trabalha em locais com poucas linhas de ônibus, como Levi Moraes, 29. Morador de Sobradinho I, ele presta serviços no almoxarifado de uma empresa localizada no SAAN. “Além de os ônibus estarem em péssimas condições e serem superlotados, há poucas opções. Conheço apenas uma linha que vai da minha cidade para o setor SIA-SAAN e o tempo de espera é muito grande”, observa.

Por dia, o almoxarife fica na estrada por cerca de três horas. A condução, diz Levi, pesa no bolso e empobrece a qualidade de vida. “Saio de casa às 6h30 para chegar às 8h no trabalho. Ou seja, acordo correndo e acabo ficando estressado desde cedo. Depois de um dia cansativo, demoro mais uma hora e meia para chegar em casa. Isso, além de me desestimular, aumenta meus gastos. Quando ficamos parados em engarrafamentos, o consumo de gasolina aumenta em cerca de 30%”, emendou.

Soluções


Para resolver o trânsito brasiliense, estudiosos são categóricos: é necessário ampliar a oferta do transporte público e melhorá-lo. Intervenções na infraestrutura das vias, como a implementação de faixas reversas e a criação de viadutos, são bem-vindas para amenizar impasses diários, mas não resolvem o problema de forma definitiva.

A fim de desafogar o trânsito na EPTG, principal via de ligação entre as duas cidades mais populosas do DF — Ceilândia, Samambaia e Taguatinga — e o Plano Piloto, o governo inverteu o fluxo das faixas exclusivas para ônibus na última segunda-feira. A alteração ocorre nos horários de pico dos dias úteis — das 6h às 9h e das 17h30 às 19h45. Para ampliar o atendimento do metrô, que recebe 170 mil pessoas por dia, o GDF antecipou em meia hora a abertura das estações, as quais passam a funcionar, a partir de hoje, das 5h30 às 23h30 entre segunda e sexta-feira.

Além dessas medidas e da conclusão do Trevo de Triagem Norte (TTN), prevista para julho, a Secretaria de Mobilidade não tem planos para melhorar, de pronto, as condições do trânsito nas ruas de Brasília. A médio e longo prazos, a perspectiva é de tirar do papel os estudos e as sugestões de gestões anteriores. Na lista de projetos, está a renovação da frota de ônibus, a construção de um túnel no centro de Taguatinga e a implementação da Via TransBrasília e da Saída Norte.

Secretário de Mobilidade, Valter Casimiro acrescentou que o governo deve lançar, ainda neste ano, a carta consulta do BRT Sudoeste — documento que descreve ações e custos previstos na execução do projeto e as contrapartidas oferecidas pelo Estado. O Expresso sairia do Recanto das Emas, passando pelos Riachos Fundos I e II, e se encontraria com o Eixo Sul. “Estamos finalizando o projeto. As obras, inicialmente orçadas em R$ 700 milhões, começariam em 2021. Quando a documentação estiver pronta, vamos buscar a captação de recursos junto a bancos internacionais”, detalhou.

Para o perímetro entre a BR-020 e a Epia Norte, o plano é implementar o BRT Norte, que deve custar R$ 1 bilhão. “Além disso, pedi um estudo sobre o valor da criação de faixas exclusivas na BR. É uma obra simples, que exige, basicamente, o nivelamento do acostamento”, complementou Casimiro.

Trilhos

O GDF também planeja aumentar a oferta de transporte público sobre trilhos. Para isso, conta com um plano de desenvolvimento inédito, divulgado no último ano. O estudo prevê investimentos de R$ 13 bilhões em 20 anos. Caso seja executado, Brasília passará a ter 128km de trilhos, sendo 113 de VLT e 15km de metrô, além de 113 estações. A concretização do planejamento deve começar pela instauração do VLT nas vias W3 Norte e Sul. “Realizamos o chamamento público e nove empresas demonstraram interesse. Devemos anunciar quais estão qualificadas até o fim do mês”, pontuou Casimiro.

Em relação ao metrô, a expansão mais célere deve ocorrer em Samambaia: o edital de licitação para a construção de duas novas estações será publicado ainda neste mês. Além disso, a Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) concluiu o projeto básico para a construção de uma estação nas proximidades da Galeria do Trabalhador e começou a fazer estudos para levar os trilhos até o fim da Asa Norte. Para mais duas estações em Ceilândia, o Metrô-DF trabalha no adequamento do projeto básico antes de lançar a licitação.

O secretário de Mobilidade acrescentou que requisitou estudos para checar a viabilidade de retomar o projeto da implementação da terceira linha do metrô. “Serão avaliados demanda e custo. Os 17km de trilhos partiriam de uma estação na altura do Balão do Periquito, na confluência de Gama, Recanto das Emas e Riacho Fundo”, concluiu. Nos últimos cinco anos, o GDF investiu R$ 578,1 milhões no transporte público. A Secretaria de Mobilidade não informou qual é a perspectiva para 2019, tampouco indicou as obras prioritárias neste ano

1.773.286 
Frota de carros do DF

170 mil 
Número de usuários diários do metrô

600 mil 
Quantidade de pessoas que usam os ônibus da capital diariamente

R$ 578,1 milhões
Valor investido pelo GDF em transporte público nos últimos cinco anos

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