Publicidade

Correio Braziliense

Homem assassinado no Cruzeiro é enterrado em Teresina

Mais de 100 pessoas participaram da cerimônia fúnebre, na cidade natal de Francisco de Assis. Ele foi morto pelo sargento reformado da Aeronáutica Juenil Bonfim de Queiroz, que também assassinou a companheira, Francisca Náidde de Oliveira Queiroz


postado em 15/06/2019 20:03 / atualizado em 15/06/2019 20:03

Francisco de Assis, 41 anos, foi morto a tiros na quarta-feira (12/6)(foto: Arquivo Pessoal )
Francisco de Assis, 41 anos, foi morto a tiros na quarta-feira (12/6) (foto: Arquivo Pessoal )
Francisco de Assis, 41 anos, foi velado e enterrado na manhã deste sábado (15/6), na cidade natal, Teresina. O estudante de gastronomia foi morto em um apartamento da Quadra 1405 do Cruzeiro Novo, na quarta-feira (12). O assassino confesso, sargento reformado da Aeronáutica Juenil Bonfim de Queiroz, 56, o executou a tiros. Ele também tirou a vida da própria companheira, Francisca Náidde de Oliveira Queiroz, 57, alegando que as vítimas mantinham um relacionamento amoroso. Francisco, no entanto, era homossexual assumido e casado há cinco anos com Marcelo Soares Brito, 40, que presenciou o crime.

A cerimônia foi marcada por indignação. Mais de 100 pessoas participaram do enterro, entre elas os familiares da vítimas, amigos e conhecidos. Os parentes mais próximos de Francisco não quiseram falar com a imprensa, por ainda estarem muito abalados com a morte abrupta do homem. O viúvo, Marcelo, acompanhou a despedida do estudante pela internet. 

“Esse é o pior momento da minha vida. Todo aquele horror ainda ecoa na minha mente. É claro que a revolta ainda existe, mas a minha vontade é de ver a justiça feita, para que aquele assassino possa pagar por tudo o que fez. Eu só temo que, por ele ser militar, o tratamento do processo seja diferenciado e a justiça não seja feita plenamente”, disse.

Para o único sobrevivente da tragédia, Juenil não deveria ser indiciado apenas pelo feminicídio de Francisca e o homicídio de Francisco. “Nós fomos coagidos, sob mira de uma arma de fogo, a subirmos ao apartamento dele (o sargento). Também fomos obrigados a permanecermos na sala (onde ocorreu os assassinatos), porque ele nos trancou ali. A todo momento estávamos acuados, pois ele estava armado. Ele tinha que responder ainda por tentativa de homicídio, pois desceu armado atrás de mim. Só não fui morto porque a polícia chegou e o prendeu”, afirma Marcelo.
 
O sargento da Aeronáutica no momento em que acusava Francisco de ter um caso com sua mulher, Francisca(foto: Reprodução)
O sargento da Aeronáutica no momento em que acusava Francisco de ter um caso com sua mulher, Francisca (foto: Reprodução)


"Francisco era gay assumido e, enquanto moramos no prédio (do crime), o Juenil tratava meu marido com desprezo, se negando até a cumprimentá-lo nas áreas comuns do edifício”, relato Marcelo. “Eu e o Francisco já o achávamos homofóbico por causa dessa atitude de desprezo. Nada faz sentido em toda essa história. Se ele sabia que o Francisco era gay e casado comigo, por que essa acusação irreal?”, finaliza. 

O crime 

Na noite de quarta-feira (12), Juenil e a mulher chegaram ao prédio onde moravam e o assassino era síndico, no Cruzeiro. Eles tinham passado o Dia dos Namorados na casa do filho deles, na Asa Sul. Francisco e Marcelo estavam no pilotis do edifício, acompanhados de duas familiares, que viviam no apartamento onde o casal havia morado por três anos. Eles decidiram se mudar há cerca de 10 meses para Santa Maria. 

Juenil subiu com Francisca para a residência deles, no terceiro andar. A mulher ficou no local e o sargentodesceu novamente para a área comum do prédio. Armado com a pistola calibre .380, ameaçou o casal homoafetivo a subir até a casa dele. As familiares dos homens ligaram para a polícia. No apartamento, eles e a mulher do assassino foram coagidos a se sentarem no sofá da sala de estar. Marcelo usou o telefone celular para filmar a conversa e flagrou todo o crime. O Correio teve acesso ao material em primeira mão.
 
 

Apesar de Marcelo e Francisco negarem qualquer acusação realizada por Juenil, foi tudo em vão. Foram mais de 10 minutos de terror que eles e Francisca viveram no apartamento. O militar atirou cinco vezes: duas em Francisco e três na mulher. Depois de cometer os assassinatos, se voltou para Marcelo e disse: “Pronto. É assim que a gente resolve. Pode chamar a polícia agora. Não sai, não (falando a Marcelo). É assim, beleza? Acabei com a minha vida. Mas acabei com quem me acabou."

Marcelo conseguiu escapar do apartamento após testemunhar o duplo homicídio. Ele correu e gritou por socorro. Para não ser morto, se escondeu de Juenil, que desceu atrás dele. A Polícia Militar estava na área e prendeu o homem em flagrante. Ele foi encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), onde confessou tudo. Na quinta-feira (13), a Justiça converteu a prisão para preventiva. Ou seja, Juenil aguardará o julgamento atrás das grades. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade