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Correio Braziliense

"Sinto uma alegria em viver", diz paciente submetida a cirurgia de diabetes

Eliete Alves, 49, recebeu alta nesta manhã e conversou com exclusividade com o Correio, ao lado do médico e responsável pelo procedimento, Renato Teixeira


postado em 27/06/2019 19:19 / atualizado em 27/06/2019 19:19

A primeira cirurgia pelo SUS para controle de diabetes tipo 2 ocorreu no Hran(foto: Breno Esaki/Saude-DF)
A primeira cirurgia pelo SUS para controle de diabetes tipo 2 ocorreu no Hran (foto: Breno Esaki/Saude-DF)
 
Não conseguir acompanhar o crescimento dos netos era o principal medo da garçonete Eliete Alves, 49 anos. O sentimento que entrou com ela no centro cirúrgico, 40 minutos depois, foi substituído por uma perspectiva muito mais positiva. "Alegria em viver" é o que descreve sentir a primeira paciente a ser operada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o controle de diabetes tipo 2

"É uma inovação que traz a todos que vivem a mesma situação que a minha uma esperança maior", afirma Eliete. Ela recebeu alta na manhã desta quinta-feira (27/3), dois dias após passar pelo procedimento, feito no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). 

A primeira parada após deixar a unidade foi o Correio Braziliense. Ao lado do médico responsável pela cirurgia, Renato Teixeira, a paciente contou com exclusividade como foram os anos em que conviveu com a doença sem ver resultados positivos, toda a preparação para a cirurgia e quais os planos daqui para a frente. 

Eliete é mãe de cinco, o mais velho com 34 e a "menorzinha", como se referiu à caçula, tem 20 anos. No entanto, na casa onde mora, em Sobradinho 2, a presença da criançada é garantida. Com cinco netos e esperando mais um, a avó coruja encontrou nos pequenos o motivo necessário para lutar contra a diabetes, diagnosticada há nove anos. "A luta é por eles, que são a razão da minha vida. E a força vem de Deus, que botou pessoas maravilhosas e preparadas para me ajudar. Agora vou continuar cuidando da minha saúde, com muita responsabilidade", garante. 

Pelos próximos 15 dias, a mulher ficará de repouso em casa. Depois, continuará sendo acompanhada por mais um ano pela equipe médica do Hran, incluindo nutricionistas, endocrinologistas, clínicos gerais e psiquiatra. 

Tratamento sem resultados


Os anos em que conviveu com a doença não foram fáceis e Eliete, mesmo fazendo o uso correto dos medicamentos, não notava melhora. Muito pelo contrário. "Primeiro foi a minha visão. Antes, eu me orgulhava de ler as entrelinhas. Agora, preciso usar óculos. Também comecei a sentir formigamentos nas pernas, nas mãos. Imagina não conseguir mais ver meus netos ou ter uma perna amputada e não poder acompanhá-los, andar com eles?" O quadro de saúde da garçonete também já estava evoluindo para uma insuficiência renal. 

De acordo com o médico Renato Teixeira, o primeiro a assumir a mais nova coordenação de Serviço de Cirurgia de Diabetes Tipo 2, todas essas são características comuns em pessoas com diabetes. "É uma doença que afeta o organismo como um todo. Então, o paciente que não está bem controlado, vai evoluindo para essas complicações, como problemas no coração, na visão, nos rins. Isso porque, junto ao sangue, circula a glicose aumentada, lesionando os órgãos. A cicatrização é mais difíci,  já que o sangue fica mais ácido", explica. 

Entre os principais problemas envolvendo pessoas diabéticas, está a propensão ao infarto, derrames, amputações, cegueira e insuficiência dos rins. "É muito triste saber que pode fazer algo pelo paciente, mas que está impedido por não ter oferta na rede pública e acabar vê-lo morrendo, amputado, com sequelas, em uma cama. Agora, a gente pode fazer algo. Pegar um paciente que a gente sabe que vai desenvolver problemas e mudar essa curva, dando qualidade de vida a ele. E isso é muito gratificante", comemora Renato. 

A previsão do governo é operar até seis pessoas por semana, no Hran. As filas serão formadas a partir de agora, com a regulamentação da cirurgia na rede pública. Os pacientes serão encaminhados pelos postos de saúde. Será beneficiado quem se submeteu ao tratamento com medicamentos por ao menos dois anos e não apresentou melhora. Fatores de risco cirúrgico também influenciam na seleção. 

A expectativa é de redução dos custos com os tratamentos ineficazes, já que, após a cirurgia, o uso dos medicamentos é suspenso. "A cada dia entram novos medicamentos para tentar tratar o paciente. Eles são caríssimos, para o resto da vida, e não curam. A OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou que o diabetes é uma epidemia e que, no Brasil, se não fizermos nada, aumentará em 62% nos próximos 20 anos. Então não é só uma questão de inovação e, sim, de necessidade", pondera o médico. 

Segundo o Ministério da Saúde, são gastos em torno de R$ 1 bilhão anuais só com os três tipos de remédios oferecidos aos diabéticos. A cirurgia tem um custo médio de R$ 5 mil ao SUS, excluindo o salário do servidor do DF. 
 
Assista a transmissão na íntegra:
 
 
 
 

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