Publicidade

Correio Braziliense

Para superar crise e lucrar na Páscoa, comércio aposta na criatividade

Em nome da economia e em meio às compras de última hora, consumidores se dividem entre gastar com ovos, caixas ou bombons. Previsão é de alta nas vendas


postado em 19/04/2019 07:00 / atualizado em 18/04/2019 23:38

O casal Fátima e Antônio Barbosa optou por dar caixas de chocolate para os sete netos:
O casal Fátima e Antônio Barbosa optou por dar caixas de chocolate para os sete netos: "Podem deixar para comer depois, levar para a escola" (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )

Páscoa é época de reunir a família e trocar presentes em forma de chocolate. Quem também aproveita para celebrar são os comerciantes do Distrito Federal, que conseguem movimentar os negócios. A estimativa deste ano é de um aumento de 11,47% nas vendas em comparação com o mesmo período de 2018. Mas, para conseguir manter a lucratividade, os empresários precisam, cada vez mais, pensar em estratégias para atrair o consumidor interessado em manter a tradição com economia.

Pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomercio-DF) revela que 43,2 % dos brasilienses pretendem presentear alguém na Páscoa. A preferência quase unânime é de dar chocolates e trufas: 95,7% desse grupo escolheu os produtos. Os dados revelam, ainda, que o principal local de compra são os supermercados.

O jornalista Maurício Nogueira, 52 anos, chegou ao mercado sabendo que ovos de chocolate levaria para os sobrinhos. O que não contava era que, para fazer a alegria dos pequenos, teria de desembolsar mais do que esperava. “Está muito caro. Tiram vantagem nessa venda casada, com a surpresinha que vem com o chocolate. Aí, as crianças ficam doidas, e a gente tem de agradar”, afirma.

No comércio formal, é visível a mudança de hábito dos consumidores, que, ao longo dos anos, trocam as opções de chocolate. É o que aponta o presidente da Fecomércio, Francisco Maia. “Nesta época do ano, as famílias estão mais endividadas devido ao pagamento de impostos. Por isso, muitas optam por produtos mais baratos. Outro grande influenciador são as produções próprias. Pessoas fazendo e vendendo os ovos como uma forma de ganhar dinheiro e gerando uma nova competição”, ressalta.

"Decidimos fazer a nossa própria produção. Os ovos de colher vieram com força e aproveitamos a nossa estrutura para oferecer isso ao cliente. Está sendo um sucesso: vantagem para o cliente e para nós", Everlândio Ribeiro, encarregado de loja (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Para não sair no prejuízo no novo cenário, o encarregado de loja Everlândio Ribeiro, 29, garante que o jeito é se reinventar. “Decidimos fazer a nossa própria produção. Os ovos de colher vieram com força e aproveitamos a nossa estrutura para oferecer isso ao cliente. Está sendo um sucesso: vantagem para o cliente e para nós”, comemora.

Outras estratégias dos estabelecimentos têm sido diversificar as opções de chocolate, construir vitrines temáticas, divulgar os produtos por meio de propagandas e, principalmente, apostar nas promoções. De acordo com a Fecomércio, 46,8% dos lojistas apontaram a promoção como forma de alavancar as vendas.

Valor simbólico

Atraídos pelo preço em conta, o casal de professores aposentados Fátima Barbosa, 65, e Antônio Barbosa, 84, encheu o carrinho com caixas de chocolate para os sete netos. Além de pagar um valor que considera justo, Fátima afirma que há outras razões para a opção. “As crianças ganham um monte de ovos. Eu prefiro dar os chocolatinhos. É muito mais prático, e os meus netos podem deixar para comer depois, levar para a escola”, justifica.

O estudante de contabilidade Humberto Alves, 20, sabe bem que, financeiramente, o ovo não é vantajoso. Mesmo assim, não abdicou da tradição e escolheu o maior que encontrou para a namorada. “Para mim, mais vale o valor simbólico. Chocolate por chocolate, posso presenteá-la em qualquer época do ano”, explica. Pensando também na economia, não foi à toa que Humberto fez a escolha. “A família dela é grande. Bom que aí dá para dividir com todo mundo e não precisa comprar um para cada”, brinca.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade