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Correio Braziliense

Setor de serviços dribla a crise com criatividade para atrair a clientela

Empreendedores e comerciantes usam a criatividade para atrair e manter clientela. Apesar da recessão de 1,4% registrada até abril, a expectativa é de que 2019 feche positivo. A recuperação deve começar em agosto


postado em 22/06/2019 07:00 / atualizado em 21/06/2019 23:49

A empresária Isabel Cardoso Batista:
A empresária Isabel Cardoso Batista: "Todo comércio foi abalado, porém o que posso dizer é que não fiquei com os braços cruzados" (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Em tempo de dinheiro curto e de consumidores cada vez mais com as mãos no bolso para evitar gastança, o setor de serviços busca soluções para seduzir o freguês. Vale oferecer de tudo, de promoções inovadoras e atendimentos diferenciados a capacitação dos profissionais. Essas são algumas das estratégias do setor de serviços (terciário). Apesar de o segmento apresentar recessão de 1,4% nos primeiros quatro meses do ano, no Distrito Federal, a expectativa é positiva para este semestre, segundo levantamento do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista).

De acordo com a entidade, nos quatro primeiros meses de 2018, o setor de serviços apresentou retração de 1,2%, 0,2% a menos do que este ano. Porém, a procura por parte dos consumidores subiu no segundo semestre, e o ano passado fechou positivo, com 2,5% de crescimento. Para o presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, a tendência é de 2019 acompanhar o ritmo. “Nossa expectativa é de que tenhamos o mesmo desenvolvimento ou até mesmo superior”, ressalta.
 
Edson explica que, somada a crise econômica, o início do ano é marcado por pendências financeiras, como quitação de impostos, compra de materiais escolares e pagamento de matrículas em colégios ou unidades de ensino superior. “Depois de todas essas contas pagas, o investimento é voltado ao setor de serviços. Por isso, a tendência é de que o ano feche positivo”, comenta. A partir de agosto, as coisas devem melhorar.

O sindicato destaca que dentro do âmbito da prestação de serviços, os salões de beleza foram um dos grandes afetados pela crise econômica. Entretanto, alguns empreendedores usaram as dificuldades para se fortalecer no ramo. Dona do salão Camarim, no Núcleo Bandeirante, Isabel Cardoso Batista, 56, conta que mantém o estabelecimento há 30 anos e precisou se reinventar para manter as portas abertas. “Todo o comércio foi abalado, porém, o que posso dizer é que não fiquei com os braços cruzados”, reforça.

Isabel destaca que durante três anos não fez reajuste nos preços dos serviços e passou a ter mais cautela na compra de produtos. “Reduzi as aquisições para tentar aumentar o lucro. Não fiz corte de funcionários. Pelo contrário, investi em mais especializações”, diz. De acordo com ela, o segredo de se manter é não se deixar abalar. “O lucro diminui para todos nós, mas me considero uma vitoriosa, por estar aqui, de portas abertas. O ideal é investir no aperfeiçoamento pessoal e do nosso trabalho. Os clientes precisam ver que estamos buscando coisas novas para eles”, ensina.

Dinheiro

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Francisco Maia, esclarece que a estabilidade do funcionalismo público no DF faz com que o setor de serviços não seja tão afetado durante a crise econômica. “Brasília tem economia equilibrada. Apesar do desemprego estar grande, parte da cidade é movimentava pelo dinheiro do funcionalismo. Por isso, o setor consegue passar pelas dificuldades”, afirma.

Francisco aconselha que empreendedores ou pessoas à procura de emprego busquem especialização. Pesquisas mostram que o setor de serviços tende a crescer. “O ideal é que as pessoas tenham visão e coloquem em mente que a cidade ainda está equilibrada (economicamente)”, afirma. Dono da Lemans Pneus e Rodas, estabelecimento que presta serviços automotivos, José Maria Leão Júnior, 42, segue essas orientações e consegue se manter em crescimento, apesar da crise econômica.

Em um ambiente moderno, com bar e sinuca para os clientes, Júnior, como José é conhecido, montou um estabelecimento com retorno financeiro estável, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). “Trabalho há 22 anos no ramo. Nosso segmento sentiu impacto muito forte da economia. Porém, usamos a criatividade, fizemos muitos investimentos, trabalhamos com estoque grande e estamos conseguindo nos manter com solidez”, aponta.

Segundo o empresário, a crise também foi uma oportunidade para crescer. “Compramos nossa loja com um preço melhor, justamente por causa da situação financeira do país. Além disso, como investimos em estoque, muitos da concorrência não conseguem competir. Vimos muitas pessoas fechando as portas”, lamenta.

