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Correio Braziliense

Nevoeiro, sol e frio: tempo inconstante pega brasilienses de surpresa

Moradores se surpreendem com as mudanças bruscas no tempo e tentam se adaptar ao calor e à baixa temperatura, além da chuva, seguida de queda da umidade


postado em 20/05/2019 06:00 / atualizado em 20/05/2019 08:32

Domingo amanheceu com névoa sobre o DF(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Domingo amanheceu com névoa sobre o DF (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Não é novidade que o clima em Brasília anda estranho e, neste mês, a recorrente mudança tem chamado a atenção dos brasilienses. Desde o fim de semana, moradores comentam sobre as transições bruscas: neblina nas primeiras horas do dia; ainda pela manhã, a abertura de um céu azul acompanhado do calor; e, para fechar com chave de ouro, noites frias. Essa oscilação ocorre devido a uma massa de ar frio e seco, oriunda do extremo dos polos do planeta, a qual sobe pelo Sul do país e atinge outras regiões, incluindo o Centro-Oeste, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O fenômeno que provoca as mudanças no tempo é complexo. No entanto, o resultado dele é simples: aquela preguiça para sair debaixo das cobertas e a dúvida se a chuva cai ou não. Segundo o Inmet, a resposta é: sem previsão de precipitações até o fim do mês. Para hoje, a mínima registrada foi 12ºC, durante a madrugada . A umidade relativa do ar varia de 90% a 30%, sendo que o pico mais baixo acontece quando os termômetros marcam a máxima, que pode chegar a 30ºC.

Nesta segunda-feira (20/5), o clima também varia, mas sem os extremos vistos no domingo, por exemplo. O céu fica entre claro e parcialmente nublado e não há previsão de chuva. No entanto, um casaco de emergência é boa idiea, pois, no fim da tarde, a temperatura cai. Já o nevoeiro não deve aparecer mais esta semana.

Ver galeria . 6 Fotos Ed Alves/CB/D.A Press
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Kit brasiliense

A consultora de moda Karen Boaventura, 29 anos, não deixa de carregar um "kit brasileinse" nada na bolsa ou no carro. Para a moradora de Taguatinga Sul, é melhor não ser pega de surpresa pelo tempo de Brasília. “A gente nunca sabe o que esperar para o dia. Eu mesma já desisti de ver diariamente a previsão, pois acho mais fácil carregar o necessário”, ponderou. 

Karen saiu de casa ontem na segunda fase: a de sol e calor. Ela decidiu levar as filhas, Lara, 4, e Alice, 3, para passarem um dia no Parque da Cidade. A jovem foi acompanhada da amiga e turismóloga Luana Ayala, 35, e a filha, Elisa, 4. “Só decidi sair de casa depois da neblina mesmo, pois estava tão frio, que preferimos dormir mais algumas horas”, contou, aos risos. 

(foto: Sara Peres/CB/D.A Press)
(foto: Sara Peres/CB/D.A Press)


Luana não achou ruim chegarem ao parque por volta das 10h. No local, apreciaram o céu de brigadeiro e estenderam a canga na sombra. “Só que, aí, ficamos com frio. Já tivemos de mudar de espaço umas duas vezes, isso porque, no sol, sentimos calor. Aqui tem um tempo muito louco, né?”, sugeriu a moradora de Águas Claras. 

E, se quem nasceu e foi criado aqui não se acostuma com o tempo, quem é de fora sofre para se adaptar, como é o caso do baiano Felipe da Silva, 32. “Para mim, Brasília sempre foi e continuará sendo um mistério. Na semana passada mesmo, estava um calor forte. Chega sexta-feira e começa aquele nevoeiro todo. Tem como explicar uma coisa dessa?”, questionou o morador de Samambaia Sul e assistente de manutenção. 

Nevoeiro e frio 

Segundo o meteorologista Manoel Rangel, a massa de ar fria e seca, também chamada pelos especialistas de sistema de alta pressão, é a causa dos nevoeiros na capital. Isso acontece em decorrência da queda de umidade em conjunto com a baixa temperatura à noite. Ao amanhecer, esse tempo se mistura com o calor da chegada do dia. A combinação resulta neste fenômeno.

“Estas são algumas características imediatas deste sistema de alta pressão. Ele é tão forte que chega a atingir o extremo sul do Norte, em estados como Acre e Roraima. Aqui no DF, as consequências são frio à noite, umidade relativa do ar baixa e, por último, altas temperaturas durante o dia. Esse é o cenário até o fim de maio”, afirmou Manoel Rangel. 

O especialista destaca que, nesta época, Brasília já passa pela transição do outono para o inverno, que chega em 21 de junho. “Então, a tendência é continuar frio e, a cada dia, mais seco. Isso permanece até o ponto crítico do ano na capital, que é em agosto, quando despenca a umidade e chega o forte calor”, ressaltou.

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