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Correio Braziliense

Criança que passou por cirurgia inédita no HCB se recupera na UTI

O procedimento, para tratar uma malformação da bexiga e da uretra do paciente, teve cerca de 12 horas de duração


postado em 16/06/2019 22:01 / atualizado em 16/06/2019 22:01

De acordo com os médicos, a cirurgia foi um sucesso(foto: HCB/SES-DF/Divulgação)
De acordo com os médicos, a cirurgia foi um sucesso (foto: HCB/SES-DF/Divulgação)
O menino de 1 ano e 11 meses que passou por uma cirurgia complexa e inédita no sábado (15/6) no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar se recupera na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O procedimento para tratar uma extrofia de bexiga teve início por volta das 8h30 e terminou aproximadamente às 20h30. Os médicos avaliam que a operação foi um sucesso. 

O objetivo da cirurgia foi resolver uma malformação da bexiga e da uretra do paciente. O menino tinha a parede abdominal aberta, deixando os dois órgãos, que se desenvolveram unidos, expostos. A novidade no tratamento foi o uso da Técnica de Kelley, usada pela primeira vez em Brasília.
 
De acordo Flavia Cristina Buzato Broch, cirurgiã pediatra do HCB, se não fosse pelo método, seria necessário outras duas ou três operações. "A melhoria na qualidade de vida dessa criança não tem preço. Você vê um menino que tem uma patologia grave, algo tão complexo, e vê isso resolvido em apenas uma cirurgia, é algo muito relevante para a família”, comenta a doutora.

A Técnica de Kelley foi criada há 50 anos. O método é pouco utilizado devido à complexidade, mas garante resultados melhores. "Nas técnicas tradicionais, apesar de já serem cirurgias bastante complexas, a reconstrução que se realiza ainda é limitada. Em boa parte dos casos, os resultados ficam muito a desejar. Nessa nova técnica, a melhora é muito significativa, tanto no aspecto funcional quanto no aspecto estético”, explica o cirurgião e urologista pediátrico, coordenador de urologia do HCB, Hélio Buson.

O menino deve ficar pelo menos cinco dias na UTI em recuperação. "Passado por esse período de UTI, o risco de infecção é menor e, já nas primeiras semanas, vai ser possível ver o aspecto final da cirurgia e se teve o efeito desejado", detalha Flávia. A doutora garante que, se não houver complicações, não será necessário outras cirurgias a curto prazo. 

A cirurgia foi realizada durante o encontro do Grupo Cooperativo Brasileiro Multi-Institucional para o Tratamento de Extrofia de Bexiga pela Técnica de Kelley. A iniciativa foi criada em janeiro de 2019. Os profissionais viajam mensalmente para diversos locais do país para operar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), crianças com extrofia de bexiga. Cerca de 20 cirurgiões participam da equipe. 
 

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