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Correio Braziliense

Com aumento das chuvas, pontes e viadutos com problemas voltam a preocupar

O Correio visitou os nove viadutos e pontes considerados críticos pelo Tribunal de Contas em 2018. É possível notar marcas de infiltração, rachaduras, goteiras e pedaços de ferro da armação expostos


postado em 25/04/2019 11:13 / atualizado em 25/04/2019 15:43

A Ponte do Bragueto, uma das estruturas em pior estado, segundo a Corte, passa por reformas(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A Ponte do Bragueto, uma das estruturas em pior estado, segundo a Corte, passa por reformas (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Com o aumento das chuvas, áreas públicas sob risco voltaram ao radar, uma vez que uma auditoria de 2011 do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontou a necessidade de reparos em viadutos e pontes do Plano Piloto. Há pouco mais de um ano, parte da estrutura sobre a Galeria dos Estados desabou. O ponto havia sido listado em relatório apresentado pela Corte. Enquanto as obras continuam ali, o GDF deu início à manutenção em outros lugares avaliados pelo tribunal entre maio e junho de 2018. A reforma de alguns, no entanto, aguarda licitação.

Em 26 de fevereiro de 2019, o corpo técnico do TCDF concluiu que o planejamento das atividades de manutenção é “incipiente e não garante a integridade dos bens patrimoniais do Distrito Federal” e que “a maioria dos bens vistoriados na auditoria realizada em 2011 sofreu pouca ou nenhuma intervenção até a inspeção realizada em 2018”. Em 12 de março de 2019, o tribunal deu 30 dias à Secretaria de Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão para conhecimento e manifestação no caso de discordância do relatório prévio. Até o momento, o GDF não encaminhou esclarecimentos ao TCDF.

O Correio visitou os nove viadutos e pontes considerados críticos pelo tribunal em 2018. É possível notar marcas de infiltração, rachaduras, goteiras e pedaços de ferro da armação expostos. A Ponte do Bragueto, uma das estruturas em pior estado, segundo a Corte, passa por reformas. Na passarela subterrânea da DF-002, entre as quadras 115/116 Norte e 215/216 Norte, percebem-se ferrugem nos corrimãos e a ausência de lâmpadas.



Junto ao engenheiro civil e professor Dickran Berberian, da UnB, a reportagem visitou o viaduto do Eixo L, na 203/204 Sul. Segundo o especialista, o principal problema é a deterioração do revestimento, o que provoca a degradação do concreto e expõe ferragens da estrutura. “Muitos problemas são internos, como oxidação do aço. No caso das tesourinhas, outro complicador é o tráfego de caminhões. As alças de acesso não foram projetadas para esses tipos de veículos; então, a altura deles acaba comprometendo o teto”, destaca Berberian.

O professor explica que o excesso de chuvas resulta em três situações arriscadas. Primeiro, há o aumento do peso das estruturas e do concreto por acúmulo de água. “Caso não tenha sido bem dimensionado, a soma desses dois fatores pode causar o desabamento." O segundo problema é a corrosão, pois o oxigênio da água penetra nos poros do concreto e corrói as ferragens — o que ocorreu no viaduto que caiu no Eixão Sul. Por fim, a falta de drenagem acarreta o escorregamento de terra e pode entrar na rede elétrica e provocar curtos-circuitos.

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) informa que seis viadutos estarão inclusos em licitações que envolvem recuperação, reforço e revitalização estrutural. Dois editais foram publicados no Diário Oficial do DF e as licitações ocorrem nesta semana. Os trabalhos devem durar 12 meses e custar mais de R$ 14,3 milhões aos cofres do GDF. A Novacap ressalta que vistoria e estuda projetos para locais sob responsabilidade da empresa e que efetuou reparos em algumas estruturas. “Durante as vistorias não foi identificado nenhum risco de desabamento nos viadutos e pontes”, conclui.

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