Publicidade

Correio Braziliense

Velejadora paraplégica busca ajuda para participar de torneio internacional

Atleta busca colaboração e patrocínio para disputar e realizar o sonho de representar o Brasil na Regata Copa Del Rey Mapfre, na ilha espanhola de Mallorca


postado em 29/04/2019 06:00 / atualizado em 28/04/2019 21:39

Ana Paula Marques, vítima de um tiro, disparado pelo então marido, deu a volta por cima e, por meio do esporte, conseguiu dar novo sentido à vida(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Ana Paula Marques, vítima de um tiro, disparado pelo então marido, deu a volta por cima e, por meio do esporte, conseguiu dar novo sentido à vida (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
A velejadora Ana Paula Marques, atual campeã mundial feminina, terá a oportunidade de disputar o título mais uma vez. O campeonato mundial — Regata Copa Del Rey Mapfre — será, de 27 de julho a 3 de agosto próximo, na Espanha. O desafio, agora, é levantar o dinheiro para custear a viagem. Sem patrocínio e sem bolsa desde a saída do esporte da Paraolimpíada de 2020, ela lamenta que a Federação não tenha como enviar atletas. “No ano passado, conseguimos ir com rifa, vaquinha, empréstimo. Foram só os atletas, sem levar os técnicos”, afirma. Este ano, as estratégias serão as mesmas. Uma vaquinha está aberta e quem quiser ajudar pode entrar no site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campea-mundial-pede-sua-ajuda.

A trajetória da atleta não tem sido nada fácil. Para conquistar o pódio em campeonatos brasileiros e mundiais de vela e de halterofilismo, Ana Paula precisou superar uma lesão na medula, a reabilitação e os treinos exaustivos para quem deseja ser campeão. Mas não só isso. Antes, ela teve que enfrentar dificuldades e criar coragem para se libertar de um relacionamento abusivo. Este ano, o desafio não é pequeno: levantar os recursos necessários para disputar mais um título no mar da Ilha Mallorca, onde ocorrerá o mundial.

(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Com um filho de três anos, a primeira medida foi arrumar um emprego para poder sustentar a ambos, mas isso fez com que as agressões do companheiro piorassem. Quando, finalmente, separou-se, se sentia livre, trabalhava de dia e estudava à noite, levou um tiro do ex-marido, que a perseguia diariamente e que lhe levou à paraplegia.

O crime aconteceu em 2004, em Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre. “No começo da reabilitação, eu nem sabia o que era lesão medular, não sabia que afetava vários órgãos, que os paralisava. Fui aprendendo a descobrir o meu corpo de uma forma diferente. Fiquei com raiva, mas, ao mesmo tempo, querendo superar”, lembra. Ana Paula começou a vir a Brasília, frequentemente, para tratamento no Hospital Sarah Kubitschek, referência em reabilitação.

Aqui, teve contato com esportes, como corrida de cadeira, tiro com arco e gostou da ideia de tentar se descobrir como esportista. Em 2013, mudou-se com o filho em definitivo para a capital. “O esporte foi uma forma de recomeço, deu sentido para a minha vida, pois, até então, eu achava que não tinha possibilidade de fazer mais nada”, conta.

Ana Paula se encantou pela vela adaptada. Para isso, precisava de algum esporte que lhe daria força. Começou também o halterofilismo. Ela subiu ao pódio por causa dos dois esportes diversas vezes.  Os treinos são nas águas do Lago Paranoá, que banham o Clube Almirante Alexandrino. 

No ano passado, foi campeã mundial de vela em um campeonato disputado nos Estados Unidos. Em 2016, ficou em terceiro lugar como velejadora no geral (não havia separação entre masculino e feminino). No mesmo ano, competiu no Mundial na Holanda e ficou em terceiro lugar no feminino (pessoas sem deficiência também competiam). Em 2017, disputou o Mundial na Alemanha e ficou em segundo lugar. “Eu não imaginava  que um dia eu andaria de avião”, anima-se.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade