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Correio Braziliense

Desde o início do ano, 16 pessoas morreram por dengue no Distrito Federal

O boletim mais recente da Secretaria de Saúde apontou 19.812 casos notificados, sendo 17.304 deles considerados prováveis


postado em 21/05/2019 19:42 / atualizado em 21/05/2019 20:37

Até 11 de maio, 16 pessoas morreram por dengue no Distrito Federal(foto: Agência Brasil/Divulgação)
Até 11 de maio, 16 pessoas morreram por dengue no Distrito Federal (foto: Agência Brasil/Divulgação)
O Distrito Federal vive uma epidemia de dengue em 2019, segundo a Secretaria de Saúde. Até 11 de maio, 16 pessoas morreram com a doença, mas esse número pode ser maior, pois quatro óbitos notificados ainda estão sob investigação. Outros 30 pacientes apresentaram um quadro grave da virose. No mesmo período de 2018, uma morte e dois casos considerados graves foram registrados. 

O último boletim epidemiológico da pasta apontou a existência de 19.812 casos notificados, sendo 97,1% de moradores do Distrito Federal. Desse total, 17.304 são considerados como prováveis. No mesmo período do ano passado, o número de notificações ficou em 3.449 (474,4% a menos), com 2.135 casos prováveis.

Para a Secretaria de Saúde, a diferença se deve a uma predominância de infecções provocadas pelo Tipo 2 do vírus causador da dengue. Em anos anteriores, a contaminação pelo vírus Tipo 1, considerado menos agressivo, era mais frequente.

“Acompanhando a tendência nacional, o tipo que está circulando hoje no DF é o sorotipo 2 e, geralmente, o desfecho dele é menos favorável. O próprio Ministério da Saúde espera que a possibilidade de óbitos seja maior quando esse vírus circula no meio”, explicou a subsecretária de Vigilância à Saúde, Eliane Faria Morelo. A suspeita é de que o vírus do Tipo 2 tenha chegado ao país durante a Copa do Mundo de 2014.

Em relação às mortes, a subsecretária ressaltou que o número pode cair, pois o registro do último boletim leva em conta mortes de pacientes de outros estados no Distrito Federal. Mas, se comparado ao documento divulgado em 27 de abril, o número de óbitos cresceu. Na ocasião, foram 10 mortes.

As cidades do Itapoã, Paranoá e São Sebastião continuam sendo as que mais registram casos prováveis. Contudo, no boletim epidemiológico divulgado em 11 de maio, São Sebastião conseguiu reduzir em 70% o número de registros, passando de 271 casos em janeiro, contra 83 em abril.

Fumacê 


Em 6 de maio, o Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT-10) interditou o serviço conhecido como fumacê — pulverização de inseticida para combater o mosquito Aedes aegypti — em todo o Distrito Federal. A proibição decorreu de uma diligência na Diretoria de Vigilância Ambiental do Distrito Federal (Dival), em Taguatinga, onde ficam os equipamentos usados no serviço. Segundo o órgão, os itens de proteção fornecidos para os trabalhadores não eram suficientes para protegê-los da exposição à fumaça. 

“A interdição foi um ato excepcional e extremo, mas necessário. Há anos, esse problema acontece, mas a situação não se resolve. Há décadas, os trabalhadores da área são envenenados, vindo a desenvolver câncer. A atividade é feita todo ano e o governo precisa se planejar com antecedência e garantir todo o equipamento, o treinamento e as condições necessárias”, destacou a procuradora do MPT-10 Renata Coelho.

A subsecretária Eliane Faria Morelo afirmou que a Saúde resolveu quase todas as questões apontadas pelo órgão. "Estávamos sem manutenção havia alguns anos e corríamos atrás desses contratos. Os itens apontados pelo Ministério Público ja´foram sanados, como a questão da parte elétrica e de algumas instalações", detalhou. 

Em relação à capacitação e aos exames de saúde dos profissionais que trabalham com a pulverização do inseticida, Eliane afirmou que uma parceria com a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) permitiu a atualização desses servidores e que os registros do quadro de saúde deles estão em dia, uma vez que são chamados anualmente para fazer acompanhamentos periódicos. 

Ela também destacou que o fumacê tem critérios para ser aplicado e que o Ministério da Saúde recomenda que ele seja usado quando há índice de infestação do mosquito adulto acima de 4%. No DF, segundo a Secretaria de Saúde, o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) apontou taxa de infestação de 1,4%. "Se não tenho larva, não tenho mosquito adulto. Não teria nem indicação para fazer o fumacê", completou Eliane. Diante disso, a pasta optou por intensificar as visitas às residências para identificar focos da dengue e aplicar larvicidas.
 

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