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Correio Braziliense

Acusados de matar mulher no DF ficarão presos por tempo indeterminado

Três homens estavam presos temporariamente, mas Tribunal do Juri de Santa Maria decidiu pela preventiva dos suspeitos. Eles são acusados de participar do assassinato e de praticar fraudes contra INSS


postado em 25/06/2019 16:16 / atualizado em 25/06/2019 17:20

Valéria Barreto queria terminar o relacionamento e ameaçou revelar esquema de fraude (foto: Arquivo pessoal/Divulgação )
Valéria Barreto queria terminar o relacionamento e ameaçou revelar esquema de fraude (foto: Arquivo pessoal/Divulgação )
A Justiça converteu em preventiva a prisão temporária de três suspeitos de participar do assassinato de Valéria Barreto, 34 anos. O corpo da mulher nunca foi encontrado, mas, a partir de investigações, policiais da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP) conseguiram descobrir a autoria do crime. O ex-companheiro dela, Paulo Henrique Loura, 49, é um dos acusados, junto de outros três homens: o filho, o irmão e o sobrinho dele. O trio estava preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e, agora, com a prisão preventiva, serão transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP), onde está Paulo.

Segundo a Polícia Civil, o crime teria duas motivações. A primeira, o ciúme do ex-companheiro de Valéria. Ela quis se separar dele, mas o homem não aceitava. O segundo seria um esquema fraudulento de exames e laudos para obtenção de benefícios do INSS. A vítima, inclusive, teria sido beneficiada, mas, com o desejo de romper o relacionamento e com a recusa de Paulo, ela ameaçou revelar toda a fraude. 

Segundo o delegado responsável pela investigação, Filipe Villela, o trio preso, agora, preventivamente, é suspeito de ter participado do homicídio, da ocultação do cadáver — até agora não encontrado — e das fraudes cometidas contra o INSS. "Eles atuaram juntos desde o planejamento do assassinato da vítima, até a execução e a ocultação de cadáver, além de fazerem parte de uma organização criminosa de estelionato, praticando fraudes contra o INSS e contra outros sistemas que fossem necessários para eles", ressaltou.
Os três homens, além de Paulo, foram indiciados por homicídio com quatro qualificadoras, incluindo o feminicídio, além de ocultação de cadáver, organização criminosa e furto de celular. O estelionato previdenciário será investigado em âmbito da Polícia Federal. 
 
A investigação da CHPP ocorreu em conjunto com o Ministério Público e o Tribunal do Júri de Santa Maria.

Entenda o caso

Paulo era ex-companheiro de Valéria, dada como desaparecida em 11 outubro de 2016. O casal se conheceu por meio do esquema de fraudes do INSS, quando o homem a ajudou a obter um benefício irregular. Depois disso e após o envolvimento amoroso, Valéria passou a também fazer parte do esquema, segundo a Polícia Civil. "Ela arregimentava novos clientes", explicou o delegado. 

Mas, ao manifestar o desejo de romper o relacionamento, Paulo não aceitou. Valéria, então, ameaçou revelar o esquema de fraude. “O crime, portanto, foi motivado por ciúmes e pela fraude. Depois que Valéria tinha se separado, Paulo soube que ela estaria circulando com outro rapaz”, contou o investigador. 

Outro crime

Meses depois do sumiço de Valéria, policiais fizeram uma busca na chácara de propriedade de Paulo Henrique, em Luziânia (GO). Lá, encontraram um corpo em um buraco cavado havia um mês a pedido dele. A mulher encontrada não era Valéria, mas, sim, uma ex-cunhada de Paulo, que também sabia do esquema de fraudes.

O assassinato da aposentada Márcia Pereira da Silva, 51 anos, foi motivado, também, pela ameaça de contar o que sabia sobre as irregularidades. Paulo Henrique foi condenado, pelo crime, a 21 anos de prisão por assassinato e um ano e seis meses por ocultação de cadáver.

Com a ligação entre os casos, os investigadores encontraram mais um caminho para seguir. A condenação facilitou também os pedidos de medidas cautelares e prisões preventivas para auxiliar no processo. Atualmente, Paulo Henrique está preso preventivamente, pelo caso Valéria, na Papuda.

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