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Correio Braziliense

Projeto Motirõ: 160 voluntários levam atividades sociais à escolas do DF

Projeto social atua em escolas do DF em situação de vulnerabilidade por meio da união de voluntários para mudar a realidade dos alunos


postado em 25/05/2019 07:00 / atualizado em 25/05/2019 00:56

Grafite feito pelos artistas voluntários do Motirõ no CEF 507, em Samambaia(foto: Divulgação)
Grafite feito pelos artistas voluntários do Motirõ no CEF 507, em Samambaia (foto: Divulgação)


Inspirar futuros e transformar realidades por intermédio de ações coletivas e amor ao próximo, esses são os objetivos do projeto Motirõ. Originário do Tupi Guarani, Motirõ significa uma reunião de pessoas para colher ou construir algo juntos, uns ajudando os outros. A tradução do nome transmite, com precisão, a essência do projeto que, há quatro anos, atende escolas públicas do Distrito Federal em situação de vulnerabilidade. Unidos, cerca de 160 voluntários de diferentes áreas de atuação se mobilizam para levar aos alunos uma perspectiva de vida melhor.

Psicólogos, manicures, cabeleireiros, grafiteiros, médicos, advogados, professores de dança e artes marciais, entre outros profissionais se dedicam ao Motirõ. Atualmente o projeto atende o Centro de Ensino fundamental (CEF) 507 e o 412 de Samambaia Sul. Diferentemente de outros projetos sociais, o Motirõ não faz eventos isolados, os voluntários que participam da iniciativa se instalam nas escolas por tempo indeterminado com ações diárias, até que a realidade do ambiente seja transformada.

Ao entrar numa escola para começar o projeto, os profissionais fazem uma ação com os professores. Trabalham a autoestima e o psicológico do corpo docente da escola, para depois atuar com os alunos. “Por ser um ambiente bastante complicado, as escolas públicas do DF têm um índice muito alto de professores que ficam doentes e recorrem ao atestado médico. Então, antes de qualquer coisa, trabalhamos essas pessoas. Chamamos manicures, cabeleireiros, psicólogos para trazer de volta a alegria de ensinar”, contou Flávio Almeida, diretor administrativo do projeto.

Depois da atividade com os professores, a jornada de transformação do ambiente escolar, da estrutura e da vida dos alunos se inicia. As escolas em que o projeto atua têm grande índice de violência, consumo e venda de drogas, bullying e alunos deprimidos. As ações são desenvolvidas para reverter esse quadro. “Nós fazemos terapia em grupo com os alunos e depois selecionamos os casos mais críticos para fazer acompanhamento psicológico individualmente”, explicou Flávio. “Existem alunos de 12 anos com depressão, quadro de automutilação e os pais do adolescente não sabem lidar com a situação, nós entramos para auxiliar no processo de cura desse aluno e conscientizar a família”, disse o diretor do projeto.

A área de atuação que mais necessita de voluntários é a psicologia, justamente pela grande demanda para tratamento de quadros de depressão nas escolas. “Temos sete psicólogos cadastrados no nosso banco de voluntários, todos os sete são atuantes e mesmo assim ainda precisamos de mais profissionais para conseguir atender todas as escolas que solicitam nosso trabalho”, revelou Flávio Almeida.

Segundo o diretor administrativo, cada psicólogo dedica um dia inteiro da semana para o atendimento nas escolas em que o projeto atua. Atualmente, oito escolas estão na fila de espera para receber o projeto. “Os diretores me ligam pedindo socorro, solicitando o trabalho do Motirõ, mas não conseguimos atender a todos. Por isso precisamos de mais voluntários, principalmente psicólogos”.
 
Karine Mota:
Karine Mota: "Agora eu consigo ver o quadro melhor, consigo me concentrar mais na aula" (foto: Aline Brito/Esp. CB/D.A Press)
 
 

Transformação

Durante a atuação do Motirõ, a mudança nas escolas é perceptível. O primeiro centro de ensino que recebeu o projeto em 2015, uma escola do Sol Nascente, teve uma diminuição considerável nos índices de violência. “Nossos voluntários são 100% engajados, e as crianças acabam se envolvendo também. Nós modificamos a ‘cara’ da escola, pintamos os muros, e os alunos passam a se identificar com o ambiente escolar e a respeitar a estrutura da escola”, contou Flávio Almeida. Segundo o diretor administrativo do projeto, com a atuação do Motirõ, os casos de vandalismo e depredação do ambiente escolar são extintos.

Diretor do CEF 507 de Samambaia Sul, Elisson Pereira dos Santos enxerga a atuação do projeto como uma esperança para mudar a realidade em que a escola sempre se encontrou. “Eu achei muito viável diante da situação que a escola sempre se colocou. Aqui tem muita violência, uma falta de acompanhamento, um estereótipo da comunidade da Samambaia em relação à nossa escola. Então achei de bom grado ter uma ação diferenciada voltada para projetos”, revelou o Elisson.

Elisson sempre se preocupou com a realidade dos alunos do CEF 507 e buscava levar iniciativas que ampliassem os horizontes dos adolescentes. “De 2013 para cá tivemos um aumento no número de assaltos no perímetro da escola, de alunos em situação de vulnerabilidade, começamos a perceber alguns alunos com ideação suicida. Ficamos dois anos sem orientador educacional, professores foram ameaçados, então nós tínhamos que mudar isso”, disse o diretor.

“A gente recebe aqui o reflexo do que os meninos vivem nas famílias. Muitas vezes nos vimos limitados, porque alguns casos da indisciplina do aluno estão associadas a um problema emocional e psicológico. Quando o Mutirõ apresentou a proposta de atendimento, eu vi como uma luz para transformar a escola e os alunos”, acrescentou Elisson, que disse nunca ter visto, em todos os anos em que atua dentro de escolas do DF, um projeto que trabalhe todos os aspectos que o aluno precisa para mudar a realidade em que está inserido.

Além dos benefícios psicológicos e de melhoria da estrutura da escola, segundo o diretor do centro de ensino, as ações do Mutirõ despertam os sonhos nos alunos e dão a eles novas perspectivas de vida. “Depois de duas ações do Motirõ, a gente começa a perceber um impacto imediato tanto na questão da autoestima do professor, quanto da comunidade. Percebemos um olhar diferente. Os alunos começam a querer fazer parte do projeto, como participar da redecoração da escola por meio do grafite”, completou Elisson.

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Expansão

42 escolas de Samambaia serão atendidas pelo projeto.

novas escolas serão beneficiadas até agosto de 2019.

escolas de diferentes estados brasileiros estão interessadas em receber o projeto. A expansão para esses estados começará ainda este ano.

SERVIÇO

Para ser voluntário, o interessado deve procurar o Motirõ no Instagram (@coletivomotiro) e enviar uma mensagem. Os candidatos deverão, então, preencher um formulário e, depois, participarão de uma oficina de treinamento.

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