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Correio Braziliense

Família não sabia de agressões sofridas por professora assassinada

O ex-namorado da vítima era policial civil e havia sido condenado por violência doméstica. Parentes questionam por que ele tinha autorização para andar armado


postado em 20/05/2019 14:33 / atualizado em 20/05/2019 15:21

Policiais no prédio onde Debora foi assassinada pelo ex-namorado(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Policiais no prédio onde Debora foi assassinada pelo ex-namorado (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Em um apartamento na Asa Norte, amigos, colegas e familiares de Debora Tereza Correa, 43 anos, se reúnem desde que receberam a notícia da morte da professora da Secrectaria de Educação. No local, muito choro e questionamentos indignados sobre o que levou Sérgio Murilo dos Santos, 52, a tirar a vida da ex-namorada.

O crime aconteceu nesta segunda-feira (20/5), em um prédio da Secretaria de Educação do Distrito Federal. O policial civil entrou armado no edíficio, localizado na 511 Norte, onde funciona a Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro, e atirou contra Debora. Em seguida, tirou a própria vida. Agentes da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) investigam o caso.

Debora e o policial civil Sergio Murilo(foto: Reprodução)
Debora e o policial civil Sergio Murilo (foto: Reprodução)
Ao Correio, o irmão mais velho da vítima, Samuel Correa, 53 anos, contou que Debora era uma pessoa reservada em relação à vida pessoal. Por isso, a notícia pegou a toda a família de surpresa. "Ela era muito divertida, mas na dela. Do tipo que não contava os problemas para os outros, pois acreditava que podia resolver tudo sozinha", disse. 

Por que armado?

Os familiares só souberam das medidas protetivas e da condenação de Sergio por violência doméstica após a morte da servidora. "Ela havia nos relatado que teve esse relacionamento complicado com ele (Sérgio). Mas minha irmã nunca chegou com uma marca de agressão, então não sabíamos sobre a violência que ela sofria, tampouco das perseguições", afirmou. "Com todo esse histórico, por que alguém como ele continuava armado?", questionou-se.

Samuel recebeu a notícia por telefone da mãe, de 72 anos. "Os amigos de trabalho da Debora contaram para a minha mãe, que já estava no apartamento da minha irmã. Só depois ela conseguiu me dizer o que aconteceu. Tudo saiu embaralhado. Ela está muito mal com tudo isso", lamentou.

A mãe de Debora chegou a passar mal no apartamento e foi levada para a emergência de um hospital no Lago Sul. Ela não conseguia caminhar sozinha e precisou ser apoiada por familiares. Além da mãe e do irmão mais velho, Debora deixa o pai, de 82 anos, e outro irmão, de 51. Ela era a caçula da família, não era casada nem tinha filhos.

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