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Correio Braziliense

Falta de recursos e crise na saúde são os principais desafios para Ibaneis

Após início dedicado à infraestrutura, o primeiro semestre do governo evidencia dificuldades políticas e econômicas para resolver os problemas da capital. Chefe do Buriti aposta em privatizações e em novo modelo de administração de hospitais


postado em 25/06/2019 06:00

O governador Ibaneis Rocha subiu em um trator durante o lançamento do programa SOS DF, em Ceilândia: obstáculos iniciais para cumprir promessas de campanha(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O governador Ibaneis Rocha subiu em um trator durante o lançamento do programa SOS DF, em Ceilândia: obstáculos iniciais para cumprir promessas de campanha (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Estreante na política e eleito com o voto de quase 70% dos eleitores brasilienses, no segundo turno, o governador Ibaneis Rocha completa seis meses de gestão neste domingo em meio ao esforço para manter as contas públicas em ordem e ainda em busca de uma marca para a gestão. Novato na política, o emedebista trouxe a experiência da iniciativa privada para dinamizar a economia e acelerar privatizações e concessões, além de expandir o novo modelo de gestão da saúde. Mas esbarrou nas velhas estruturas, teve dificuldades em se relacionar com a Câmara Legislativa e enfrentou obstáculos políticos e econômicos para cumprir promessas de campanha. Em um semestre, a vida pública e as tratativas partidárias caíram nas graças de Ibaneis e, agora, ele planeja voos mais altos, como conquistar o comando do MDB nacional.

Com orçamento apertado e discurso de contenção de gasto, Ibaneis deu prioridade, no início do governo, à tentativa de um choque de infraestrutura e obras de recuperação em todas as regiões administrativas. Para isso, criou o primeiro grande programa do governo: SOS DF. O projeto lançado em evento pomposo e com ares de festa em Ceilândia, ainda em janeiro, foi um dos carros-chefes do início da gestão. As atividades emergenciais duraram até 30 de abril. De acordo com a Secretaria de Obras e Infraestrutura, foram realizadas 48 mil ações, como roçagem, poda de árvore, sinalização de trânsito, operações tapa-buraco, limpeza de bocas de lobo e troca de lâmpadas. Apesar do fim do programa, a pasta ressalta que ações pontuais continuam em andamento nas regiões administrativas.

Na saúde, Ibaneis começou o governo com três medidas principais. Inicialmente, decretou estado de emergência na área, o que permite agilidade em compras e contratações. Paralelamente, instituiu o programa SOS Saúde, com mutirões de cirurgias e atendimentos. De acordo com dados mais recentes da Secretaria de Saúde, 27,3 mil cirurgias foram realizadas pela iniciativa. Os números levam em conta procedimentos feitos nos primeiros 150 dias de governo.

Além disso, o chefe do Buriti defendeu a ampliação do modelo de gestão do Instituto Hospital de Base. Em meio a polêmicas com servidores e parlamentares, conseguiu aprovar, na Câmara Legislativa, a criação do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF (Iges/DF). A instituição gerencia, além do Base, o hospital de Santa Maria e seis Unidades de Pronto Atendimento. O governo se prepara para lançar seis novas UPAs dentro do novo modelo.

A epidemia de dengue gerou crise no governo. Enquanto os números de casos da doença aumentavam, o serviço de fumacê chegou a ser paralisado por determinação do Ministério Público por descumprimento de medidas de segurança e higiene. Além disso, a então subsecretária de Vigilância à Saúde, Elaine Morelo, foi exonerada por viajar em meio à epidemia.

Na visão do cientista político da Universidade Católica de Brasília Creomar de Souza, Ibaneis demonstrou posição voluntariosa em declarações relacionadas à saúde. “Algumas falas dele na área mostram uma vontade narrativa muito grande de resolver problemas rapidamente”, analisa. O professor faz referência a episódios em que o governador se colocou de forma mais dura ao cobrar distritais para a aprovação do Iges/DF e ameaçar processá-los. A exoneração de diversos diretores de hospitais também demonstraria isso, segundo o especialista.

PMs nas escolas

Na educação, a novidade ficou com a abertura de quatro escolas militarizadas. Ibaneis Rocha quer começar o segundo semestre com mais seis em funcionamento. O modelo foi cercado de polêmicas, mas, hoje, tem a aceitação de boa parte da comunidade escolar. Alguns episódios geraram questionamentos sobre a presença de PMs nas escolas, como um caso de assédio sexual e outro de agressão — um policial militar foi filmado empurrando um estudante, que caiu no chão, em Ceilândia.

Hoje, cerca de 6,9 mil alunos estão matriculados em escolas com gestão compartilhada. Adotaram o sistema o Centro Educacional (CED) 3, em Sobradinho; o CED 1, na Estrutural; o CED 7, em Ceilândia; e o CED 308, no Recanto das Emas. Pelo projeto, PMs cuidam das decisões disciplinares e ministram, no contraturno escolar, disciplinas ligadas à “cultura cívico-militar”. Professores, orientadores e coordenadores permanecem responsáveis pelo conteúdo pedagógico das classes.

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