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Correio Braziliense

Defensor fala em fatalidade no caso de universitária morta no Lago Paranoá

Profissional que representa jovem investigado se baseia em três laudos da Polícia Civil, que descartam agressões e apontam consumo de bebida alcoólica e drogas pela vítima


postado em 15/04/2019 18:26 / atualizado em 15/04/2019 22:58

Defensor público Carlos André Praxedes, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (15/4)(foto: Jéssica Eufrásio/CB/D.A Press)
Defensor público Carlos André Praxedes, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (15/4) (foto: Jéssica Eufrásio/CB/D.A Press)
Após a divulgação de três laudos relacionados às investigações da morte da estudante Natália Ribeiro dos Santos Costa, 19 anos, o defensor público Carlos André Praxedes acredita que o caso se trata de uma fatalidade. O advogado representa o jovem que esteve com a universitária nos últimos minutos de vida dela. A polícia ainda apura se ele teve envolvimento com o afogamento de Natália no Lago Paranoá, em 31 de março. 

Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (15/4), o defensor público detalhou os três relatórios emitidos pela perícia até o momento. Segundo ele, o laudo odontolegal, que comparou a mordida no braço do jovem com a arcada dentária de Natália confirmou compatibilidade. Já o documento do Instituto de Criminalística apresentou um resultado da análise das câmeras de vídeo que registraram os momentos em que os dois estiveram à beira do Lago Paranoá, antes de a estudante morrer. O terceiro documento trata-se do aditamento do laudo de exame cadavérico, que atestou o consumo de álcool e drogas pela jovem.

Na visão de Carlos André, o fato de haver compatibilidade entre a arcada de Natália e a mordida no braço do jovem não tem relevância para as investigações, uma vez que testemunhas relataram que a ação decorreu de uma brincadeira entre os dois. “As informações são de que ambos estavam brincando e sob efeito de bebida. A mordida aconteceu em um momento anterior ao lago, quando estavam no parquinho”, disse o defensor.

Ainda de acordo com Carlos André, o laudo do Instituto de Criminalística registrou que não houve qualquer agressão entre ambos no momento em que estavam dentro ou às margens do Lago Paranoá. As imagens mostram Natália e o jovem entrando no espelho d’água. “Os dois estavam deitados em um talude. Natália se levanta e se dirige para a beira do lago. Ele vai em seguida. Os dois ficam ali por algum tempo, entram juntos e avançam, a ponto de ficarem apenas com a cabeça do lado de fora”, comentou Carlos André. 

Em seguida, Natália imerge uma vez e volta à superfície. O rapaz também mergulha, a estudante faz o mesmo. Treze segundos mais tarde, apenas o jovem volta à superfície. Ele se levanta e fica algum tempo em pé, olhando para onde ela submergiu. “Ele retrocede e, depois de algum tempo, se senta à beira do lago durante três minutos e três segundos, de acordo com o laudo. Em seguida, realiza ações típicas de quem procura algo por três minutos e 58 segundos. Ele entra, mergulha mais duas vezes, emerge e fica andando na parte à beira do lago, tentando procurá-la. Por fim, sobe o talude com dificuldade para voltar ao encontro das pessoas”, detalhou o defensor público. 

Ambos ficaram por 40 segundos no lago e permaneceram submersos juntos por dois segundos, conforme Carlos André, com base nos laudos. Nenhuma das defesas teve acesso à íntegra do vídeo ainda. O defensor público reforça que, para formar juízos de valor, é necessário analisar “elementos de convicção”.”Há dois laudos que complementam o laudo cadavérico, a narrativa das testemunhas e, pela percepção da perícia, não houve agressão alguma (contra Natália)”.

O advogado acrescentou que o caso se trata de uma “página triste para a história da cidade” e que falar em feminicídio representa “um despautério”, pois não havia qualquer relação entre os dois. Carlos André também descarta a possibilidade de responsabilização do jovem por omissão de socorro devido ao nível de embriaguez dele, relatado por testemunhas, e pelo fato de ter procurado Natália por cerca de quatro minutos, além de ter tentado, apesar da dificuldade, informar aos amigos sobre o desaparecimento da estudante. “Nossa expectativa, daqui em diante, é quanto ao fechamento das investigações e sobre qual será a conclusão da 5ª Delegacia de Polícia, o que não deve demorar”, concluiu Carlos André.

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