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Correio Braziliense

Inaugurado com a capital, Museu Histórico guarda a memória de Brasília

Inaugurado em 1960, o Museu Histórico de Brasília guarda parte da história da capital que começava a nascer


postado em 18/04/2019 07:00

Museu Histórico de Brasília nos anos 1960: uma referência do começo da cidade (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )
Museu Histórico de Brasília nos anos 1960: uma referência do começo da cidade (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )


Em 21 de abril de 1960, nascia a nova capital da República. Desde que foi inaugurada, a cidade encanta o mundo com sua beleza e arquitetura moderna. É nessa data que se comemora também a criação de um dos principais monumentos da região: o Museu Histórico de Brasília ou Museu da Cidade, como também é conhecido. Tombado pelo governo do Distrito Federal, em 28 de abril de 1982, e projetado por Oscar Niemeyer, o museu mais antigo da capital reserva acervos curiosos.

O local também é um marco histórico em todo o país, pois a solenidade de inauguração representou a transferência oficial da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília. Por mês, cerca de 2 mil pessoas costumam visitar o local, segundo a Secretaria de Cultura.

Bem perto do Palácio do Planalto podemos avistar a grandiosa estrutura de concreto, com linhas retas, formada por pilares em formato de paralelepípedo. Na parede, uma escultura de 1,5 tonelada da cabeça de Juscelino Kubitschek, produzido pelo mineiro José Alvez Pedrosa. Este é o Museu Histórico de Brasília.

Na fachada do museu, a célebre frase do criador. “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”.

Nas paredes do interior, 16 textos gravados em mármore relatam desde a construção até a inauguração da capital. Há também publicações com frases históricas proferidas pelo papa Pio 12, por Niemeyer e por JK. As frases também foram traduzidas em inglês e braile.

Na fachada oeste, uma imagem importante: a cronologia do processo de interiorização da capital entre os anos 1789 e 1960. Nela, estão destacadas algumas datas significativas, como 2 de abril de 1956, quando o presidente JK visita o local escolhido e determina as providências para o início das construções.

O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do DF (Iphan-DF), Carlos Madson, ressalta a importância do espaço para Brasília. “Ele representa o processo de construção da cidade. Quem o visita tem a honra de conhecer um pouco da história da capital e se ater à simbologia que ele representa”. 
 
 

Desvalorização

Embora seja único, os turistas e os brasilienses que passam pela praça podem confundir o museu com um simples monumento e até não notar sua presença. É o que afirma a professora de história da arquitetura do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) Ana Drumond. “É uma obra muito singela e discreta. Não há nenhum tipo de sinalização que identifique que é um museu. Por consequência disso, as pessoas não se interessam em visitá-lo. Deveria haver mais divulgação”, ressalta.

O subsecretário de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura, Cristian Brayner, acredita que parte do desconhecimento das pessoas, em relação ao museu, se deve ao fato de os visitantes preferirem conhecer os outros monumentos da Praça dos Três Poderes. “Dar visibilidade ao ambiente é um desafio para nós. Vamos criar uma sinalização para que o público esteja mais informado. Até 21 de abril de 2020 estaremos com os espaços revitalizados”, garantiu.

A professora de museologia da Universidade de Brasília (UnB) Andrea Considera explica que, embora o local seja de extrema importância para a história da capital, ele não apresenta as características de um museu. “Quando falamos de acervo histórico, não retrata apenas uma exposição ou conjunto de bens, mas, sim, ao conjunto de atividade que aquele local proporciona ao público. E o Museu da Cidade está longe de se adequar nessas características”, frisou.

Segundo ela, é necessário que patrimônios históricos, como este, dialogue com a sociedade, de forma atrativa. “É preciso estabelecer uma espécie de diagnóstico do museu e a partir dele se perguntar o motivo que as pessoas visitam ou não aquele local e o que faz para atender a população. Pensar nessa questão com seriedade, tem faltado nos museus do Brasil. Não faz mais sentido a gente ter uma estrutura como essa, se não tem diálogo com as pessoas”, argumentou. Uma das orientações da especialista é montar uma espécie de exposição itinerante e circular pelas cidades do DF. “Se o público não pode visitar a exposição, ela vai até as pessoas. São algumas maneiras de você instigar o povo a conhecer.”

*Estagiários sob supervisão de José Carlos Vieira.


Em processo de revitalização

A Secretaria de Cultura, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco), lançou, no último dia 11,  dois editais para contratação de consultoria especializada em levantamento de dados com o intuito de revitalizar o Complexo Cultural Três Poderes.
 
Os alvos para revitalização são: Museu da Cidade, Espaço Lucio Costa e Panteão da Liberdade e Democracia Tancredo Neves, inclusos no Complexo. A consultoria de reforma consiste em promover reuniões técnicas; diagnosticar a situação dos espaços; levantar dados de visitação; definir diretrizes de renovação e elaborar laudos técnicos com as propostas de restauração.

Programa-se

Museu Histórico de Brasília

Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto
De terça-feira a domingo (inclui feriados), das 9h às 18h.

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