Cidades

Defesa Civil interditou edificações em quase todos os dias de abril no DF

A Defesa Civil interditou residências em quase todos os dias de abril, o mais chuvoso dos últimos 10 anos na capital. No DF, há 41 áreas que preocupam mais as autoridades, por causa do perigo de desmoronamento e colapso

Jéssica Eufrásio, Patrícia Nadir - Especial para o Correio
postado em 25/04/2019 06:00
Maria convive com mofo na cobertura da varanda da residência

As fortes chuvas que atingiram o Distrito Federal nos últimos dias causaram estragos e acenderam alertas. Moradores de algumas áreas sofreram com a enxurrada. Os problemas de anos se acumularam e provocaram infiltrações, goteiras e alagamentos. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) considerou este abril o segundo mais chuvoso na história da capital. O volume de água registrado até ontem foi 133,7% maior do que o esperado para todo o mês.

Na Quadra Sul do Riacho Fundo 2, a dona de casa Maria Lemos Rodrigues, 50 anos, percebeu mofo na cobertura da varanda, cinco meses atrás. O teto, com cerca de 3 metros quadrados, está descascando e apresenta pontos pretos em várias partes. ;Tem sido uma dor de cabeça, porque, além de ficar esteticamente feio, o cheiro incomoda muito. Uma das minhas filhas tem alergia e, agora, volta e meia tem coceiras na garganta;, lamenta.

A brasiliense está no mesmo endereço há sete anos. Antes, a família morava em Samambaia, em uma casa na qual as paredes dos quartos e da cozinha eram reféns de bolor e umidade. ;Era só vir as chuvas que as preocupações surgiam. Ficamos apreensivos, pois é comum relatos de muros e casas que desmoronam devido à enxurrada;, completa Maria.

Problemas com infiltrações causadas por goteiras e rachaduras fazem parte da rotina de Valmir Rodrigues, 54, há meses. O comerciante tem uma mercearia na Rua 10 de Vicente Pires há nove anos. Por causa das chuvas, ele enfrenta um transtorno visível na estrutura da loja. ;A umidade nas paredes e forros deixam manchas nas pinturas. Moro aqui há 15 anos, então chuva é sempre sinônimo de sufoco. Além da lama e dos buracos nas ruas, ficamos preocupados com o que pode acontecer as casas;, ressalta Valmir.


Análises

A Defesa Civil interditou casas em quase todos os dias de abril. No DF, há 41 áreas de risco e 18 cidades que surgiram nas últimas décadas sem planejamento e sem sistema de drenagem pluvial. Vicente Pires, Arniqueiras e Sol Nascente foram as mais atendidas pelo órgão neste mês, com casos de inundações, alagamentos, invasão de água em residências e queda de muros.

Para evitar casos como o último, o subsecretário da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, ressalta a importância da construção de muros de arrimo em vez de paredes de alvenaria sem suporte na base ou ferro na estrutura. ;Também é importante observar o surgimento de trincas, fissuras, rachaduras. Tudo isso pode indicar risco de desabamento e muitos casos podem ser evitados com limpeza das calhas, o que impede a infiltração de água na laje ou em vigas;, destaca Bezerra.

Ele acrescenta que o órgão faz inspeções preventivas e atua diante de problemas iminentes. Análises mais aprofundadas não cabem à Defesa Civil e devem ser requisitadas pelo dono do imóvel ou responsável pela edificação. ;Trincas e fissuras denunciam problemas de infraestrutura. Às vezes, não está caindo, mas é necessária uma investigação, feita por um engenheiro qualificado. O órgão não faz esses exames complementares. Vamos ao local, observamos os primeiros sinais e recomendamos os reparos;, explica o subsecretário.

Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB), Daniel Richard Sant;Ana destaca a necessidade de verificar a fonte do defeito. ;Para evitar se chegar a um ponto extremo, como o desmoronamento, o morador deve acionar algum mestre de obras para verificar se o problema não se trata de algo que vem de dentro da casa, como um cano vazando água.;

O especialista compõe um grupo de pesquisa que busca promover a sustentabilidade. A equipe propõe métodos inovadores para a drenagem da água. No momento, o grupo pratica simulações para verificar as melhores opções. Daniel lembra que o principal responsável pela drenagem urbana é o Governo do Distrito Federal. ;Se a rede atual está defasada, cabe aos órgãos responsáveis implementarem medidas inteligentes que solucionem o problema. O que não dá é para ficarmos reféns de enchentes e alagamentos;, critica o arquiteto.

Informe-se

Curso grátis

O professor Dickran Berberian ministra um curso gratuito de problemas e patologias de edificações no Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF). As aulas ocorrem às segundas-feiras, a partir das 18h15, na sede da entidade. Apesar de ter iniciado, a programação inclui temas diferentes a cada encontro. Local: Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Trecho 2/3, Lote 1.125, 2; andar Inscrições: infrasolocursos@gmail.com. Mais informações: 3363-8610.


Indícios

Confira os principais sinais de que um prédio ou casa apresentam quando há problemas estruturais:

; Mofo
; Estalos
; Infiltrações
; Vazamentos nas calhas
; Deterioração do concreto
; Bolhas nas paredes ou no teto
; Massas cinzentas na cerâmica
; Trincas nas paredes, na laje e/ou no reboco

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação