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Correio Braziliense

Corpo de professor assassinado por aluno é velado na manhã desta quinta

Polícia apreendeu o adolescente acusado de disparar e matar o professor Júlio César Barroso de Sousa em escola de Valparaíso (GO). Corpo será velado hoje, em Santa Maria, e enterrado no Cemitério de Brazlândia


postado em 02/05/2019 06:00 / atualizado em 02/05/2019 11:01

Houve ato ontem em frente ao Colégio Estadual Céu Azul e cartazes de luto foram afixados na fachada(foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)
Houve ato ontem em frente ao Colégio Estadual Céu Azul e cartazes de luto foram afixados na fachada (foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)
Menos de um dia após o assassinato do professor e coordenador Júlio César Barroso de Sousa, 41 anos, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) apreendeu o adolescente de 17 anos indicado como autor do crime. A vítima foi morta com dois tiros — nas costas e na cabeça —, na tarde de terça-feira, no Colégio Estadual Céu Azul, em Valparaíso (GO). Hoje, colegas, amigos e familiares se despedem do educador em velório que ocorre na Capela Divino Espírito Santo, em Santa Maria, às 7h. O corpo será enterrado no Cemitério de Brazlândia.

A força tarefa para capturar o adolescente começou logo após o crime. Assim que o mandado de busca e apreensão foi liberado pela Justiça, na manhã de ontem, os agentes da Polícia Civil de Valparaíso localizaram a mãe do autor. Em um carro descaracterizado, para não chamar a atenção, o delegado plantonista Rafael Pareja e outro policial foram até a residência da mulher. “Ela estava com medo de o filho sofrer algum tipo de agressão. Nós a convencemos de que o melhor seria entregar o filho e que, para evitar qualquer tipo de represália, iríamos sem a viatura. Só então ela nos levou até o local onde o menor estava escondido”, detalha Pareja.

Por volta das 12h30, os investigadores chegaram à casa de parentes do aluno, no Pedregal, em Novo Gama — município goiano distante cerca de 35km da Rodoviária do Plano Piloto. Nos fundos da residência, o encontraram em cima de uma árvore. Após o aval da mãe, ele desceu e se entregou de forma pacífica. Na avaliação do delegado, mesmo abrigando o jovem, o intuito da família era de colaboração. “Não identificamos nenhum plano de fuga, apenas o desejo de garantir que ele seria apreendido conforme os direitos legais.”

Arma 

As investigações da Polícia Civil ainda constataram que o adolescente teria pegado a arma usada para assassinar o professor com um amigo. Em depoimento aos investigadores, ele informou que devolveu o revólver ao dono após o crime. “O menor afirmou que, após uma discussão com a vítima, ficou enfurecido e começou a pensar em quem poderia lhe emprestar um revólver. Conseguiu com o amigo a quem se referiu como Thiago, mas não soube informar sobrenome, idade e paradeiro”, disse o delegado.

De acordo com o investigador, os policiais trabalharão para identificar o dono da arma, para que ele também responda por participação do crime. Rafael destaca que apreender a arma contribuirá para a apuração dos agentes. O delegado ainda ressaltou que o adolescente não resistiu à prisão. “Detalhou o crime, explicou as motivações e não se vangloriou da atitude, percebendo o que fez”, relatou o delegado.

A audiência com o juiz e o promotor da Infância e da Juventude para definir o local onde o adolescente vai cumprir a medida socioeducativa deve ocorrer hoje. Enquanto isso, ele ficará apreendido em uma cela exclusiva para menores infratores no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) de Valparaíso.

Comoção 

A morte de Júlio causou revolta e tristeza entre amigos e familiares. Na manhã de ontem, conhecidos do professor, principalmente companheiros de trabalho, se reuniram no Colégio Estadual Céu Azul para prestar homenagens ao educador. Cartazes, pedindo Justiça, foram colados no portão da unidade de ensino. “Estamos morrendo, no sentido mais literal da palavra”, escreveu um dos participantes do ato.

Ao Correio, a mulher de Júlio, a técnica em enfermagem Daiani Alves, 31, disse que ainda não consegue acreditar na morte do marido. De acordo com ela, o professor era apaixonado pela profissão e sempre tentava ajudar os alunos. “Ele achava que podia mudar as pessoas. Infelizmente, não conseguiu”, afirmou. Morador de Santa Maria, o casal estava junto há 15 anos. Ele deixa dois filhos, de 3 e 6 anos.

Daiani descreve o marido como uma pessoa caseira, que adorava trabalhar e era bondosa com todos. “Ele era um pai muito presente, que participava da vida dos filhos. Um homem muito calmo, na dele, que sempre procurava ajudar a família”, ressaltou. A mulher acrescenta que Júlio nunca teve problema nas escolas onde trabalhou e que sempre foi muito querido por todos os companheiros de trabalho e alunos.

Ela recebeu a notícia da morte do marido quando fazia o trajeto para o trabalho, na W3 Norte. “Muitas pessoas começaram a me ligar, colegas de trabalho e alunos. Na hora, não conseguia entender o que estava acontecendo. Até agora, tudo está muito difícil”, lamentou.

Moradores e comerciantes que ficam próximos ao colégio acompanham cada nova movimentação na área. A dona de uma mercearia, que não quis se identificar, teme pela segurança de toda a comunidade. “É assustador perceber como as crianças e jovens estão se envolvendo no mundo da criminalidade e, muitos, nem compaixão têm. Se matam o professor, quem é que vai ensinar o contrário?”, questiona a mulher.

Memória

Assassinado na escola

As investigações mostram que o crime foi motivado por causa de uma discussão entre o adolescente com uma professora da unidade de ensino, que ocorreu durante a manhã de terça-feira. À frente da coordenação da escola, Júlio interveio e informou ao jovem que ele seria transferido, e foi ameaçado. “Posso até sair da escola, mas não vai ficar assim”, disse o adolescente. O acusado deixou a escola e retornou, armado, por volta das 15h. Vestindo a blusa da instituição, ele entrou pelo portão e seguiu até a sala dos professores. Lá, houve uma breve discussão com Júlio. O adolescente sacou o revólver e apontou para a vítima, que tentou correr, mas foi em vão. O primeiro disparo o atingiu nas costas e, o segundo, a cabeça. 

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