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Correio Braziliense

Falso pastor do Paranoá pode ter feito, pelo menos, 14 vítimas

O homem é acusado de se passar por líder religioso e atrair menores de idade até sua casa, no Itapoã, para abusar sexualmente deles


postado em 18/06/2019 14:30 / atualizado em 18/06/2019 18:30

Durante esta esta terça-feira (18/6), oito vítimas prestaram depoimento na 6ª Delegacia de Polícia, que investiga o caso(foto: Caroline Cintra/CB/ DA Press)
Durante esta esta terça-feira (18/6), oito vítimas prestaram depoimento na 6ª Delegacia de Polícia, que investiga o caso (foto: Caroline Cintra/CB/ DA Press)
Pelo menos 14 adolescentes confirmaram ser vítimas do falso pastor, 36 anos, do Paranoá. Oito meninos e meninas prestaram depoimento na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), que investiga o caso. Ele é acusado de se passar por líder religioso e atrair crianças e adolescentes de 11 a 15 até a casa dele, no Itapoã, para abusar sexualmente deles. O homem foi preso na segunda-feira (17/6).

O suspeito passou por várias igrejas e marcava reuniões de oração e louvor na residência. Além disso, prometia presentes, lanches, jogos e até se casar com uma das vítimas, de 15 anos. "Ele tinha um envolvimento emocional com elas. Ele pedia para os adolescentes o chamarem de pai e a menina de 15 anos, de mãe. Ela sempre ficava sentada no colo dele como mulher mesmo", contou Jane Klébia.

O falso pastor chegou a reunir mais de 20 jovens em casa. Pelo menos três meninas se mutilaram quando descobriam que o suspeito se envolvia não apenas com elas, mas com outras adolescentes. "Elas cortavam os pulsos com gilete. Uma delas chegou a fazer um corte na coxa com uma frase'. Ele se envolvia mesmo com elas. E ainda agia sozinho", afirmou a delegada.

O homem morava com dois filhos, um de 7 e outro de 12 anos. Durante a manhã, trabalhava fora e, à tarde, ficava com as vítimas em casa. "Para ter a companhia das vítimas, ele ia na escola delas, se passava por pai ou padrasto, e pedia para a criança ser liberada da aula. Uma delas, inclusive, reprovou de ano por excesso de falta", disse Jane Klébia.

Uma mãe que não quis se identificar contou que estranhou o comportamento do homem com os jovens das igrejas. No entanto, como ele parecia ser de confiança dos pastores conhecidos, deixava as filhas de 11 e 12 anos irem à casa dele. "Um dia ele marcou uma vigília. As meninas saíram de casa às 19h, deu meia noite e nada de elas voltarem. Eu liguei pra ele e disse que se minhas filhas não chegassem em casa naquela hora, eu iria na delegacia denunciar. Em cinco minutos elas chegaram. Com certeza, ele ficou com medo", disse a mulher.

A dona de casa falou que as filhas estão confusas com tudo que está acontecendo. "Elas dizem que não foram abusadas, mas não sei se devo acreditar. Minhas filhas são puras e a gente só vai ter certeza de que ele não mexeu com elas depois que passar pelo IML (Instituto de Medicina Legal)", ressaltou a mãe das vítimas.

O acusado está preso preventivamente e deve passar por audiência de custódia ainda na quarta-feira (19/6). Caso seja condenado, ele pode pegar uma pena de 8 a 15 anos por cada crime de estupro de vulnerável praticado e de 2 a 6 anos por violação sexual mediante fraude. 

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