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Correio Braziliense

Sobrevivente de crime no Cruzeiro faz relato da tragédia

Joenil Queiroz assassinou a esposa e baleou Francisco de Assis. Ele está em estado grave no Hospital de Base


postado em 12/06/2019 19:50

Crime aconteceu no apartamento do autor no Cruzeiro Novo(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Crime aconteceu no apartamento do autor no Cruzeiro Novo (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Ainda trêmulo e sem conter as lágrimas, Marcelo Soares Brito, 40, descreveu crime que presenciou no apartamento do terceiro andar de um prédio residencial do Cruzeiro Novo. “Foi horrível. Ele deu um tiro na cabeça do Francisco e o sangue voou na parede”, relembra. Na noite desta quarta-feira, dia dos namorados (12/6), o síndico do prédio, Joenil Queiroz, de 50 anos, matou a própria esposa, Francisca Náidde de Oliveira Queiroz, 57, e baleou o companheiro de Marcelo, Francisco de Assis, 42.
 
Marcelo e Francisco são companheiros e estão juntos há cinco anos. Eles moravam no bloco G, onde o crime aconteceu, mas há cerca de um ano, decidiram se mudar para um condomínio em Santa Maria. Eles mantiveram o aluguel do apartamento, mas quem passou a habitar o local foram as primas de Marcelo, Irina e Raína Rocha. Segundo o sobrevivente, logo que foi morar no apartamento, o síndico lhe tratava com educação, mas depois de algum tempo o comportamento mudou. “Não nos cumprimentaa mais e a gente não sabia o motivo”, relata.
 
Diversas vezes ele e Francisco iam ao prédio visitar as primas, mas Joenil, que é sargento da reserva da Aeronáutica, nunca falava com eles. Na terça-feira, o casal foi ao apartamento buscar um computador e quando estavam se despedindo de Irina e Raína, o militar, que estava com a esposa, os avistou. “Ele foi pra casa e desceu armado. Estava muito nervoso e disse que queria conversar com o Francisco. Ele disse que não iria sozinho, então eu fui junto.”
 
Joenil, Francisca, Marcelo e Francisco foram até o apartamento do síndico em silêncio e lá ele mandou que todos se sentassem. “Ele começou a falar coisas que eu não sei de onde tirou. Disse ao Francisco que sabia que ele estava tendo um caso com a mulher dele, alegou ter vídeos dos dois juntos e mandou ele confessar. Se ela tinha um amante, não era ele. Coloco a mão no fogo por ele”, disse emocionado.
 
Francisco é motorista de Uber e teria feito algumas corridas para a mulher, o que teria motivado a raiva de Joenil. “Ele confessou que teria aplicado uma correção na esposa batendo nela. Depois disse que ia mostrar como resolvia uma situação com quem se envolve com mulher casada: ou se corta o pinto ou se tira a vida.” Foi então que o militar atirou em Francisco e em seguida na esposa. Em meio ao caos, Marcelo conseguiu escapar pela porta que estava aberta e saiu correndo e gritando até conseguir se esconder em um ponto de táxi e ligar para um amigo pedindo socorro.
 
Joenil ainda correu atrás, mas foi pego por Policiais Militares assim que saiu do prédio. As primas de Marcelo chamaram os oficiais assim que a confusão começou. Antes de morrer, Francisca teria dito que tinha Francisco como filho. “Uma pobre senhorinha. Eu nunca soube nem o nome dela”, chorou Marcelo, amparado por Raína.

Saiba mais
 
Francisca foi morta a tiros na noite desta quarta-feira (12/6). Joenil Queiroz, é síndico do prédio, pastor e atirou ao menos cinco vezes contra as vítimas. Ela morreu na hora e teria entrado na frente de Francisco na hora dos disparos. Ele foi atingido na cabeça e no tórax e encaminhado em estado grave para o Hospital de Base. Com Joenil, a polícia encontrou uma pistola calibre .380.  
 
Segundo moradores que não quiseram se identificar, Joenil era pastor e sempre mandava mensagens de paz e amor pelas redes sociais. “Estava sempre falando de Deus, era educado e cumprimentava a todos”, declarou um vizinho. O caso é investigado pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) 

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