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Correio Braziliense

'Ele está muito abalado', diz mãe de pastor alvo de tiros em Paracatu (MG)

Rudson Aragão Guimarães, que matou a ex-namorada e outras três pessoas em Paracatu (MG), tentou tirar a própria vida dentro da unidade de saúde, mesmo com a supervisão de dois agentes prisionais


postado em 24/05/2019 06:00 / atualizado em 23/05/2019 23:13

Principal alvo da revolta de Rudson, o pastor da Igreja Batista Shalom, Evandro Rama, 39, recebeu alta do Hospital Municipal de Paracatu e voltou para casa nesta quinta-feira (23/5)(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
Principal alvo da revolta de Rudson, o pastor da Igreja Batista Shalom, Evandro Rama, 39, recebeu alta do Hospital Municipal de Paracatu e voltou para casa nesta quinta-feira (23/5) (foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)

 

A direção do Hospital Municipal de Paracatu pediu à Polícia Civil local que o responsável pelo massacre em uma igreja evangélica do município mineiro fosse transferido para outra unidade de saúde da cidade. Na manhã desta quinta-feira (23/5), Rudson Aragão Guimarães, 39 anos, tentou suicídio ao desferir três golpes no próprio pescoço com um bisturi.

A solicitação partiu do chefe da unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital, Fabiano Finotti, que ficou preocupado com a segurança da equipe médica que supervisiona o assassino após o episódio desta quinta-feira (23/5). A direção do Hospital Municipal instaurou uma investigação administrativa para averiguar como Rudson pegou o bisturi mesmo sob a vigilância de dois agentes prisionais. O assassino foi atendido por médicos da UTI e da equipe cirúrgica. O estado de saúde dele é estável.

Delegada de homicídios da 2ª Delegacia Regional de Paracatu e uma das responsáveis por investigar a tragédia da noite de terça-feira (21/5), Thays Silva explicou que o assassino foi autuado em flagrante por cinco crimes: quatro homicídios duplamente qualificados e uma tentativa de homicídio duplamente qualificada. Segundo a Polícia Civil, incidiram nos delitos de Rudson o motivo fútil e a impossibilidade de resistência das vítimas.

Até o momento, a corporação não trata uma das mortes, a da ex-namorada do homem, Heloísa Vieira Andrade, 59, como feminicídio — Rudson a assassinou com um golpe de canivete no pescoço. Apesar disso, ao decorrer das investigações, a hipótese pode ser considerada. “Não havia medida protetiva contra o suspeito, incidência de violência doméstica ou discriminação à mulher, mas destacamos que a motivação exata continua em apuração”, declarou a delegada.

Pastor em casa

Principal alvo da revolta de Rudson, o pastor da Igreja Batista Shalom, Evandro Rama, 39, recebeu alta do Hospital Municipal de Paracatu e voltou para casa nesta quinta-feira (23/5). Ele estava internado na unidade de saúde desde a noite de terça-feira (21/5), onde deu entrada após fraturar o tornozelo esquerdo ao fugir de Rudson.

O religioso está com o pé imobilizado e será submetido a cirurgia na próxima segunda-feira (27/5). Mãe do pastor, a cozinheira Maria Aparecida Loures, 57, disse que o filho está traumatizado com a experiência. “Ele está muito abalado com tudo o que aconteceu e se sentindo um pouco culpado, pois as mortes aconteceram por uma desavença entre ele e o Rudson”, disse.

Maria Aparecida reforçou as informações da Polícia Civil e de fiéis da igreja de que Rudson cometeu a tragédia após perder um cargo na igreja há dois meses. Ele era intercessor na comunidade evangélica e auxiliava o pastor a conduzir orações para os fiéis. No entanto, após ser alertado de problemas pessoais do assassino, Evandro o retirou da função. Tentou auxiliá-lo, mas Rudson não se mostrou interessado nos conselhos do pastor e foi expulsou da igreja.

“Ele se revoltou contra o meu filho e passou a ofender o Evandro pelas redes sociais. Meu filho sempre me falava que tinha receio do que o Rudson poderia fazer, pois ele aparentava ser uma pessoa agressiva e, nesta semana, nós vimos do que ele é capaz”, lamentou.

Maria Aparecida perdeu o marido Antônio Rama, 67, na chacina. O idoso foi assassinado dentro da igreja, com um tiro na cabeça, assim como Marilene Martins de Melo Neves, 52, e Rosângela Albernaz, 50. Maria Aparecida e Antônio eram casados há quatro décadas. Para tentar lidar com a saudade do companheiro, ela recebeu o auxílio de toda a comunidade evangélica, mas reconhece que vai demorar a assimilar a perda.

“Estou orando aos céus e pedindo forças a Deus. Só ele pode me sustentar agora. Tenho de ser resistente, especialmente para os nossos quatro netinhos, que eram muito apegados ao Antônio. Para confortar o coração deles, disse que o vovô se despediu da gente para ser uma estrela no céu”, contou.

A Igreja Batista Shalom voltará a abrir somente na próxima semana. O templo precisará passar por alguns reparos, pois, no dia da chacina, Rudson quebrou uma barra de ferro do portão de entrada do prédio e estilhaçou uma vidraça no salão onde são feitos os cultos da comunidade.

Além disso, os fiéis continuam aterrorizados com os massacres. O técnico de segurança do trabalho Denerson Pereira, 26, presenciou os momentos finais da ação de Rudson e não consegue esquecer os instantes de terror. Para superar o trauma, ele buscará a ajuda de um psicólogo. “É difícil. Quando fecho os olhos, a imagem vem na minha mente, e parece que está acontecendo de novo”, afirmou.



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