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Correio Braziliense

Família espera 27 horas para velar corpo por falta de atestado de óbito

Homem de 49 anos morreu em casa, em Arniqueiras, na manhã de quinta-feira (20/6). O corpo só foi liberado por volta das 12h20 desta sexta-feira (21/6)


postado em 21/06/2019 17:45 / atualizado em 21/06/2019 17:46

A demora aconteceu devido à falta de médico no Serviço de Verificação de Óbito (SVO), localizado no Hospital Regional de Ceilândia(foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
A demora aconteceu devido à falta de médico no Serviço de Verificação de Óbito (SVO), localizado no Hospital Regional de Ceilândia (foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
A família de um homem de 49 anos que morreu na manhã de quinta-feira (20/6), em Arniqueiras, esperou 27 horas para velar o corpo. A demora aconteceu devido à falta de médico no Serviço de Verificação de Óbito (SVO), localizado no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), para atestar a morte do rapaz. Até a manhã desta sexta-feira (21/6) ainda não havia atendimento. 

Carlos Alberto morreu em casa de causa natural. O irmão dele, o militar Carlos André da Silva, 47, contou ao Correio que o homem era cardiopata e passou muito mal na hora do café da manhã, às 9h. Foram momentos de angústia para a família, que ainda tentou reanimá-lo, sem sucesso. "Pensamos que o laudo para liberar o corpo era feito pelo IML (Instituto de Medicina Legal), mas parece que, agora, eles só emitem em casos de morte violenta. Ficamos sem saber o que fazer", disse. 

No primeiro momento, a família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou à casa e confirmou o óbito, porém não podia liberar o corpo. Depois de muito procurar, Carlos soube do SVO. "A população não tem informação sobre isso. O atendimento central da SVO fica em Ceilândia. Tentamos muito por telefone e eles não atendiam. Depois de muito tempo conseguimos contato", contou o militar. 

Passadas cinco horas do óbito, uma equipe do SVO compareceu à residência. “Não tenho nada contra, mas chegaram duas mulheres aqui para retirar o corpo do meu irmão. Ele tinha 130 kg. Para carregá-lo não pode ser qualquer pessoa. Exige um estado físico maior. A gente teve que contar com o apoio dos vizinhos para pegá-lo e colocá-lo no carro. Foi um constrangimento imenso", relembra Carlos. 

Chegando à central do SVO, mais um empecilho: não havia médico para liberar o corpo. À família, os funcionários disseram que haveria atendimento, apenas, às 8h desta sexta-feira. "Quando chegamos hoje pela manhã lá, a previsão foi para as 14h, um absurdo. A gente optou por chamar um médico amigo nosso para fazer essa liberação. Assim conseguimos velar o corpo do meu irmão. O serviço público, nesses casos, é ineficiente. Foram horas de angústia", ressaltou o militar.
 
A diretora do SVO, Áurea Cherulli, confirmou que há um deficit de pessoal no atendimento. Ao todo, segundo ela, são cinco médicos anatomopatologistas para liberar os corpos de vítimas de mortes naturais e apenas um carro para atender toda a demanda do DF. "Antes, esse atendimento era feito no IML também, mas eles também têm carência de pessoal e sobrecarga de serviço. Poucas pessoas sabem do SVO e essa situação precisa ser esclarecida", declarou.
 
Para ela, a solução para aumentar a eficiência do serviço é concurso público. "Tem que haver uma candidatura específica (para o SVO). Tem vez, como foi o caso de ontem, que tem médico de férias, de licença-médica", relatou.
 
 

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