Jornal Correio Braziliense

Cidades

Vítima de feminicídio no Cruzeiro é velada pela família em capela fechada

Amigos e familiares de Francisca Bonfim de Queiroz, 57 anos, pediram privacidade à imprensa

Em cerimônia fechada, restrita a familiares e amigos, Francisca Bonfim de Queiroz, 57 anos, foi velada, na manhã desta sexta-feira (14/6), no Cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul. O velório ocorre com as portas da capela parcialmente fechadas. Atendendo a um pedido da sobrinha de Francisca, para que eles tivessem privacidade na despedida, a reportagem do Correio não registrou o momento.

Enquanto a equipe esteve lá, foi possível constatar o clima de forte comoção entre os presentes. Francisca é a 15; vítima de feminicídio no Distrito Federal. Ela foi assassinada na quarta-feira (12/6), na quadra 1405 do Cruzeiro Novo. O marido, o sargento da Aeronáutica reformado Juenil Bonfim de Queiroz, atirou nela e no ex-vizinho, Francisco de Assis, 42. O sargento teria cometido o crime por ciúmes, pois acreditava que Francisca teria um caso com Francisco.

O crime foi filmado pelo marido de Francisco, Marcelo Soares Brito, 40. Ele testemunhou o assassinato e conseguiu escapar vivo porque saiu correndo do apartamento e porque uma equipe da Polícia Militar chegava para atender ao pedido de socorro de vizinhos. Juenil foi preso em flagrante e ficará na cadeia por tempo indeterminado.

Entenda o caso

Francisco de Assis e Marcelo Soares Brito são casados há cinco anos. Eles viveram no prédio onde aconteceu a tragédia por um período, mas se mudaram havia 10 meses. Na noite de quarta-feira, estiveram no imóvel, que hoje é ocupado pela prima de um deles, para buscar um computador. Quando se despediam no pilotis do prédio, o sargento Juenil Queiroz chegou com Francisca e, logo depois, desceu com uma arma exigindo que Francisco subisse para acertarem umas coisas.
Marcelo não deixou o marido subir sozinho e foi atrás. Enquanto isso, a prima do casal ligou para a Polícia Militar pedindo socorro. Cerca de 10 minutos depois, após acusações de uma suposta relação extra-conjugal entre Francisca e Francisco, o coronel os assassinou na frente de Marcelo. Marcelo correu e foi seguido por Queiroz. Foi salvo pela equipe da PM que chegou e prendeu o assassino em flagrante.