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Correio Braziliense

Ex-candidata que se passou por vítima em Brumadinho é investigada no DF

Ana Maria Vieira Santiago é suspeita de aproveitar da tragédia em Brumadinho (MG) para conseguir indenizações indevidas. Ela é investigada pela Polícia Civil do DF, também por estelionato


postado em 10/04/2019 20:10 / atualizado em 10/04/2019 20:35

Ana Maria Vieira Santiago é suspeita recebeu R$ 65 mil de indenização da mineradora Vale de forma indevida(foto: Instagram/Reprodução)
Ana Maria Vieira Santiago é suspeita recebeu R$ 65 mil de indenização da mineradora Vale de forma indevida (foto: Instagram/Reprodução)
 A ex-candidata a distrital Ana Maria Vieira Santiago, 57 anos, que se passou por vítima da tragédia em Burmadinho (MG) para ter acesso a indenização, tem uma longa ficha criminal. Acusada de estelionato, ela está presa desde 19 de março, no Presídio Feminino José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ana Maria também é investigada no Distrito Federal pelo mesmo tipo de delito. 

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, que investiga o caso, a suspeita tentava adquirir mais benefícios com a tragédia de Brumadinho. "Ela chegou a declarar que o filho teria tido uma lesão grave no ombro tentando fugir da lama. A Vale já havia liberado o recurso financeiro para a cirurgia, porém, a prendemos antes", conta a delegada responsável pelo caso, Ana Paula Gontijo. A suspeita foi presa em flagrante, no momento em que entregava a documentação falsa para requerer mais dinheiro devido à tragédia. 

Para garantir o recebimento das indenizações, ela agiu rápido. De acordo com a delegada de Minas, Ana Paula Gontijo, em fevereiro, Ana Maria chegou a Belo Horizonte para orquestrar o plano. “Logo que chegou a Minas, ela procurou a Vale e informou que havia perdido a casa engolida pela lama, na região do Parque da Cachoeira. A partir dai, a suspeita começou a buscar os falsos documentos para adquirir os benefícios”, contou a delegada. 

Nesse período, a estelionatária morou em um hotel na capital mineira. Logo que identificou os moradores da região, ela ofereceu possíveis benefícios com a farsa. “Um casal de moradores assinou uma declaração em que atestava que ela era proprietária de uma fazenda na região. A suspeita também chegou a assinar um documento falando que o homem era empregado dela e, que devido ao desastre, tanto ela quanto o empregado da propriedade estavam sem recursos”, explicou a delegada. 

Com a declaração, a suspeita conseguiu R$ 15 mil por ter perdido os supostos animais da fazenda como vaca, bois, cachorro e uma granja de galinhas. Além dessa quantia, Ana Maria se beneficiou com R$ 50 mil de indenização pela perda da suposta casa, que teria sido engolida pela lama. 

Agora, a polícia também procura pelo filho da suspeita. Segundo a delegada, o rapaz declarou ter uma lesão no ombro por causa da tragédia. “Ele chegou a dizer que machucou no tentando fugir da lama, mas quando ficou sabendo da prisão da mãe, ele desapareceu de Minas”, esclareceu. 

Ainda de acordo com a polícia mineira, o suspeito cumpre prisão domiciliar em Brasília por roubo e não poderia sair do Distrito Federal. “Ainda estamos investigando a participação dele na farsa”, completou a delegada. 

A polícia disse ainda que os moradores que ajudaram na farsa foram indiciados e respondem por falsidade ideológica. “Eles já haviam ganhado indenizações e queriam receber mais R$ 15 mil com a declaração de que o homem era empregado da fazenda”, reforçou a delegada. 
 
O Correio tenta contato com a defesa da acusada. 

Escola do crime


Natural de Anápolis (GO), Ana Maria Vieira Santiago foi candidata a deputada distrital em 2014 pelo MDB, mas não conseguiu votos suficientes para se eleger. O presidente do partido no Distrito Federal, Tadeu Fillippelli confirmou que a suspeita “não tem nenhuma ligação com o MDB". "Não é filiada desde 2014”, esclareceu. 

Ainda de acordo com os registro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), Ana Maria não concorreu a nenhuma eleição e nem está registrada em nenhum partido político. A Polícia Civil de Minas informou ainda que ela é investigada pela prática de crime de estelionato em Brasília e que os inquéritos ainda estão em apuração pela polícia brasiliense. 

Investigação 


Desde a tragédia em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, a Polícia Civil de Minas já requisitou a retirada de 17 pessoas na lista de vítimas do desastre. A corporação ainda investiga outras 10 pessoas pelo crime de estelionato. 

Até o momento, o desastre com a barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão tem 224 mortos identificados e 69 pessoas desaparecidas, conforme último balanço divulgado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.


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