Publicidade

Correio Braziliense

DF registra abril mais chuvoso em 10 anos; precipitações continuam até maio

Até o momento, o acumulado de precipitações no Distrito Federal é de 312mm, mais de 125% da média prevista para o mês, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Situação semelhante só havia sido registrada em abril de 2009


postado em 24/04/2019 06:00 / atualizado em 24/04/2019 19:15

Apesar da chuva forte, estragos registrados na Asa Norte no último domingo não se repetiram ontem(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Apesar da chuva forte, estragos registrados na Asa Norte no último domingo não se repetiram ontem (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

Este mês é considerado pelos meteorologistas o segundo mais chuvoso da história da capital federal. O acumulado até o momento é de 312mm e ultrapassou 133,8% a média prevista, que era de 133,4mm para todo o mês. Situação semelhante havia ocorrido apenas em 2009, quando abril fechou com 375,9mm.

“É um registro histórico, pois há muitos anos Brasília não registrava um mês tão chuvoso”, explicou o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Hamilton Carvalho. Ele explicou que o volume de chuva é resultado da massa de ar frio originária do Equador. “Essa massa de ar está influenciando o tempo nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. Isso faz com que haja chuvas fortes e intensas por um longo período”, esclarece.

Ontem, chuvas e ventos fortes voltaram a causar alagamentos e congestionamento em Brasília. Entre o fim da tarde e o início da noite, várias regiões administrativas registraram precipitações intensas. No Núcleo Bandeirante, uma rua ficou completamente alagada, impossibilitando a passagem de pedestres e carros na via. Gerente de loja, Márcio da Rocha precisou colocar as mercadorias para dentro do estabelecimento. “Hoje (ontem) à tarde houve uma chuva bem forte, acompanhada de ventos. Não vou dizer que foi uma chuva como a que ocorreu na Asa Norte no domingo, mas deixou o pessoal aqui meio assustado”, disse.

No centro de Brasília, no Eixo Monumental, motoristas enfrentaram trânsito intenso na saída do trabalho. Os dois sentidos da via ficaram engarrafados. Muitos motoristas tentavam evitar passar pelas tesourinhas, com medo de novas inundações. Quem passou pela entrada de Águas Claras também teve dificuldades. Com a chuva, o local ficou cheio de lama. Motoristas foram obrigados a reduzir a velocidade para evitar acidentes.

Na Asa Norte, uma das regiões que mais sofreu com a chuva da noite do aniversário de Brasília, também choveu bastante. Com os estragos causados pelo último temporal, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) decidiu, quando necessário, fechar as tesourinhas e vias de algumas quadras que ficaram alagadas para evitar acidentes, mas, até o fechamento desta matéria, não houve registro de bloqueio. Agentes permaneceram monitorando o trânsito.


Prevenção


Apesar das medidas preventivas, muitos moradores ficaram em estado de alerta. Temendo novos alagamentos, algumas pessoas optaram por retirar os veículos dos estacionamentos logo nos primeiros pingos. “Assim que a chuva começou, eu corri para retirar o carro da garagem. No domingo, eu quase perdi meu carro. A água subiu muito rápido”, contou a funcionária pública Sandra Emília de Coelho.

Em nota, o Detran-DF informou que as equipes de fiscalização continuam em patrulhamento na região da Asa Norte e, caso seja necessário, os agentes interditarão as tesourinhas da 201/202, 205/206, 209/210 e vias da 711 Norte. “A ação tem como objetivo prevenir possíveis danos causados pelas fortes chuvas que têm ocorrido na capital federal nos últimos dias”, completa o texto.

O Corpo de Bombeiros também permaneceu em alerta durante a noite, mas não havia registrado nenhuma ocorrência até o início da noite de ontem. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva deve continuar nos próximos dias, mas tende a ficar mais fraca. “A previsão é de que, no fim de semana, essa massa de ar fria perca força”, afirmou o meteorologista Hamilton Carvalho. Os temporais devem cessar apenas em maio.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade