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Feminicídio: Homem mata a mulher e depois se suicida no Paranoá

Esse é mais um caso de feminicídio registrado neste ano no DF


Mais um caso investigado como feminicídio no Distrito Federal: de acordo com informações preliminares da Polícia Civil, um homem matou a mulher e depois cometeu suicídio na manhã deste domingo (31/3), no Paranoá. Ainda não foram divulgados mais detalhes do caso, que está a cargo da 6; Delegacia de Polícia (Paranoá).

De acordo com informações de familiares, a mulher se chamava Isabella Borges e tinha 25 anos. O homem era o vigilante Matheus Galheno, 22. O casal tinha se separado recentemente. "Foi uma surpresa. Ninguém esperava isso. Achamos que ele não aceitou que ela quisesse voltar", disse um deles, muito abalado. Eles tinham um casal de gêmeos de 1 ano.

Cabeleireira de Isabella, Eliene Pereira da Silva, 42 anos, tinha contato com o marido e mulher e também se diz surpresa com o crime. "Ele era uma pessoa que ajudava a família, cuidava das crianças. Você conversava com ele e não imaginava nunca uma coisa dessas", afirma. Segundo ela, Isabella era uma "menina tranquila, muito trabalhadora e super-família".

Segundo a delegada Jane Klebia, da 6; DP, o crime, no entanto, parece ter sido premeditado. Ele já tinha histórico de agressividade. O relacionamento de 2 anos acabou depois de uma briga em que até as crianças foram envolvidas. Na última quinta-feira (28/3), Matheus viu Isabella com outro homem. Fez um vídeo e mandou para a irmã da vítima, com ofensas.



Depois da separação, os dois mantinham ainda uma relação próxima. Matheus ficava com as crianças durante o dia e levava Isabella para um estágio no Plano Piloto. Por isso, apesar das ofensas, ele foi atendido normalmente por Isabella quando chegou à casa em que a vítima morava, com outros familiares, na manhã deste domingo.

Os dois conversavam na sala. A irmã de Isabella, segundo a delegada, ouviu gritos: "Ele vai me matar na frente dos meus filhos". Ela tirou uma das crianças do local. A menina ficou no colo da mãe. "Ela achou que se segurasse a criança assim ele não a mataria", diz a delegada.

Minutos depois, dois disparos soaram. Matheus deu um tiro no olho de Isabella e depois se matou. Ao todo, havia três munições deflagaradas na arma. A polícia investiga a origem da pistola, de calibre .38.

Matheus trabalhava como vigilante noturno em uma lanchonete e era filho de um policial militar reformado. A delegada descarta, porém, que a arma possa ter relação com o pai. "Como o autor não está vivo, as investigações agora vão tentar descobrir se alguém o ajudou e qual a origem da pistola."

O caso é o segundo feminicídio investigado pela 6; DP em março. "É um tipo de crime difícil de prever. É preciso conscientização e encorajar as mulheres a denunciar diante de qualquer ameaça e problema", afirma a delegada.

Casos de feminicídio


De março de 2015 até março deste ano, mais de 60 mulheres foram vítimas de feminicídio no Distrito Federal. Cinco delas, assassinadas em 2019. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), que divulgou um estudo traçando o perfil dos agressores e das vítimas.

Dos 68 autores de feminicídio, 11 cometeram suicídio e 18 foram condenados. Segundo o estudo, a média de idade deles é de 38,5 anos, sendo que o mais velho tinha 80 anos.
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Ana Gabriela Braga, especialista em criminologia da Unesp em Franca, analisa o relatório da ONU divulgado em 26 de novembro que revelou que, em 2017, cerca de 87 mil mulheres morreram vítimas de feminicídio no mundo.

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Ana Gabriela Braga, especialista em criminologia da Unesp em Franca, faz um balanço dos casos de feminicídio no Brasil.