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Correio Braziliense

Jovem atropelado por motorista bêbado recorre à Justiça para salvar perna

O tratamento por curativo à vácuo não está disponível na rede pública. Além do procedimento, Iago precisará de uma prótese para a perna esquerda


postado em 17/05/2019 11:57 / atualizado em 17/05/2019 14:04

Mesmo com dor, Iago afirma estar feliz por estar vivo e luta para salvar a perna (foto: Reprodução/TV Brasília)
Mesmo com dor, Iago afirma estar feliz por estar vivo e luta para salvar a perna (foto: Reprodução/TV Brasília)


Duas semanas após o acidente causado por um motorista bêbado, que atropelou três adolescentes em uma rua residencial de Ceilândia, a vítima que ficou em estado mais grave, Iago Rodrigues Pereira, 14 anos, luta para salvar a perna direita. Na tarde de quinta-feira (16/5), o jovem precisou entrar no centro cirúrgico para fazer uma limpeza dos ferimentos, que estão infeccionados. Após o procedimento, a equipe médica do Hospital de Base sugeriu um tratamento com curativos à vácuo, indisponível na rede pública de saúde. A família recorre à Justiça para conseguir que o governo arque com os custos. 

"É um tratamento caro e que precisa ser feito para que o Iago consiga se curar. Vamos fazer de tudo para garantir isso a ele", conta o pai do jovem, Pedro Pereira, 44. Além do desafio para pagar pelos curativos, a família também precisará juntar dinheiro para conseguir uma prótese, já que o pé esquerdo de Iago foi amputado. 

Em entrevista exclusiva para a TV Brasília, parceira do Correio Braziliense, Iago falou pela primeira vez à imprensa após o acidente. Ele relata que se sente melhor a cada dia, mas que precisa lutar contra as fortes dores causadas pelos ferimentos. "Fiquei não sei quantos dias sem comer e beber água. Desânimo total, não conseguia fazer nada, só ficar parado", conta. A posição na cama em que ele é obrigado a ficar é uma das reclamações do menino. "Nunca gostei de dormir de frente, só de lado. Agora eu tenho que dormir assim porque não tenho outra escolha.". 



Apesar das dores e desconfortos, ver um sorriso de Iago não é algo incomum. Ele sonha em conseguir uma prótese e deixa um recado: "Eu quero agradecer a todos que estão orando por mim. Fico muito feliz e isso me dá força aqui no hospital. Quero aprender a andar com a prótese, voltar a brincar, correr, jogar bola", espera. 

Luta por Justiça


Além de acionar o Ministério Público para conseguir a verba para o tratamento, a família de Iago e das duas outras vítimas — Gabriela, 16, e Luan, 14 — ainda contam com a Justiça no julgamento do responsável pelo atropelamento. José Joaquim Pacheco Portela, 62 anos, responderá pelos crimes em liberdade. Ele foi autuado por embriaguez ao volante e três tentativas de homicídio. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o acusado já tinha uma passagem por envolvimento em um acidente enquanto dirigia sob efeito de álcool, em 2017. 

O crime aconteceu no fim da tarde de sexta-feira (3/5), no Conjunto J da QNP 21, em Ceilândia. Segundo as apurações, José Joaquim andava na contramão e em alta velocidade no bairro residencial quando atingiu os três adolescentes pelas costas. O veículo parou apenas depois de se chocar contra um contêiner, que imprensou as pernas de Iago. "Acho muita irresponsabilidade. Ele tem noção do que pode acontecer e, mesmo assim,  bebe e dirige. Do mesmo jeito que aconteceu comigo, pode acontecer com vários. Então agora eu quero justiça", espera Iago. 

Iago é o único que ainda segue internado. Luan foi liberado horas depois do acidente. Já Gabriela está em casa desde terça-feira (14/5). Ao Correio ela disse não se lembrar do acidente. "Eu só sinto bastante dor na cabeça e no pé. Mas tirando isso, estou bem melhor". A jovem está com uma tala no tornozelo e precisa ficar em repouso absoluto, já que sofreu uma fratura na pelve. No entanto, ela não precisou passar por procedimento cirúrgico.  

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