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Correio Braziliense

Veja os pontos do DF com mais chance de alagamento e saiba como se proteger

No último domingo (21/4), houve 11 ocorrências de inundações e 40 cortes de árvores causadas pelo forte temporal


postado em 23/04/2019 06:01 / atualizado em 23/04/2019 06:34

(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
 
 
"É possível até que a gente vá tirando a água e encontre alguém que não conseguiu escapar da inundação.” A declaração é da administradora de condomínios Natalina Moraes, 55, que, na manhã de ontem, temia possíveis vítimas do temporal de domingo. Ela levou o Correio à garagem subterrânea do Bloco G da 402 Norte, onde mora. O local ficou tomado pela lama. A energia foi cortada, e a água ainda chegava a quase 1m de altura.

O GDF, no entanto, garante que não houve mortos ou feridos. O balanço somou 11 ocorrências de inundações e 40 cortes de árvores, todas atendidas pelo Corpo de Bombeiros. Na Asa Norte, as áreas mais afetadas foram as quadras 208, 108, 209, 202 e 402, onde garagens ficaram submersas. Moradores que não conseguiram retirar os veículos apenas calculam o estrago. É o caso de Felipe de Angelis, 43, morador da 402 Norte. O servidor público estava em casa na hora do temporal. “Foi a primeira vez que vi a água bater no teto da garagem”, descreveu. “A sensação é pior para um cidadão que paga em dia impostos altos e não tem retorno. Fico revoltado com a inoperância dos diversos governos que não resolveram o problema”, reclamou.

Drenagem

Apesar da indignação, não há solução imediata para os problemas de alagamento no Distrito Federal. A afirmação é do chefe da Secretaria de Obras e Infraestrutura, Izídio Santos Júnior. Ontem, em uma tentativa de prevenir incidentes, o GDF determinou a interdição das tesourinhas da 202, 203, 209 e 109 Norte, assim como vias de acesso à 711 Norte. Além disso, o Serviço de Limpeza Urbano (SLU) fez a desobstrução de bocas de lobo da Asa Norte, nas quadras 209/210, 711, 201 e 202.

As medidas são paliativas, e o governo informou que, se for necessário, a cada chuva, mais tesourinhas poderão ser bloqueadas. O projeto que resolveria o problema de drenagem pluvial, chamado inicialmente de Águas DF e, depois, de Drenar DF, não foi para a frente. Ontem, o secretário afirmou que ele se encontra parado desde 2008: “Chegou a ser assinado um contrato e, depois, caiu. Várias situações aconteceram. Problemas com o Iphan, que exige que sejam bacias enterradas, e foram projetadas a céu aberto; problemas com o Tribunal de Contas (TCDF); problemas de toda sorte”.

O TCDF, no entanto, negou a informação do secretário. “Em nenhum momento o processo esteve parado no Tribunal de Contas do DF”, alegou o tribunal, por meio da assessoria. “Ele foi autuado em junho de 2013. Na primeira análise promovida, o corpo técnico encontrou sobrepreços de até 100% em vários itens e outras supostas irregularidades. No mesmo ano, a Novacap decidiu adiar a licitação sine die (sem prazo definido). Quando da reabertura do certame, em 2015, o TCDF fez nova análise do edital com a máxima celeridade possível”, explicou.

O processo passou por diversas etapas até que, em 10 de março de 2017, a Associação Brasileira de Engenheiros de Obras Públicas (ABEOp) protocolou uma denúncia apontando supostas irregularidades nos processos licitatórios do Programa Águas do DF. O TCDF deu prazo de cinco dias para a Novacap se manifestar. Depois disso, em 12 de abril deste ano, a Sinesp protocolou no TCDF o Relatório de Viabilidade — Drenar/Taguatinga para avaliação do tribunal. O documento está em análise.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) detalhou que o projeto foi analisado e aprovado à época com restrições, pois aguarda apresentação do projeto de paisagismo e do plano de manutenção das bacias a céu aberto. “A recomendação do Iphan é de que as bacias se harmonizem paisagisticamente com o ambiente urbano, evitando que se tornem locais insalubres, o que viria conflitar com o urbanismo da área tombada e afetar a escala bucólica da cidade”, alerta. Para o GDF, é necessário novo projeto. 

O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB Sergio Koide é claro: não há solução rápida nem barata. “No Plano Piloto, a rampa do (Palácio do) Buriti até o lago é extensa, e as águas se acumulam. Como há estrangulamentos causados pelas vias transversais paralelas à topografia, como a L2 e o Eixo Rodoviário, elas tendem a barrar o fluxo. Se o sistema de drenagem não for eficiente, acumula água”, explica o especialista em recursos hídricos e saneamento.

Por enquanto, resta aos moradores a angústia antes do temporal. Na 112 Norte, uma árvore caiu e atingiu o Bloco E. “Nunca tive tanto medo na minha vida quanto no domingo, porque foi um temporal de um jeito que eu nunca vi”, contou Fátima Oliveira, 65.


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