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Correio Braziliense

Mulher é presa após adquirir R$ 220 mil em fraudes com o seguro DPVAT

A suspeita de 41 anos mantinha uma empresa de eventos, onde conseguia dados de trabalhadores para usá-los nos golpes. Ela recebeu as quantias em 16 indenizações de invalidez permanente


postado em 16/05/2019 21:25 / atualizado em 16/05/2019 21:40

Agentes apreenderam documentos, notebooks, computadores e celulares(foto: PCGO/Divulgação)
Agentes apreenderam documentos, notebooks, computadores e celulares (foto: PCGO/Divulgação)
Uma mulher de 41 anos está presa preventivamente por receber R$ 220 mil em fraudes no seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). A suspeita entrou com pelo menos 16 pedidos de indenizações por invalidez permanente. Nesta quinta-feira (16/5), agentes da Delegacia de Luziânia também cumpriram quatro mandados de busca e apreensão. 

Segundo o delegado Danillo Martins, a acusada é investigada há 10 meses, quando a Seguradora Líder, a responsável pelo repasse financeiro do DPVAT, realizou um boletim de ocorrência na unidade policial. “Notou-se que, nos últimos anos, houve um crescimento significativo nos pedidos por estas indenizações. A partir disso, apurou-se internamente os casos, o que levou até os pedidos dessa mulher”, explica. 

A suspeita, formada em direito, fraudava todos os documentos necessários para a entrada dos pedidos de indenização, como ficou comprovado na apuração do caso. De acordo com Danillo Martins, ela realizava assessoria jurídica para advogados em Luziânia e, assim, tinha acesso aos materiais necessários. 
 
 
 
“Ela pegou os documentos padrões e apenas realizava algumas mudanças, para que não chamasse a atenção interna na seguradora. Nos registros constavam que a pessoa tinha sido vítima de acidente de trânsito e que tinha ficado com sequelas permanentes, tais como paraplegia, hemiplegia e perda de membros” destaca.

A mulher falsificou diversos documentos públicos, como boletins de ocorrência das Polícia Civil de Goiás e Distrito Federal; laudos do Instituto Médico Legal (GO e DF);  ocorrência do Corpo de Bombeiros de Goiás; relatórios médicos do Hospital de Base e do Hospital Municipal de Luziânia. Ela também fraudou documentos particulares dos falsos acidentados, como comprovantes de residência. Desse modo, ela dava entrada no pedido de seguro no valor máximo de R$13,5 mil pela debilidade permanente.

Os únicos dados verdadeiros utilizados pela golpista eram das supostas vítimas dos acidentes, que não sabiam dos golpes. “A acusada tem uma empresa de eventos, localizada na cidade de Luziânia, por onde passa vários prestadores de serviços como garçons, cozinheiros e seguranças. Aproveitando o vínculo de trabalho, a investigada obtinha cópia dos documentos pessoais dessas pessoas, alegando que seria para registro de carteira de trabalho”, esclarece o delegado. 

Danillo Martins indica que, após a mulher ganhar a confiança destes trabalhadores, ela inventava uma história para ganhar acesso às contas das vítimas. “Como o seguro só é recebido na conta da própria vítima, ela tinha que conseguir estes dados. Ela afirmava que ia receber dinheiro de devedores, mas que estava com a conta bancária bloqueada. Assim, ela obtinha o cartão e senha dos funcionários”, acrescenta.
 
Policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Luziânia e Valparaíso (foto: PCGO/Divulgação)
Policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Luziânia e Valparaíso (foto: PCGO/Divulgação)
 

Doze empregados tiveram os dados usados nos golpes e, quatro, foram informações de familiares da acusada, sendo dois filhos, um cunhado e um genro. Os alvos das buscas desta quinta-feira (16) foram a casa e empresa da mulher, além da residência de parentes. 

Policiais apreenderam diversos documentos, três notebooks, um computador e um celular. Os objetos serão encaminhados para a perícia da Polícia Civil. “A investigação continua, pois acreditamos que ela recebeu ajuda para realizar todas estas fraudes. Portanto, nosso foco é identificar os possíveis comparsas”, acrescenta o delegado Danillo Martins. 

A ação foi batizada de Operação Parálysis, palavra do grego que significa paralisia, uma das doenças inventada pela acusada para receber as indenizações do seguro DPVAT. 

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