Consultoria

Em outra empresa do setor automotivo, também no SIA, o proprietário, Rogers Vilela, 43, investe no atendimento para manter a clientela e se livrar dos prejuízos ocasionados pela crise. “Fazemos uma espécie de serviço de consultoria. Buscamos o automóvel do cliente em casa sem custo adicional. Em algumas ocasiões, também fornecemos um veículo de apoio, sem cobrar nada por isso”, explica.

Trabalhador do ramo há 25 anos, Rogers comenta que a transparência no serviço faz com que o empreendimento dele não seja tão abalado pela crise. “Nos mantemos estáveis. Não demonstramos crescimento, porém, não tomamos prejuízos”, relata. De acordo com ele, se aproveitar da tecnologia, como aplicativos de celulares de troca de mensagens, também é um dos diferenciais do estabelecimento. “Todo procedimento é fotografado e compartilhado com o cliente via WhatsApp. Com isso, garantimos um bom atendimento e garantimos nossa clientela”, destaca.

Para manter a freguesia e continuar lucrando, a sócia e gerente do restaurante Fogão Goiano, no Núcleo Bandeirante, Soraia Belizario de Medeiros, 39, também conta com a criatividade. “Fizemos diversas promoções e passamos a oferecer pratos que os próprios clientes sugerem. Quando alguém diz que quer comer determinada especiaria, marcamos um dia para a pessoa voltar para que ela possa saboreá-la”, explica. Segundo a empreendedora, o item que mais se popularizou no cardápio foi a lasanha de pequi.

Soraia afirma que o estabelecimento sentiu mais os impactos da crise no início deste ano. “Passamos a investir nas redes sociais, principalmente o Instagram. Contratamos uma assessoria para monitorá-las”, diz. Ela ressalta que outra tática para manter os lucros em alta é cativar os clientes. “Nossos funcionários são orientados a tratar os fregueses da melhor forma possível. Temos aqueles que são fiéis, mas recebemos muita gente nova; por isso, é importante manter a qualidade do atendimento”, garante.

Recuperação

A venda de imóveis sofreu prejuízo durante a crise na economia nacional. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), o DF passou por queda nesse tipo de comércio de 2012 até 2016. Em 2010, por exemplo, ocorreram 60 lançamentos imobiliários durante o ano. Em 2015, foram apenas 17 inaugurações. Entretanto, até abril deste ano, 13 empreendimentos entraram no mercado, o que significa uma recuperação.

“A oferta de imóveis no DF de abril foi a menor da história. Estamos com número insuficiente para atender a demanda”, explica o vice-presidente do Sinduscon, Adalberto Valadão Júnior. No entanto, ele explica que a baixa tem lado positivo e negativo. “Com poucos imóveis à disposição, o vendedor pode se dar bem, mas a situação não é tão vantajosa do ponto de vista do consumidor”, ressalta, por isso a importância de pesquisar os melhores preços.

Apesar das baixas dos últimos anos, Adalberto afirma que o ramo se estabilizou em 2019. “Para se manter no mercado, muitas empresas passaram a adotar promoções agressivas, com preços muito baixos. Isso levou a uma queda dos preços, que foi recuperada de forma gradual. Hoje, temos um mercado cauteloso, que não está fazendo movimentos bruscos, para entender o cenário atual da economia brasileira”, esclarece. Para Adalberto, a expectativa é de que este ano ainda feche com resultados positivos, ao menos em comparação a 2018, quando ocorreram 15 lançamentos.

Atividades

O setor terciário envolve atividades de serviços e comércio de produtos. Ele atinge tanto o consumidor final como outros negócios. Essa área pode estar envolvida em diversos segmentos, como transportes, vendas e distribuição de bens e outros. Entre as atividades desenvolvidas nessa área, estão os serviços bancários, o turismo, atendimento hospitalar, corretagem de imóveis e hospitais. Os outros setores da economia são o primário (agricultura e extração mineral) e o secundário (industrialização).

Dicas

Confira dicas para quem busca sucesso no setor de serviços, segundo o especialista em inovação e desenvolvimento empresarial da Universidade de Brasília (UnB), Luís Afonso Bermudez:

» Buscar especialização na área em que desenvolve a atividade;
» Ficar com o “radar ligado” para as oportunidades que o mercado oferece;
» Buscar instituições de apoio para se capacitar, como Senac, Sesc e Sebrae;
» Use e abuse da internet. Ela é uma fonte de informação (e divulgação) gratuita e on-line;
» Seja criativo e não deixe as oportunidades que surjam passarem.

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