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Correio Braziliense

Grilagem de terras: advogados e corretores são presos em operação da PCDF

Investigadores da Dema cumpriram quatro mandados de prisão contra suspeitos de uma associação criminosa que vendia chácaras em Área de Preservação Ambiental, em Brazlândia


postado em 23/04/2019 09:51 / atualizado em 23/04/2019 15:57

Em 2014, o Correio mostrou a vista aérea de invasão em uma Área de Preservação Ambiental na margem da BR-080, KM 13, próximo a Brazlândia(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Em 2014, o Correio mostrou a vista aérea de invasão em uma Área de Preservação Ambiental na margem da BR-080, KM 13, próximo a Brazlândia (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Quatro pessoas foram detidas no Distrito Federal acusadas de parcelar e vender chácaras em uma Área de Preservação Ambiental (APA) em Brazlândia. As prisões aconteceram na manhã desta terça-feira (23/4), quando investigadores Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema) cumpriram quatro mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão contra advogados e corretores imobiliários.

O grupo é suspeito de formar uma associação criminosa que parcelou pelo menos quatro áreas na APA da Bacia do Descoberto, em Brazlândia. O local é completamente impróprio para moradia, pela proximidade com o principal manancial de abastecimento de água de Brasília. "A retirada de vegetação nativa e a impermeabilização do solo decorrente das construções oriundas do parcelamento causam danos ambientais de dimensões inestimáveis", divulgou, em nota, a Dema. 
  
Segundo a delegada responsável pelo caso, Mariana Araújo Almeida, a área grilada tem cerca de 50 mil m² e os lotes eram vendidos por R$ 35 mil. "Eles vêm atuando desde 2010, quando se iniciou esse parcelamento. A área já tinha passado por derrubadas promovidas pela Agefis, então o líder da associação se aproveitava desse fato para vender o mesmo lote mais de uma vez, já que os compradores não chegavam a edificar o local ou faziam construções e elas eram retiradas."

Como os suspeitos faziam mais de uma venda do mesmo terreno, ainda não é possível calcular o lucro deles ao longo desses quase 10 anos de atuação, mas a delegada acredita que o grupo tenha faturado cerca de R$ 1 milhão. O nome da operação, Parentela, foi inspirado em investigações que apontaram ligações de parentesco entre os envolvidos no crime. 
 
 

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